Esportes

Gallardo anuncia saída do River Plate e encerra ciclo vitorioso

Marcelo Gallardo anuncia, nesta terça-feira (24), que deixa o comando técnico do River Plate. O último jogo à frente da equipe está marcado para quinta-feira.

Fim de um ciclo que redefine o River

O comunicado oficial do River Plate, lido em coletiva no Monumental de Núñez, encerra a segunda passagem de Gallardo pelo clube argentino. O treinador decide sair após um ciclo marcado por títulos nacionais e continentais, reconhecimento internacional e uma relação rara de confiança com a torcida.

A decisão vem em um momento de estabilidade esportiva, o que amplia o impacto do anúncio. Gallardo não deixa um time em crise, mas um projeto consolidado, com elenco competitivo e presença constante em fases decisivas de competições sul-americanas desde sua chegada. A ruptura, agora, não é apenas técnica: mexe com a identidade recente do River.

O treinador fala em tom de despedida e de balanço. “É o momento de fechar um ciclo. Entrego um clube forte, com uma ideia clara de jogo e com futuro”, diz, em declaração divulgada pelo clube. A direção reforça o discurso de gratidão e evita, por ora, qualquer conflito público. “Gallardo é parte da história grande do River”, afirma um dirigente presente à coletiva.

Legado esportivo, pressão e sucessão em aberto

Gallardo constrói, ao longo de sua segunda passagem, uma das gestões mais influentes do futebol sul-americano na última década. Entre títulos de liga, copas nacionais e campanhas consistentes na Libertadores, o River volta a se afirmar como protagonista regional. As conquistas, somadas à projeção internacional do treinador, alimentam convites e sondagens frequentes da Europa e da seleção argentina, o que pressiona os bastidores desde 2023.

A saída agora tem efeito imediato no vestiário e na arquibancada. Jogadores formados no clube, que sobem ao profissional sob comando de Gallardo, perdem a principal referência do projeto esportivo. O Monumental, ponto de apoio ao treinador mesmo em fases de oscilação, reage com misto de surpresa e gratidão. Nas redes sociais, em menos de 24 horas, perfis ligados ao clube somam milhares de mensagens de despedida e hashtags em defesa de uma homenagem formal no último jogo.

No mercado, o movimento do River ajuda a redesenhar o mapa de treinadores na América do Sul. Agentes e dirigentes projetam um efeito dominó, com sondagens a técnicos de ponta na Argentina, Brasil, Uruguai e Chile. Hernán Crespo surge, desde os primeiros minutos após o anúncio, como o nome mais forte para assumir o cargo. Ex-atacante do próprio River e campeão em clubes como Inter de Milão e Milan, Crespo constrói carreira no banco com passagens por Defensa y Justicia, São Paulo e clubes do Oriente Médio.

A ligação afetiva pesa. Crespo é visto internamente como um perfil capaz de manter a ideia de um time ofensivo, com posse de bola e protagonismo em clássicos e mata-matas continentais. A imprensa argentina já trata o ex-jogador como “candidato número 1”, enquanto analisa outros nomes em conversas preliminares. O River, porém, prefere não anunciar prazos oficiais para a definição, para evitar desgaste antes da partida de despedida de Gallardo.

Analistas locais apontam que o próximo técnico herda um clube estruturado, mas sob enorme carga simbólica. “Substituir Gallardo é, hoje, o trabalho mais difícil do futebol argentino”, escreve um comentarista em coluna publicada poucas horas após a coletiva. A régua do torcedor sobe com números e memórias recentes, o que reduz margem para experimentos ou inícios irregulares.

O que muda no River a partir de agora

A transição técnica atinge diretamente a estratégia esportiva do River para as próximas temporadas. O novo treinador precisará validar, em poucas semanas, o planejamento traçado para 2026, que inclui metas claras em campeonato argentino, Copa da Liga e Libertadores. Renovações de contrato, promoções da base e possível venda de atletas passam a ser avaliadas sob outra ótica.

Empresários que negociam jogadores com o River admitem, em privado, expectativa por ajustes. Mudanças no comando costumam alterar prioridade de posições, estilo de jogo e tempo de adaptação de reforços. Atletas em fim de contrato aguardam definição para decidir se permanecem ou se procuram novos mercados. A janela seguinte pode registrar saída de nomes importantes, caso o projeto com o sucessor não convença o elenco.

Financeiramente, a direção tenta blindar o clube de sobressaltos. O River, que volta a registrar receitas elevadas com bilheteria, premiações e vendas desde 2021, sabe que o desempenho em campo influencia patrocínios e exposição internacional. Resultados ruins logo após a troca técnica podem custar milhões de dólares em médio prazo, num cenário de competição acirrada com rivais locais e brasileiros.

Torcedores, conselheiros e ex-jogadores pressionam por uma transição que respeite o legado recente. A expectativa é de que o último jogo de Gallardo, marcado para quinta-feira, no Monumental, funcione como um ritual público de despedida. O clube planeja homenagens em campo e nas arquibancadas, com mosaicos, faixas e vídeos que resgatam momentos de conquistas e viradas emblemáticas.

O River entra nos próximos dias em um período raro de incerteza. O time que, por anos, tem na figura de Gallardo o eixo de decisões passa a buscar uma nova referência. A escolha do sucessor, com Crespo em destaque e outros candidatos à espreita, define não apenas o estilo de jogo, mas o tom político e emocional do clube para a próxima década. A pergunta que fica, entre dirigentes e torcedores, é se alguém será capaz de ocupar esse espaço sem viver à sombra de um ciclo que, ao se encerrar, já entra para a história.

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