Guerra entre EUA, Israel e Irã chega a 1 mês com impasse e petróleo em alta
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã completa um mês neste sábado (28), com mais de 1.900 mortos e nenhum acordo de cessar-fogo à vista. O bloqueio do Estreito de Ormuz sustenta a tensão militar e pressiona a economia global.
Conflito se arrasta em Teerã e paralisa saída de petróleo
Os combates se concentram em território iraniano, onde ataques a instalações militares e de energia se repetem desde o fim de fevereiro. A ofensiva envolve bombardeios a usinas, fábricas de mísseis e centros logísticos, enquanto Teerã responde com lançamentos de projéteis contra alvos em Israel e bases americanas na região.
O conflito já deixa mais de 1.900 mortos e supera 20 mil feridos, segundo a Cruz Vermelha. Entre as vítimas está o líder supremo Ali Khamenei, morto no primeiro dia da ofensiva, em ataque que atinge o coração do poder iraniano. A sucessão rápida por seu filho, Mojtaba Khamenei, no início de março, amplia a sensação de incerteza em Teerã e provoca críticas abertas de Washington.
Donald Trump, que conduz a resposta militar americana, se diz “muito decepcionado” com a escolha. O republicano afirma não acreditar que Mojtaba “vai levar a paz para o Irã” e insiste que o país continuará enfrentando “os mesmos tipos de problemas” sob a nova liderança religiosa. O comentário expõe a desconfiança da Casa Branca em relação à possibilidade de mudança de rumo em Teerã.
A morte de Khamenei rompe um eixo de poder que se mantém por mais de três décadas e adiciona um elemento interno à disputa externa. A elite política iraniana tenta preservar a narrativa de continuidade, enquanto a sucessão hereditária alimenta críticas de aliados e rivais. Na prática, o novo líder assume em meio à maior confrontação direta da República Islâmica com os Estados Unidos e Israel desde 1979.
Plano de paz emperra e bloqueio de Ormuz atinge o bolso do mundo
Trump promete interromper, até 6 de abril, os ataques às usinas de energia iranianas, caso perceba avanço nas conversas de bastidor. O presidente assegura que as negociações com Teerã vão “muito bem”, mas não apresenta detalhes públicos sobre eventuais sinais de trégua. Na prática, o impasse em torno de um cessar-fogo total continua e a escalada permanece como risco imediato.
Na quarta-feira (25), os Estados Unidos enviam ao governo iraniano, por intermédio do Paquistão, um plano de paz com 15 pontos. O documento tenta combinar garantias de segurança, limites às capacidades nucleares e balísticas iranianas e um cronograma de redução das operações militares americanas. Teerã recusa o texto sem rodeios e, em público, desdenha da ideia de negociar com Trump.
Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do Quartel-General Central Khatam Al-Anbiya das Forças Armadas iranianas, dispara em mensagem veiculada na TV estatal: “Seus conflitos internos chegaram ao ponto em que vocês estão negociando consigo mesmos?”. Em seguida, reforça a rejeição: “Alguém como nós nunca chegará a um acordo com alguém como vocês. Nem agora, nem nunca”.
Apesar da retórica, a emissora estatal Press TV divulga que um funcionário iraniano apresenta cinco condições para encerrar a guerra, em resposta informal ao plano americano. As exigências incluem garantias de fim das agressões militares, retirada de forças estrangeiras da região e reconhecimento explícito de que o Irã mantém o direito de defender seu programa nuclear civil. Não está claro se o emissor fala com aval direto da cúpula do regime.
Enquanto os canais diplomáticos patinam, a Guarda Revolucionária Islâmica fecha o Estreito de Ormuz, rota por onde passa parcela vital do petróleo exportado pelo Golfo Pérsico. Em comunicado no aplicativo Telegram, o grupo proíbe a passagem de qualquer navio ligado a países aliados dos Estados Unidos e de Israel e ameaça reagir com “resposta firme” a tentativas de travessia. Três cargueiros de diferentes nacionalidades recuam após serem advertidos pela Marinha iraniana.
A interrupção dessa artéria marítima, responsável por escoar parte significativa do petróleo mundial, provoca choque imediato nos mercados. O barril de Brent, que custava cerca de US$ 60 no fim de 2025, ultrapassa os US$ 100 e atinge picos próximos de US$ 120. Países importadores sentem o impacto em cadeia, dos combustíveis ao transporte de cargas, reavivando temores de inflação e desaceleração global.
Trump reage com nova ameaça e diz que destruirá as usinas de energia iranianas se a passagem não for reaberta até 6 de abril. A declaração amarra o relógio da guerra a um prazo curto e coloca Ormuz no centro da disputa estratégica. A Guarda Revolucionária, por sua vez, atribui a confusão no tráfego marítimo às “alegações falsas” do presidente americano sobre uma possível reabertura do estreito.
Israel amplia ofensiva e aumenta risco de escalada regional
Israel aproveita o foco sobre Ormuz para intensificar ataques cirúrgicos a alvos em solo iraniano. O ministro da Defesa, Israel Katz, promete que o país persa “pagará um preço alto e crescente por esse crime de guerra”, sem detalhar quais ações considera inegociáveis. A fala reforça a ideia de que Tel Aviv não pretende se limitar ao campo de batalha atual.
As Forças Armadas israelenses bombardeiam instalações “no coração de Teerã” ligadas à produção de mísseis balísticos e outras armas, segundo militares do país. Lançadores e depósitos de mísseis no oeste do Irã também entram na mira. A campanha mira a espinha dorsal do aparato militar iraniano e visa enfraquecer a capacidade de ataque contra cidades israelenses.
Em paralelo, autoridades americanas repetem que a guerra tem três objetivos centrais: neutralizar ameaças iminentes contra seus aliados, destruir instalações nucleares sensíveis e reduzir o arsenal de mísseis balísticos sob controle iraniano. A narrativa busca justificar o confronto direto e afastar a imagem de intervenção aberta para mudança de regime.
A combinação de bombardeios, bloqueio marítimo e retórica intransigente cria um cenário de alerta máximo no Oriente Médio. Países vizinhos reforçam defesas aéreas, monitoram fluxos de refugiados e revisam planos de contingência energética. Empresas multinacionais do setor de petróleo reavaliam rotas e contratos, enquanto governos discutem o uso de reservas estratégicas para conter a alta dos combustíveis.
Diplomatas em capitais europeias e asiáticas tentam abrir canais paralelos com Teerã e Washington, mas enfrentam desconfiança dos dois lados. A ausência de um mediador aceito por todos dificulta a construção de um cessar-fogo minimamente estável. Sem sinal claro de recuo, o conflito entra em seu segundo mês com o risco concreto de arrastar novos atores e transformar Ormuz em epicentro de uma crise ainda maior.
O prazo de 6 de abril, marcado por Trump como limite para a reabertura do estreito e para uma possível suspensão dos ataques a usinas, surge como primeiro teste da disposição real das partes em conter a escalada. A resposta iraniana a essa exigência, somada aos próximos movimentos de Israel, deve indicar se o conflito caminha para uma negociação difícil ou para uma nova fase, ainda mais imprevisível.
