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Grêmio empata com o Inter no Beira-Rio e encerra jejum no Gauchão

O Grêmio empata por 1 a 1 com o Internacional neste domingo (9), no Beira-Rio, e conquista o Campeonato Gaúcho de 2026. O resultado confirma o título após 20 anos sem taças estaduais, em uma decisão cercada por tensão, polêmicas de arbitragem e uso do VAR.

Gre-Nal 451 vira desfecho de um jejum de duas décadas

O clássico de número 451 começa com o Inter pressionado pelo 3 a 0 sofrido na Arena, no primeiro jogo da final. Diante de 41.251 torcedores, sendo 37.512 pagantes, o Beira-Rio recebe um time colorado obrigado a atacar e um Grêmio disposto a se proteger, administrar a vantagem e encerrar um jejum que já atravessa gerações de torcedores.

O peso histórico se impõe desde o aquecimento. O clube tricolor não ergue o troféu estadual desde 2006 e entra em campo com a mesma formação da partida de ida. O Inter, dirigido por Paulo Pezzolano, precisa alterar a estrutura. Sem Bernabei, suspenso, o técnico desloca Allex, um meio-campista de origem, para a lateral esquerda, em uma tentativa de manter intensidade ofensiva sem abrir mão da construção pelo meio.

O plano colorado se traduz em pressão constante no primeiro tempo. Logo aos 12 minutos, Alan Patrick encontra Carbonero nas costas da defesa gremista. O colombiano sai cara a cara com Weverton, que salva o Grêmio com defesa firme, à queima-roupa. Um minuto depois, Victor Gabriel sobe mais que a zaga em escanteio e testa perto do gol, ampliando a sensação de que o 3 a 0 da Arena ainda não garante nada.

O Inter empurra o rival para o próprio campo. Aos 35 minutos, Vitinho cruza rasteiro da direita, a bola atravessa a área e Borré se estica, mas não alcança. O lance sintetiza o primeiro tempo colorado: volume alto, decisões apressadas no último toque e um Weverton seguro, que reduz o tamanho do gol para o ataque adversário.

Aos 42 minutos, o clássico ganha seu primeiro grande foco de controvérsia. Alan Patrick tenta finalizar dentro da área e cai após contato com Monsalve e Gustavo Martins. O árbitro Rafael Rodrigo Klein aponta o pênalti de imediato, cercado por jogadores dos dois lados. A sala do árbitro de vídeo chama a revisão, as imagens são projetadas no telão, e, depois de longos minutos de espera, o juiz volta atrás e anula a penalidade. O estádio reage com vaias e gritos contra a arbitragem, enquanto o Grêmio ganha tempo para respirar.

O golpe emocional cobra preço rápido. Aos 53 minutos, já nos acréscimos da primeira etapa, o Grêmio aproveita uma rara ida ao ataque. Após cobrança de escanteio, Gustavo Martins surge livre no centro da área colorada e bate forte, sem chance para Rochet. O 1 a 0 muda a lógica da decisão. Com o agregado em 4 a 0, o time de Luís Castro se vê com as duas mãos na taça antes mesmo do intervalo, ainda que o desempenho em campo não seja superior.

Arbitragem, VAR e expulsão inflamam a rivalidade

O Inter retorna do vestiário sem mudanças. O Grêmio, não. Luís Castro tira Viery, que carrega um cartão amarelo, e coloca Wagner Leonardo. Tetê entra para dar fôlego ao ataque, em meio a um cenário em que cada dividida ganha contorno de decisão. O time colorado volta ao campo insistindo no jogo aéreo e na bola parada, consciente de que precisa de um gol rápido para reacender qualquer esperança.

Aos 9 minutos do segundo tempo, Mercado testa na trave após cobrança de escanteio, em novo aviso de que a vantagem tricolor não impede o sofrimento. O Grêmio, mais organizado e confortável com o placar agregado, passa a controlar melhor os espaços, reduz a quantidade de finalizações sofridas e tenta esfriar o jogo. Mesmo assim, Weverton volta a aparecer aos 20 minutos, quando Alan Patrick cobra falta com perigo e obriga outra defesa importante.

A partida parece caminhar para um desfecho burocrático quando um lance dentro da área gremista reacende o clássico. Aos 32 minutos, Wagner Leonardo acerta o rosto de Borré em disputa pelo alto. Klein manda seguir, mas, chamado pelo VAR, corre ao monitor à beira do gramado. Após a revisão, marca pênalti e expulsa o zagueiro, deixando o Grêmio com um jogador a menos em plena reta final.

