Gilmar Mendes defende atuação de Toffoli no caso Master no STF
O ministro Gilmar Mendes sai em defesa pública de Dias Toffoli e da relatoria do caso Master no Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira (26). A manifestação, feita em rede social, responde a críticas internas e externas à permanência de Toffoli no processo. O gesto expõe a tensão dentro da Corte em torno de uma das investigações mais sensíveis do país.
Decano reage a críticas e cita aval da PGR
Em publicação no X, antigo Twitter, Gilmar afirma que a atuação de Toffoli segue o devido processo legal e recebe chancela da Procuradoria-Geral da República. O ministro destaca que a própria PGR, responsável pela acusação penal em nível federal, analisa o caso e considera regular a permanência de Toffoli como relator.
Na mensagem, o decano do Supremo sublinha o histórico do colega: “O ministro Dias Toffoli tem uma trajetória pública marcada pelo compromisso com a Constituição e com o funcionamento regular das instituições”. Ele acrescenta que, “no exercício da jurisdição, sua atuação observa os parâmetros do devido processo legal e foi objeto de apreciação da Procuradoria-Geral da República, que reconheceu a regularidade da sua permanência no caso”.
Gilmar encerra o texto com um recado mais amplo, dirigido ao ambiente político e às pressões sobre o tribunal. “A preservação da independência judicial e o respeito às instâncias institucionais são condições indispensáveis para o diálogo republicano e para a confiança da sociedade nas instituições”, escreve. A declaração, feita em 26 de janeiro de 2026, ecoa em meio a críticas públicas e movimentações de bastidor em torno do caso Master.
Caso Master pressiona STF e expõe racha interno
O caso Master, que envolve investigação de alta repercussão política e mira figuras centrais do bolsonarismo, se torna um foco de atrito dentro do Supremo e entre poderes. Desde o fim de 2025, a relatoria de Toffoli concentra decisões que afetam diretamente a Polícia Federal e a própria dinâmica de apuração em primeira instância.
Ordens expedidas por Toffoli desde dezembro provocam incômodo em delegados da PF e em ministros do STF, segundo relatos de bastidor. Integrantes das duas instituições discutem formas de reduzir o desgaste à imagem da Corte, já pressionada por críticas de politização e excessiva intervenção em investigações criminais.
Reportagem da CNN Brasil mostra que o ministro avalia devolver a investigação à primeira instância, para o juízo de origem, onde o caso tramita até o fim do ano passado. Essa possibilidade recoloca o papel do Supremo em processos complexos sob escrutínio e reacende debates sobre o limite da atuação da Corte em fases preliminares de inquéritos.
A manifestação de Gilmar Mendes surge nesse ambiente, como um gesto calculado de proteção institucional. Ao vincular a permanência de Toffoli na relatoria ao crivo da PGR, o decano tenta isolar críticas de favorecimento político e reforçar a narrativa de que o Supremo atua dentro das regras do processo penal.
Impacto na confiança pública e no andamento do processo
A defesa pública de Gilmar mira um ponto sensível para o tribunal: a confiança social. Pesquisas recentes mostram oscilações na imagem do STF, influenciadas por decisões em casos de forte impacto político e por embates com o Executivo e o Congresso. Em investigações que envolvem ex-presidentes, aliados e forças de segurança, qualquer suspeita de escolha de relator ou de interferência indevida ganha peso imediato no debate público.
No plano prático, a fala do decano fortalece a posição de Toffoli no curto prazo e sinaliza alinhamento de parte da Corte com a condução atual do inquérito. O respaldo de um dos ministros mais antigos do tribunal funciona como barreira simbólica a pedidos de afastamento do relator ou de redistribuição do processo.
Ao citar expressamente o parecer da Procuradoria-Geral da República, Gilmar também coloca a PGR como corresponsável pela moldura institucional do caso. A mensagem sugere que, até aqui, não há elementos jurídicos suficientes, na visão do Ministério Público, para questionar a permanência do ministro na relatoria. Esse ponto pesa tanto para a opinião pública quanto para outros atores do sistema de Justiça que acompanham o processo.
A crise interna, porém, não se dissipa. Nos bastidores, integrantes da PF demonstram desconforto com decisões que, na avaliação deles, restringem diligências ou alteram o ritmo de oitivas e quebras de sigilo. Servidores e investigadores temem que mudanças de competência ou revisões de decisões atrasem ainda mais uma investigação que já se arrasta por meses.
Próximos passos e riscos para o Supremo
O movimento mais imediato no horizonte do caso Master é a decisão de Toffoli sobre a eventual devolução do inquérito à primeira instância. Se confirmar essa saída, o ministro reduz a exposição direta do STF, mas não elimina questionamentos sobre as decisões já tomadas. A transferência também abre espaço para nova rodada de recursos e disputas sobre competência no Superior Tribunal de Justiça e no próprio Supremo.
Dentro da Corte, a nota de Gilmar funciona como tentativa de conter danos e restaurar uma aparência de unidade em torno do relator. A coesão, no entanto, depende das próximas decisões do ministro e da reação da PF, da PGR e de advogados envolvidos no caso. Cada nova medida cautelar, cada despacho sobre depoimentos ou quebras de sigilo tende a ser lido também à luz da disputa institucional em curso.
Para o STF, o impasse em torno do caso Master vira um teste de resistência. A Corte tenta equilibrar a promessa de combate a abusos de poder com a obrigação de preservar garantias individuais e o devido processo legal. A mensagem de Gilmar Mendes busca ancorar esse equilíbrio na independência judicial e no respeito às instâncias formais.
O desfecho da investigação, e a forma como o Supremo administra essa crise, ajuda a definir não apenas o futuro de envolvidos diretos no caso, mas também o lugar do tribunal no tabuleiro político dos próximos anos. A resposta virá nas próximas decisões, dentro e fora dos autos.
