Galaxy usado ganha fôlego: suporte de 7 anos valoriza smartphones
A Samsung Brasil estende o suporte de software de seus smartphones Galaxy topo de linha e impulsiona, em 2026, a valorização dos aparelhos usados no país. A combinação de atualizações por até sete anos, recursos de inteligência artificial e um programa agressivo de troca faz o mercado olhar com mais atenção para o valor de revenda dos dispositivos.
Suporte longo redefine o ciclo de vida do celular
O movimento ocorre em um momento em que o brasileiro passa mais tempo com o mesmo smartphone e pesa melhor cada upgrade. A empresa decide apostar na longevidade: modelos selecionados da linha Galaxy recebem até sete anos de atualizações de sistema operacional e segurança, um patamar que há poucos anos parecia restrito a computadores.
Essa estratégia muda a lógica de valor de um aparelho usado. Em vez de perder relevância após dois ou três anos, o celular permanece atualizado, protegido contra falhas de segurança e capaz de receber novas funções. “Nossa base instalada de smartphones topo de linha vem aumentando nos últimos anos como uma consequência direta da nossa estratégia de não concentrar valor apenas no lançamento de produtos”, diz Rafael Aquino, diretor de Produto de Mobile Experience da Samsung Brasil.
O executivo reforça que a companhia busca alongar a vida útil percebida dos aparelhos. “O resultado é um smartphone Galaxy que mantém desempenho, integridade e atratividade mesmo após anos de uso, que são fatores cada vez mais relevantes para as pessoas”, afirma. Em um mercado em que o preço médio dos modelos premium frequentemente ultrapassa R$ 5 mil, a perspectiva de uso prolongado pesa na decisão de compra.
A inteligência artificial, antes tratada como detalhe técnico, entra nesse pacote como argumento de valor. No ecossistema Galaxy, a empresa apresenta o Galaxy AI não como um conjunto fixo de funções, mas como uma plataforma que ganha novas capacidades por meio de atualizações periódicas. Traduções em tempo real, ferramentas de edição de imagem e recursos de produtividade surgem com o tempo, sem exigir troca imediata de aparelho.
Mercado de usados ganha peso e estabelece nova régua
O efeito desse desenho aparece na rotina de compra. Dados internos da Samsung mostram que 80% dos consumidores que adquirem um novo Galaxy chegam à loja com um smartphone de pelo menos dois anos de uso. Entre os que escolhem um modelo topo de linha, 70% entregam o dispositivo anterior ao Troca Smart Samsung, o programa de recompra e troca da marca.
Na prática, o celular deixa de ser apenas um bem de consumo imediato e passa a funcionar como um ativo de troca dentro do ecossistema da empresa. O aparelho usado, de qualquer marca, entra como parte do pagamento em um novo Galaxy, com avaliação baseada em estado físico e capacidades técnicas. O ganho para a Samsung é duplo: mantém o consumidor em casa e organiza o fluxo de dispositivos para o mercado de usados e recondicionados.
Parceiros do programa começam a enxergar um padrão de valorização. Dados da Assurant, que atua na recompra e gestão desses aparelhos, indicam um avanço consistente no valor de revenda de diferentes gerações de smartphones Galaxy. Modelos mais recentes registram aumento do valor residual em relação às versões anteriores, reflexo da combinação de hardware mais resistente, suporte prolongado de software e melhorias contínuas na experiência de uso.
“Os dados reforçam uma tendência de melhora progressiva na retenção de valor dos smartphones Galaxy ao longo das gerações”, afirma José Augusto Codesso, diretor de Operações da Assurant. Para ele, decisões de engenharia, frequência de atualizações e maior longevidade passam a ser percebidas também no mercado secundário. “Isso se traduz em maior confiança do consumidor, que percebe estar adquirindo um produto com valor mais duradouro, tanto em experiência de uso quanto como investimento futuro”, diz.
O efeito ultrapassa a disputa entre fabricantes. À medida que o valor de revenda melhora, o mercado de segunda mão se fortalece e pressiona outras marcas a revisarem políticas de atualização e reparo. Em vez de acelerar o descarte, a indústria passa a ter interesse econômico em manter aparelhos em bom estado por mais tempo, já que isso rende melhores avaliações no trade-in e incentiva a renovação dentro de um mesmo ecossistema.
Economia circular, confiança e próximos capítulos
O avanço do Troca Smart e do suporte estendido alimenta um discurso de economia circular, conceito que busca reduzir desperdício e ampliar a reutilização de produtos. Ao valorizar o usado, o programa ajuda a retardar o descarte e cria uma cadeia de revenda, reparo e recondicionamento mais organizada. Para uma indústria acusada com frequência de estimular a obsolescência rápida, esse movimento sinaliza mudança de rota.
Na prática, quem compra um Galaxy topo de linha hoje considera não só a ficha técnica, mas também quanto o aparelho pode valer em três ou quatro anos. Essa conta leva em conta as atualizações prometidas até 2033 para alguns modelos, o histórico de segurança e a possibilidade de usar o aparelho como moeda de troca no próximo upgrade. O desempenho crescente no mercado de recompra, apontado pela Assurant, vira um novo critério de excelência, que mede a qualidade ao longo de todo o ciclo de vida e não apenas no lançamento.
A estratégia também reposiciona a Samsung no debate sobre responsabilidade ambiental no setor de tecnologia. Com dispositivos projetados para durar mais, receber pacotes constantes de recursos de inteligência artificial e seguir seguros por vários anos, a empresa tenta se distanciar da imagem de que todo novo modelo torna o anterior obsoleto. O desafio agora recai sobre a capacidade da companhia de manter a promessa de sete anos em larga escala e de garantir que essa longevidade chegue, com a mesma força, às linhas intermediárias.
Um novo Galaxy estreia em breve e a empresa aposta no slogan de que o usado “nunca valeu tanto”. O mercado brasileiro de smartphones, pressionado por preços altos, crédito restrito e preocupações ambientais crescentes, dará a resposta nos próximos ciclos de troca: o consumidor vai cobrar se, além de poderoso no lançamento, o celular continua valendo a pena anos depois.