Alan Patrick pega a bola, ajeita com calma e cobra o pênalti aos 36 minutos. A finalização no canto empata o jogo, faz 1 a 1 e devolve alguma esperança aos torcedores colorados que ainda permanecem no estádio. Parte da arquibancada, que já deixava o Beira-Rio antes do lance, tenta voltar correndo às cadeiras. O clima de contestação contra a arbitragem se intensifica, alimentado pela lembrança do pênalti anulado no primeiro tempo.

O juiz concede 10 minutos de acréscimo, suficientes para transformar os instantes finais em ataque contra defesa. O Inter se lança com tudo, empurra Mercado e Victor Gabriel para a área, arrisca cruzamentos de todos os lados. O Grêmio recua, fecha linhas com nove jogadores de linha, corta bolas de qualquer jeito e administra cada segundo. Weverton segura cruzamentos, Pavón e Marlon afastam de cabeça, e a torcida tricolor, em minoria numérica, faz mais barulho a cada interceptação.

O apito final congela o placar em 1 a 1 e confirma um título comemorado dentro da casa do rival, algo que o Grêmio não vive no Beira-Rio há 20 anos. A renda da partida, de R$ 1.017.946,50, dimensiona o tamanho do evento. Nas arquibancadas, parte da torcida colorada aplaude o esforço, enquanto outra parte segue apontando para o trio de arbitragem, que deixa o gramado sob escolta.

Título muda o tom da temporada e projeta pressão no Brasileirão

A conquista estadual tem impacto direto sobre o ambiente tricolor. O clube encerra um jejum de duas décadas no Gauchão, ganha fôlego político e esportivo e entrega para o técnico Luís Castro uma margem maior de confiança para a sequência da temporada. Jogadores como Gustavo Martins e Weverton, decisivos na final, reforçam posição no elenco e se tornam símbolos imediatos desse ciclo.

O título também reposiciona o Gre-Nal em 2026. A vitória no agregado por 4 a 1 reabre feridas na torcida colorada e alimenta a narrativa de um Grêmio mais eficaz em decisões recentes, mesmo sem atuar de forma dominante nos 90 minutos deste domingo. O Inter, por sua vez, tenta capitalizar a atuação agressiva do primeiro tempo, mas sabe que entra no Brasileirão sob cobrança ampliada por ter perdido uma final em casa, diante de um rival que jogou parte do segundo tempo com um a menos.

As polêmicas com o VAR e as decisões de Rafael Rodrigo Klein e do árbitro de vídeo Marcello Ignacio Domingues Neto alimentam debates que ultrapassam o Rio Grande do Sul. Especialistas em arbitragem revisitam o pênalti anulado em Alan Patrick, o critério para a expulsão de Wagner Leonardo e o tempo gasto em cada revisão. A discussão sobre limites do vídeo, tempo de interrupção e transparência nas explicações volta à pauta em programas esportivos e redes sociais.

Para o Inter, o desafio imediato é transformar a frustração em combustível. Pezzolano precisa recuperar um elenco que sente o peso de desperdiçar chances claras e ver o rival comemorar no Beira-Rio. A diretoria colorada monitora o impacto nas arquibancadas, sabe que o início do Brasileiro será acompanhado de perto e que qualquer tropeço pode reacender críticas ao planejamento.

Rivalidade reacendida e foco agora no Campeonato Brasileiro

O calendário não dá espaço para luto ou euforia prolongada. Grêmio e Inter voltam aos treinos nesta semana já com foco no início do Campeonato Brasileiro, principal termômetro da temporada. O time tricolor tenta levar a confiança do título estadual para uma campanha de recuperação nacional, apoiado na ideia de que soube ser competitivo em jogo grande, sob pressão máxima.

O Inter precisa provar que o desempenho ofensivo do primeiro tempo não é exceção isolada. A forma como o clube responderá ao revés, dentro e fora de campo, pode definir o rumo de 2026. A rivalidade, reacendida por uma decisão dramática, acompanha cada passo. O Gauchão termina com uma taça azul erguida em um estádio vermelho e deixa uma pergunta no ar: quem chegará mais forte ao fim do Brasileirão, além da fronteira estadual?

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