GOG preserva clássico Prince of Persia após cancelamento de remake
A plataforma GOG anuncia, nesta quinta-feira (22), a preservação do jogo Prince of Persia: The Sands of Time. O título de 2003 entra em um programa especial com melhorias de estabilidade e compatibilidade com PCs atuais, após o cancelamento do aguardado remake.
Clássico ganha sobrevida após frustração com remake
O anúncio surge poucas horas depois da confirmação de que o remake de Prince of Persia: The Sands of Time está oficialmente cancelado. A decisão frustra uma base de fãs que acompanha, há anos, o vai e vem do projeto, mas abre espaço para uma mudança de foco: em vez de um novo jogo, a preservação cuidadosa do original.
A GOG, loja digital conhecida por adaptar títulos antigos para sistemas recentes, comunica que o game será incluído em seu Programa de Preservação “o mais rápido possível”. A iniciativa promete não apenas fazer o jogo rodar em computadores modernos com Windows e outros sistemas operacionais, mas entregar, nas palavras da própria empresa, “a melhor versão que você já jogou”.
Em mensagem pública nas redes sociais, a plataforma reconhece o impacto emocional da notícia sobre o remake e tenta redirecionar a conversa para o legado do jogo de 2003. “While today’s news about the cancelled Prince of Persia: The Sands of Time remake hit hard and might be disappointing for many of us, it also gives us an opportunity to celebrate the game that started it all”, afirma a GOG em inglês.
A empresa adota um tom incomum para comunicados corporativos ao falar diretamente com a comunidade de fãs. “Nós vemos vocês, sentimos este momento com vocês e estamos ao lado de vocês”, diz o texto, em tradução livre, ao comentar a frustração com o fim do projeto de nova versão.
Por que a preservação importa para o jogo de 2003
Lançado há 23 anos, em 2003, Prince of Persia: The Sands of Time se firma como um marco dos jogos de ação e aventura em 3D. O título se destaca pelo parkour fluido, pela mecânica de rebobinar o tempo e por uma narrativa cinematográfica que influencia séries posteriores, como Assassin’s Creed, da própria Ubisoft.
Com o passar do tempo, porém, manter jogos antigos funcionando em máquinas atuais se torna um desafio técnico. Sistemas operacionais mudam, padrões gráficos avançam e, não raro, quem tenta revisitar um clássico encontra travamentos, bugs e incompatibilidades. É nesse ponto que o Programa de Preservação da GOG atua.
Em outras iniciativas do mesmo programa, a empresa costuma ajustar o jogo para rodar de forma estável em resoluções atuais, corrigir erros históricos e integrar soluções que antes exigiam modificações feitas por fãs. A promessa, agora, é aplicar esse cuidado ao Príncipe, sem alterar o desenho original da experiência.
A GOG insiste que o objetivo não é reimaginar o game, mas garantir que ele permaneça fiel ao que milhões de jogadores viveram a partir de 2003. A atualização foca em estabilidade, compatibilidade e pequenos ajustes de preservação, mantendo intactos o visual, a jogabilidade e o ritmo que tornaram o título um clássico.
Para os fãs que aguardavam um remake moderno, com gráficos atuais, iluminação avançada e dublagem refeita, a notícia não substitui a ambição original. Ainda assim, ao assegurar uma edição robusta e acessível do jogo clássico, a plataforma tenta transformar a frustração em um gesto de cuidado com a memória da série.
Impacto para fãs e para a preservação de games
A decisão da GOG tem efeito imediato sobre a comunidade que ainda hoje revisita Prince of Persia: The Sands of Time em PCs. Muitos jogadores recorrem a soluções improvisadas, como modificações criadas por usuários, para fazer o título funcionar em máquinas compradas em 2024, 2025 ou 2026. Com a nova edição, a expectativa é reduzir essa dependência de gambiarras.
Ao incluir o jogo em seu Programa de Preservação, a empresa também envia um recado ao mercado: clássicos de 15, 20 ou 25 anos continuam relevantes comercialmente. A iniciativa pode influenciar outros serviços e editoras a priorizar a conservação de catálogos históricos, em vez de deixar que títulos importantes desapareçam com o avanço das gerações de hardware.
Para a Ubisoft, dona da franquia, o movimento funciona como uma forma indireta de manter a marca em circulação em um momento de incerteza. Sem remake e sem novo capítulo anunciado, a permanência do jogo de 2003 em uma vitrine atualizada ajuda a preservar o interesse em torno do personagem e de seu universo.
O público sai com um ganho concreto: acesso facilitado a uma versão estável, legalizada e preparada para sistemas contemporâneos. Em uma era em que muitos jogos somem de lojas digitais por questões de licenciamento ou viabilidade técnica, ter a confirmação explícita de preservação representa um diferencial relevante.
Especialistas em preservação digital apontam há anos o risco de perda de obras interativas importantes por falta de políticas claras de conservação. A iniciativa da GOG, embora focada em um único título, se encaixa em um debate mais amplo sobre patrimônio cultural dos videogames e sobre quem é responsável por mantê-lo vivo.
O que vem depois para o Príncipe
A GOG não divulga uma data exata para a chegada de Prince of Persia: The Sands of Time ao Programa de Preservação, mas promete agir “o mais rápido possível”. A tendência é que o jogo apareça na loja com selo de edição preservada ainda em 2026, já adaptado para as máquinas atuais.
O futuro da franquia, porém, segue aberto. Sem remake e sem anúncio de um novo grande projeto, o Príncipe de 2003 volta a ocupar o centro do palco, agora como peça de memória protegida. Resta saber se esse movimento de preservação será suficiente para sustentar o interesse da comunidade até que a Ubisoft decida, de forma definitiva, qual será o próximo salto do personagem no tempo.
