Huawei lança Watch GT Runner 2 e mira corredor de alta performance
A Huawei lança nesta quinta-feira (26), em Madri, o Watch GT Runner 2, relógio inteligente voltado para corrida de alta performance. O modelo aposta em precisão de dados, bateria longa e assistente de treino para disputar espaço com marcas esportivas tradicionais.
Huawei entra de vez na briga dos relógios para corrida
No palco montado na capital espanhola, a marca chinesa deixa claro que quer falar diretamente com quem leva a corrida a sério. O Watch GT Runner 2 chega para enfrentar nomes consolidados como Garmin, Coros e Polar, com preço sugerido de 399 euros na Europa, cerca de R$ 2.418 em conversão direta, sem impostos. No Brasil, o relógio entra em pré-venda em 4 de abril, ainda sem valor definido.
O lançamento em Madri acompanha uma leva de novos produtos da marca, que inclui o smartphone Mate 80 Pro, o tablet MatePad Mini, os fones FreeBuds Pro 5 e a nova série Band 11. Mesmo assim, o protagonista do evento é o relógio esportivo, apresentado como a peça-chave da estratégia da Huawei para conquistar corredores que buscam performance e dados confiáveis.
A proposta é combinar leveza, design elegante e tecnologia de monitoramento avançada em um único dispositivo. O modelo chega em três cores — azul, laranja e preto — e tenta se posicionar como um acessório que transita da pista para o uso diário, sem o visual agressivo de alguns rivais focados apenas em esporte.
Corrida mais inteligente, não apenas mais rápida
O Watch GT Runner 2 gira em torno de um conceito central: transformar dados em orientação prática durante o treino. “Não é sobre correr mais, é sobre correr de forma mais inteligente”, resume Andreas Zimmer, head de produto da Huawei, ao apresentar o dispositivo. No relógio, isso aparece em três pilares principais: modo inteligente de maratona, assistente de corrida e sistema avançado de posicionamento.
O modo maratona permite que o usuário faça um teste de corrida em qualquer distância para que o relógio passe a registrar ritmo, frequência cardíaca, oscilação vertical e tempo de contato com o solo, entre outras variáveis. A partir daí, o sistema começa a construir um retrato detalhado da técnica e da resistência do corredor, em vez de apenas somar quilômetros.
No aplicativo complementar, disponível para Android e iOS, o corredor registra provas-alvo ou escolhe competições sugeridas pela plataforma e define metas específicas para cada uma. O assistente de corrida monta então um plano de treinamento que se ajusta em tempo real, “baseado nos princípios da ciência do esporte” e em dados pessoais como sono, nível de estresse, oxigenação do sangue, respiração e ciclo menstrual, segundo a empresa.
Um teste prático ajuda a entender o funcionamento. Ao cadastrar uma prova de 10 km marcada para março, o sistema alerta que o prazo é curto para uma preparação ideal, já que ainda conhece pouco o usuário. Mesmo assim, monta um programa de três semanas com treinos de corrida e exercícios de força. Os ajustes acontecem conforme o relógio acumula dados e observa como o corpo reage ao esforço.
Durante a corrida, o relógio atua como um técnico de bolso. Avisos sonoros e visuais indicam se o ritmo está dentro da meta, se o batimento cardíaco dispara além do previsto ou se falta aceleração. Um recurso chamado “pacer virtual” coloca na tela duas figuras: uma representa o ritmo ideal e outra mostra a posição real do corredor. A diferença entre as duas indica, em tempo real, se é hora de segurar ou apertar o passo.
No posicionamento, a Huawei aposta em uma antena flutuante 3D combinada ao sistema proprietário TruSense. A promessa é de precisão de ritmo próxima de 97% em áreas com prédios, 98% em espaços abertos e 99% na medição de distância, mesmo com túneis e obstáculos no trajeto. Em teste inicial, o GPS fixa a localização praticamente ao sair de um ambiente fechado, sem aquela longa espera na calçada que muitos corredores conhecem bem.
Ao fim de cada treino, o relógio leva dois minutos para calcular o tempo de recuperação cardíaca, etapa que o usuário pode pular se quiser. Os dados exibidos incluem a porcentagem de tempo que cada pé fica em contato com o solo — útil para flagrar assimetrias — e o limiar de lactato, ponto em que o corpo acumula ácido lático em excesso, o que indica risco de fadiga rápida e queda de desempenho.
