Garro reage no Corinthians e vive melhor início de temporada em 2026
Garro vive em 2026 o melhor início de temporada desde que chegou ao Corinthians, mesmo saindo do banco. O meia argentino acumula mais participações em gols com menos minutos em campo nos primeiros dois meses do ano.
Reserva, mas mais decisivo no Paulistão
O número não muda o fato de que Garro começa o ano na reserva, atrás de Breno Bidon na hierarquia de Dorival Júnior. Muda, porém, o peso de cada minuto que ele passa em campo. Em 11 jogos na temporada, seis como titular, o argentino soma três assistências e um gol, participação direta em quatro gols do Corinthians.
A sequência atual contrasta com os anos anteriores. Em 2024 e 2025, o recorte dos 11 primeiros jogos mostrava sempre o mesmo cenário: um gol e duas assistências, três participações em gols. A evolução agora aparece na frequência. Em 2026, Garro precisa de 156 minutos para participar de um gol, com 624 minutos acumulados em campo. Em 2024, eram 301 minutos de espera entre uma jogada decisiva e outra, em 905 minutos jogados. Em 2025, a média cai para 227 minutos, ainda abaixo do ritmo atual.
Da burocracia ao banco: três anos de obstáculos
A curva de desempenho ganha peso quando se olha o caminho até aqui. Garro chega ao Corinthians em 2024 e esbarra logo de saída em um entrave burocrático. O Talleres segura a documentação e alega não ter recebido o valor acordado pela venda. A estreia atrasa, o planejamento físico é remendado, e o meia passa parte do primeiro ano tentando recuperar tempo perdido.
O calendário seguinte reserva um golpe mais duro. Antes da reapresentação em 2025, Garro se envolve em um acidente de carro na Argentina, que termina com a morte de um motociclista. Ele dirigia o veículo que bate na moto. Volta ao Brasil trazendo o peso do episódio e, em campo, sente dores no joelho, resquício da temporada anterior. Dorival e a comissão optam por controlar minutos e carga física. O argentino fecha o recorte inicial de 2025 com 681 minutos, sete jogos como titular, um gol e duas assistências.
O cenário que ele encontra em 2026 é diferente. A dor já não é o problema central. A concorrência é. A queda de desempenho e as lesões do ano passado abrem espaço para Breno Bidon se firmar como articulador do meio-campo. O jovem ganha a camisa 10 simbólica do esquema, e Garro passa a sair do banco com frequência. Ainda assim, produz mais. Em comparação simples, ele tem um jogo a menos como titular do que em 2025, mas já ultrapassa o número de participações em gols no mesmo recorte de 11 partidas.
As atuações chamam a atenção de Dorival, que enxerga avanço, mas não esconde a cobrança. Depois da vitória sobre o Athletico, na semana passada, o treinador expõe em público a visão sobre o momento do meia. “É um jogador que pode nos entregar muito mais. Tenho certeza, ele sabe disso. A confiança é muito grande. Ele vem em um processo de evolução. Às vezes oscila, ora para mais, ora para menos”, afirma.
O treinador puxa a régua para cima e usa como parâmetro a melhor versão recente do argentino. “Tenho certeza de que ele vai reencontrar as melhores condições neste ano e, daqui a pouco, produzir dentro do que é satisfatório para ele e para nós, se aproximando daquilo que o levou a ser um dos melhores meias de 2024”, completa Dorival. A mensagem chega ao jogador em um momento em que números e contexto começam a jogar a seu favor.
Impacto no time e disputa por espaço com Bidon
O crescimento de Garro mexe com o desenho ofensivo do Corinthians neste começo de Campeonato Paulista. Um meia que participa de um gol a cada duas partidas completas, em média, altera a forma como o time ocupa o campo de ataque. No papel, Dorival mantém Bidon como referência criativa central, mas a entrada de Garro aumenta a circulação de bola entre linhas e oferece passes mais verticais para os atacantes.
O efeito é direto no clima interno. A comissão técnica ganha uma alternativa confiável para mudar jogos travados, e o torcedor volta a enxergar em Garro aquele meio-campista capaz de decidir partidas com um passe. Ao mesmo tempo, a ascensão do argentino pressiona Bidon, que passa a lidar com concorrência real por minutos em uma posição que, historicamente, define o ritmo do Corinthians.
Os números resumem a virada. Em 2024, são 10 jogos como titular nos primeiros 11, 905 minutos e apenas três participações em gols. Em 2025, a minutagem cai para 681 minutos e sete titularidades, com repetição das três participações. Em 2026, o argentino joga menos, 624 minutos, vira titular em seis oportunidades, e participa diretamente de quatro gols. O Corinthians, que sofre com momentos de oscilação ofensiva, encontra em Garro um recurso mais agudo com a bola no pé.
A reação também repercute fora de campo. Depois de dois anos marcados por um embróglio contratual e um acidente fatal, o meia tenta reconstruir a própria imagem esportiva. A boa fase ameniza críticas, gera novo interesse da imprensa esportiva e reforça a sensação, entre dirigentes e torcedores, de que o investimento pode, enfim, render aquilo que se projetava quando ele deixa o Talleres.
Pressão por sequência e o papel de Garro no restante da temporada
A dúvida agora gira em torno da próxima etapa da recuperação de espaço. Garro mantém o ritmo atual se receber sequência como titular? Dorival está disposto a mexer em uma estrutura que, com Bidon, ganha certa estabilidade tática? O Campeonato Paulista oferece uma janela de testes importante antes de desafios maiores no calendário, e o desempenho do argentino neste período tende a pesar nas decisões.
O clube observa a evolução com cuidado. O histórico recente de problemas físicos recomenda prudência no aumento repentino de minutagem. Ao mesmo tempo, a matemática empurra a comissão para o risco calculado: um jogador que participa de um gol a cada 156 minutos entrega um retorno difícil de ignorar em um time que ainda busca identidade ofensiva sólida.
Garro chega ao fim do primeiro bimestre de 2026 em posição que não vive desde que assinou com o Corinthians. Não tem a vaga garantida, mas recupera protagonismo esportivo, equilibra a disputa com Bidon e volta a ser peça-chave no tabuleiro de Dorival. A próxima fase da temporada dirá se o melhor início de ano da carreira alvinegra é ponto de virada definitiva ou apenas um recorte promissor em uma trajetória ainda marcada por obstáculos.
