Homem é morto ao tentar invadir Mar-a-Lago, residência de Donald Trump
Um homem de cerca de 20 anos é morto a tiros pelo Serviço Secreto neste domingo, 22 de fevereiro de 2026, em Mar-a-Lago, na Flórida. Segundo autoridades, ele tenta violar o perímetro de segurança da residência do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O caso provoca reação imediata em Washington e reacende o debate sobre o uso da força na proteção de ex-mandatários.
Tentativa de invasão em área de segurança máxima
A movimentação no complexo de luxo em Palm Beach começa no fim da tarde, quando agentes identificam um homem se aproximando de uma área restrita de Mar-a-Lago. De acordo com relatos preliminares de autoridades locais, ele ignora avisos verbais e barreiras físicas e tenta avançar para dentro do perímetro protegido. A resposta é rápida e letal: agentes do Serviço Secreto disparam várias vezes e o invasor cai ainda na área externa da propriedade.
Equipes médicas de emergência são chamadas em poucos minutos, mas o homem é declarado morto no local. Até o início da noite, nem o Serviço Secreto nem o Departamento de Polícia de Palm Beach divulgam o nome da vítima. Investigadores apenas confirmam a faixa etária, estimada em pouco mais de 20 anos, e informam que ele não portava documentos de identificação visíveis. “Nossos agentes agiram para proteger uma área de alta segurança. A investigação vai determinar todos os detalhes”, afirma um porta-voz do Serviço Secreto, em comunicado breve.
Segurança de ex-presidentes em foco
Mar-a-Lago se consolida, desde 2017, como um dos pontos mais sensíveis do aparato de segurança americano. O resort, comprado por Trump em 1985 por cerca de US$ 10 milhões, vira residência oficial do republicano após sua saída da Casa Branca e já é alvo de outros incidentes de segurança nos últimos anos. A presença frequente do ex-presidente, assessores e visitantes de alto escalão transforma o clube em extensão informal do poder político, mesmo fora de Washington.
O episódio desta noite coloca novamente sob holofotes o protocolo aplicado a ex-presidentes, que seguem protegidos pelo Serviço Secreto ao longo da vida. Trump continua sendo figura central na política americana, mantém base eleitoral robusta e está no centro de disputas judiciais e da campanha nacional. Cada episódio envolvendo sua segurança ganha dimensão política imediata. Parlamentares democratas e republicanos pedem, em notas, transparência nas investigações e acesso rápido às gravações de câmeras de segurança e registros de rádio do Serviço Secreto.
Especialistas em segurança consultados pela imprensa americana lembram que, em áreas classificadas como de “alta ameaça”, a diretriz tende a privilegiar a neutralização rápida de qualquer risco percebido. Isso inclui fronteiras físicas bem marcadas, vigilância eletrônica 24 horas e presença constante de agentes armados. “Quando alguém rompe um perímetro desse tipo, o tempo de resposta se mede em segundos, não em minutos”, afirma um ex-agente ouvido pela TV local. A linha que separa prevenção e excesso de força, porém, volta ao centro dos questionamentos.
Debate sobre uso da força e direitos civis
Organizações de direitos civis avaliam que o caso pode se somar a outras controvérsias envolvendo o uso de força letal por agentes federais. Grupos que acompanham ações policiais nos Estados Unidos cobram há anos protocolos mais rígidos para o emprego de armas de fogo, sobretudo quando o suspeito não está armado ou não representa ameaça iminente à vida de terceiros. Até o momento, as autoridades não informam se o homem carregava arma ou qualquer objeto considerado perigoso.
A morte em Mar-a-Lago ocorre em um ambiente político polarizado, em que episódios de violência ligados a figuras públicas se transformam em pauta nacional em poucas horas. Em redes sociais, aliados de Trump exaltam a atuação “firme” dos agentes e defendem que qualquer tentativa de invasão a propriedades ligadas ao ex-presidente seja tratada como “ameaça grave”. Críticos, por outro lado, pedem cautela e lembram casos em que suspeitos desarmados foram mortos em circunstâncias questionadas pela Justiça.
Juristas apontam que o inquérito deve analisar, ponto a ponto, se os agentes seguiram o protocolo vigente, se havia alternativas não letais e se houve tentativa clara de comunicação prévia. A legislação americana prevê ampla margem de atuação para agentes encarregados da proteção de autoridades, mas também permite responsabilização civil e criminal em casos de abuso. “O que está em jogo não é apenas a segurança de um ex-presidente, mas a fronteira entre proteção e excesso”, resume um advogado especializado em direitos civis ouvido pela imprensa local.
Pressão por transparência e próximos passos
Autoridades locais e federais abrem investigações paralelas para reconstituir o passo a passo da abordagem em Mar-a-Lago. O Departamento de Polícia de Palm Beach conduz a perícia de campo e analisa imagens de câmeras, enquanto o próprio Serviço Secreto inicia uma revisão interna. A expectativa é que os primeiros relatórios preliminares sejam apresentados em alguns dias, mas a conclusão formal pode levar semanas.
A Casa Branca acompanha o caso de perto, em meio à preocupação crescente com a segurança de autoridades em propriedades privadas. O episódio tende a fortalecer propostas no Congresso para ampliar recursos federais destinados à proteção física de ex-presidentes e candidatos presidenciais, incluindo reforço tecnológico em perímetros, mais agentes treinados e protocolos de resposta rápida. Ao mesmo tempo, parlamentares de oposição prometem audiências públicas para discutir limites legais do uso da força por agentes federais em áreas residenciais.
A identidade do homem morto, sua origem e suas motivações permanecem em aberto e podem definir o rumo político da discussão. Caso se confirme algum vínculo com grupos extremistas, a pressão será por medidas ainda mais duras de segurança em clubes privados associados a líderes políticos. Se a investigação apontar desorganização, erro de avaliação ou excesso na reação dos agentes, o foco tende a migrar para responsabilização, revisão de protocolos e indenizações à família. Enquanto essas respostas não chegam, Mar-a-Lago volta ao centro de uma controvérsia que mistura segurança nacional, direitos civis e a disputa permanente em torno da figura de Donald Trump.