Leveza no pulso, bateria longa e mira no mercado brasileiro
A Huawei tenta equilibrar performance e conforto ao apostar em uma caixa de titânio de 43,5 mm por 43,5 mm, com espessura de 10,7 mm e peso de 34,5 gramas sem pulseira. Na prática, o relógio quase desaparece no pulso durante a corrida. O modelo traz duas pulseiras na caixa: uma de tecido, mais esportiva, com tecnologia AirDry para secagem rápida, e outra de fluoroelastômero, material emborrachado voltado ao uso cotidiano.
A tela AMOLED colorida de 1,32 polegada responde ao toque e convive com dois botões físicos. Um funciona como botão inicial e rolagem de menu, o outro é configurável para atalhos de treino ou funções favoritas. Um detalhe curioso é o print de tela direto no relógio: basta pressionar os dois botões ao mesmo tempo para salvar a imagem no celular e compartilhá-la depois.
Apesar do foco em alta performance, o GT Runner 2 tenta acolher quem está começando. O relógio chega com treinos pré-programados, que vão de rotinas de alongamento a séries pré e pós-corrida, aquecimento, planos para natação e até pular corda. São 13 treinos de corrida divididos em níveis de intensidade, de leve a forte, incluindo opções intervaladas.
Na parte de conectividade, o relógio atende chamadas de voz diretamente no pulso, por meio de microfone e alto-falante integrados. Em teste com o celular distante, a ligação funciona sem interrupções, embora seja preciso aproximar o relógio da boca para que o interlocutor ouça com clareza.
A bateria é outro trunfo na disputa com concorrentes. A Huawei fala em até 14 dias de uso típico e 32 horas contínuas de exercícios ao ar livre com GPS ativado. Para quem treina maratonas ou ultramaratonas, essa autonomia reduz a ansiedade com recarga na véspera de provas longas.
Nos bastidores, a marca busca reforçar a credibilidade esportiva do produto. Em janeiro, anunciou parceria com o time de corrida dsm-firmenich, equipe que conta com o queniano Eliud Kipchoge, recordista mundial de maratona e bicampeão olímpico. O grupo testa o relógio antes do lançamento, valida métricas e fornece feedback de uso real. Kipchoge sobe ao palco em Madri como embaixador global do GT Runner 2, um aceno direto para corredores que veem nos profissionais um selo de confiança.
Competição acirrada e próxima geração de treinos conectados
A chegada do Watch GT Runner 2 ao mercado coloca mais pressão sobre marcas especializadas que dominam o pulso de corredores há anos. Garmin, Coros e Polar constroem reputação com métricas avançadas, mas convivem com preços altos em muitos modelos. A Huawei tenta se posicionar com um pacote robusto de recursos, visual menos técnico e integração mais forte com o ecossistema de celulares e tablets da marca.
No Brasil, onde o relógio será um dos primeiros produtos da leva de Madri a desembarcar oficialmente, a disputa tende a beneficiar o consumidor. A entrada de um novo player de peso costuma estimular cortes de preço e aceleração de inovações. A combinação de dados detalhados de corrida, inteligência artificial aplicada a planos de treino e bateria longa pressiona concorrentes a responder com atualizações de software e novos modelos.
O impacto não se limita aos atletas de elite. Corredores amadores ganham acesso a métricas antes restritas a laboratórios e consultorias esportivas, como análise de tempo de contato dos pés com o solo e estimativa de limiar de lactato. A leitura constante de sono, estresse e ciclo menstrual, somada à adaptação automática dos treinos, sinaliza um movimento mais amplo: a personalização esportiva guiada por dados, com o relógio no centro desse ecossistema.
A Huawei indica que o GT Runner 2 deve conversar cada vez mais com outros dispositivos e plataformas de saúde, abrindo espaço para integrações com equipamentos de academia, apps de nutrição e serviços de telemedicina esportiva. A fronteira entre relógio esportivo, monitor de saúde e assistente de performance fica mais difusa a cada geração.
À medida que o relógio chega às mãos de mais corredores, a disputa passa a ser por confiança nos dados e consistência das recomendações. O GT Runner 2 se apresenta como uma opção leve, precisa e ambiciosa. O próximo passo é saber se, fora do palco de Madri e longe dos holofotes, ele aguenta o ritmo da rua, da pista e das maratonas que pretende ajudar a planejar.
