Ciencia e Tecnologia

Galaxy usado ganha valor com suporte de até 7 anos e troca Smart

A Samsung amplia, até fevereiro de 2026, o valor de revenda dos smartphones Galaxy no Brasil ao estender o suporte de software para até sete anos e apostar no programa de troca Smart Samsung. A combinação de aparelhos mais duráveis, atualizações frequentes e recompra estruturada transforma o mercado de usados e empurra consumidores a permanecer no ecossistema da marca.

Suporte mais longo muda a conta do consumidor

A forma como o brasileiro escolhe um celular muda rápido. Câmera, desempenho e marca seguem pesando, mas o tempo de vida útil entra no centro da decisão. O aparelho precisa durar mais, receber atualizações por anos e continuar seguro antes de ir parar na gaveta ou no mercado de usados.

Nesse cenário, a Samsung estende o suporte de software de seus modelos topo de linha e passa a oferecer, em gerações recentes, até sete anos de atualizações de sistema e de segurança. O compromisso vale para aparelhos selecionados da linha Galaxy premium e cria um diferencial em um segmento em que, por muito tempo, dois ou três anos de suporte eram a regra não declarada.

A estratégia se apoia na promessa de um celular que envelhece mais devagar. Funções chegam por meio de atualizações ao longo dos anos e ampliam recursos de produtividade, criatividade e comunicação. O que o usuário compra no lançamento não é mais um pacote fechado; é um produto em evolução contínua, pensado para se manter atual mesmo depois de muito uso diário.

Rafael Aquino, diretor de Produto de Mobile Experience da Samsung Brasil, descreve esse movimento como uma mudança de foco interna. “Nossa base instalada de smartphones topo de linha vem aumentando nos últimos anos como uma consequência direta da nossa estratégia de não concentrar valor apenas no lançamento de produtos, mas por oferecer um conjunto de evoluções que retém cada vez mais usuários”, afirma. Na avaliação dele, o resultado é “um smartphone Galaxy que mantém desempenho, integridade e atratividade mesmo após anos de uso”.

Galaxy AI, troca Smart e a nova lógica do usado

A inteligência artificial entra como outro eixo dessa virada. O Galaxy AI deixa de ser um conjunto isolado de funções e se consolida como uma plataforma de recursos que chega em ondas, por atualizações. À medida que novas ferramentas de edição de imagem, tradução ou organização aparecem, o mesmo aparelho continua ganhando fôlego, sem exigir troca imediata por um modelo seguinte.

Essa sensação de longevidade tecnológica ajuda a sustentar o preço do usado. Um celular que segue recebendo funções de IA e correções de segurança por anos tende a perder menos valor no mercado secundário. A percepção do consumidor muda: o smartphone deixa de ser só uma compra de curto prazo e passa a ser, também, um bem com valor de revenda mais previsível.

Para capturar esse valor, a Samsung aposta no programa Troca Smart Samsung, que aceita dispositivos móveis usados de qualquer marca como parte do pagamento por um novo Galaxy. Dados internos mostram que, na compra de um aparelho novo, 80% dos clientes chegam com um smartphone de pelo menos dois anos de uso. Entre quem adquire um Galaxy topo de linha, 70% entregam o dispositivo anterior no serviço de trade-in e permanecem na marca.

O programa cria um ciclo em que o aparelho antigo vira moeda de entrada e retorna ao mercado em outra faixa de preço. Um dos parceiros dessa engrenagem é a Assurant, responsável por parte da operação de recompra. Dados da empresa indicam alta consistente no valor residual de diferentes gerações de Galaxy. A comparação entre modelos sucessivos mostra que os mais recentes valem mais tempo e perdem menos preço na hora da troca, reflexo da combinação de hardware mais robusto, suporte prolongado e experiência de uso em evolução.

Para José Augusto Codesso, diretor de Operações da Assurant, esse comportamento cria um novo padrão de qualidade. “Isso se traduz em maior confiança do consumidor, que percebe estar adquirindo um produto com valor mais duradouro, tanto em experiência de uso quanto como investimento futuro”, diz. Segundo ele, o desempenho no mercado de recompra “se consolida como um novo critério de excelência, que vai além das especificações de lançamento e reflete a qualidade percebida em todo o ciclo do produto”.

Mercado de usados ganha peso e empurra concorrência

O avanço do mercado de smartphones usados no Brasil altera a forma como a indústria enxerga o ciclo de vida dos aparelhos. Cada celular passa por ao menos dois ou três donos antes de sair de circulação, e o valor de recompra se torna componente decisivo nessa trajetória. Quem entra no topo de linha pensa, já na compra, quanto receberá na troca dali a dois ou três anos.

No caso da Samsung, a elevação do valor de revenda alimenta um círculo de fidelização. O usuário que entrega um Galaxy de dois anos, bem cuidado e ainda atualizado, recebe mais crédito na compra de um novo. A diferença de preço entre ficar na marca ou migrar para outra se estreita e, muitas vezes, pesa a favor da permanência no ecossistema Galaxy.

O efeito colateral recai sobre concorrentes que oferecem suporte mais curto ou não estruturam programas de trade-in em escala nacional. Para igualar a proposta de valor, precisam alongar o tempo de atualização, reforçar a durabilidade de hardware e criar canais confiáveis de recompra. A pressão atinge tanto marcas globais quanto fabricantes focados em modelos intermediários, que ainda tratam o pós-venda como etapa secundária.

Há também um impacto direto na agenda ambiental. Um aparelho projetado para durar mais, receber atualizações frequentes e seguir relevante no mercado de usados reduz a necessidade de substituição acelerada. O ciclo de troca se torna mais racional, com menos descarte prematuro e mais reaproveitamento. Para empresas que apostam em metas de redução de resíduos eletrônicos, a combinação de suporte prolongado e programas de troca estruturados vira argumento central.

A Samsung explora esse discurso ao falar em economia circular no setor de tecnologia. Ao incentivar a renovação baseada em aparelhos que ainda mantêm desempenho e integridade por mais tempo, a empresa tenta mostrar que a adoção de um novo Galaxy não significa abandonar o antigo à obsolescência imediata.

Próximo ciclo de lançamentos testa fôlego da estratégia

O próximo lançamento da linha Galaxy, previsto para este ano, chega a um mercado em que o usado nunca valeu tanto. A promessa de suporte de longo prazo, somada ao Galaxy AI em expansão e ao Troca Smart ativo, cria um ambiente em que a decisão de compra passa menos pelo brilho do inédito e mais pela conta fria do custo total de uso.

Para o consumidor brasileiro, o recado é direto: um topo de linha tende a ficar na mão por mais tempo e ainda gera retorno na troca. Para a Samsung, o desafio é manter o ritmo de atualizações por até sete anos e garantir que a experiência real acompanhe o discurso de longevidade. A valorização crescente do Galaxy usado marca uma mudança estrutural no mercado de smartphones; a dúvida é até que ponto rivais vão acompanhar esse novo padrão ou deixar que a economia do aparelho seminovo concentre ainda mais usuários dentro do ecossistema da marca.

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