Esportes

Gabigol elege Flamengo de 2019 como melhor time da carreira

Gabigol afirma que o Flamengo de 2019 é o melhor time em que já joga e lembra um bastidor raro de descontração com Jorge Jesus. A declaração sai em entrevista publicada nesta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, na Romário TV, e reacende o debate sobre o elenco que marca época no futebol brasileiro.

Um ano que vira padrão de comparação

O atacante, hoje no Santos, não hesita ao ser perguntado sobre o auge da carreira. Ele volta a 2019, ano em que o Flamengo soma taças, goleadas e atuações dominantes. “Aquele time era do c***, dentro e fora do campo. Foi o melhor que eu joguei na minha vida, foi o melhor disparado”, diz o camisa 10, sem rodeios.

Os números sustentam a memória afetiva. Com Jorge Jesus no comando, o Flamengo conquista Campeonato Carioca, Brasileirão e Libertadores no mesmo ano. O time termina a temporada com 28 vitórias, oito empates e apenas quatro derrotas, marca que consolida a sensação de superioridade que o próprio elenco sente à época.

Para Gabigol, a virada chega com a chegada do técnico português ao clube, em junho daquele ano. “Depois que o Jorge chegou, perdemos só três jogos. Foi algo que bateu a química, o treino, os jogadores, o momento, aquele time ali era o melhor”, afirma. A fala resume o que torcedores e analistas repetem desde então: o encaixe raro entre talento individual, preparação física e ideia de jogo.

Individualmente, o atacante vive a temporada mais produtiva da carreira. Ele termina 2019 com 43 gols e 12 assistências em 59 partidas, desempenho que o coloca como protagonista nos títulos e símbolo de uma era. Com 23 anos à época, assume pênaltis decisivos, decide jogos grandes e entra de vez no imaginário rubro-negro.

Confiança em campo e leveza rara fora dele

O relato mais curioso da entrevista, porém, aparece quando Gabigol descreve a rotina de análise de vídeo com Jorge Jesus. Conhecido pelo perfil exigente, quase sisudo, o técnico português vira personagem de uma cena que surpreende até quem convive com ele diariamente. “Chegou uma época que estávamos tão confiantes, que a gente ia para o vídeo — e o vídeo do Jorge Jesus sempre era muito sério — e ele passou um vídeo de algum time ‘olha só o espaço que eles deixam’, que ele começou a rir”, conta o atacante.

Gabigol lembra que o treinador se permite uma previsibilidade rara no futebol de alto nível. “‘Olha aqui, vai dar certo’, começava a rir, tipo, a gente vai golear esse time de novo”, relata. O quadro descreve um ambiente em que o staff não apenas detecta fragilidades do rival, mas se sente seguro o bastante para antecipar goleadas.

A confiança, segundo ele, extravasa o vestiário. “A gente entrava no campo sabendo que ia ganhar e que seria goleada. A torcida do Flamengo também sentia muito isso, o nosso time não ia perder”, afirma. O sentimento de invencibilidade não é figura de linguagem: naquele período, o Flamengo soma séries longas de vitórias no Brasileirão e atropela adversários na Libertadores com placares elásticos.

O atacante revela que o clima interno se torna tão dominante que até a agenda pós-jogo parece definida antes do apito inicial. “A confiança era tão absurda, tão grande, que a festa já estava marcada depois do jogo. A gente já sabia que iria ganhar, que iria ser 5, 6 gols, ser campeão depois. Era uma diferença absurda”, recorda. A rotina de concentração, vitória e comemoração molda a identidade daquele elenco e reforça a percepção de time quase imbatível.

Entre 2019 e 2024, período em que defende o Flamengo, Gabigol acumula 161 gols em 308 partidas e 13 títulos. Os números ajudam a explicar por que, mesmo após a saída conturbada e declarações recentes de mágoa com “algumas pessoas” do clube, ele preserva 2019 como um ponto fora da curva.

Legado, disputa de memória e próximos capítulos

A nova declaração reaquece uma discussão recorrente entre torcedores, comentaristas e ex-jogadores: onde encaixar o Flamengo de 2019 na galeria histórica do clube e do futebol brasileiro. Para parte da arquibancada, aquele elenco supera times icônicos, como o campeão mundial de 1981. Para outros, ainda falta a validação internacional de um título de Mundial de Clubes para fechar o círculo.

Na prática, o depoimento de Gabigol ajuda a cristalizar 2019 como referência de desempenho. Com jogadores em alto nível, calendário cheio e pressão constante, a equipe transforma rendimento em rotina. A lembrança do atacante, hoje em outro clube, reforça que não se trata apenas de um ano vitorioso, mas de um padrão de excelência difícil de reproduzir.

O bastidor de Jorge Jesus rindo diante dos erros do adversário humaniza um ambiente frequentemente tratado como máquina. Mostra que, em meio à obsessão por resultados, há espaço para leveza quando o trabalho dá retorno em campo. Também expõe o grau de estudo e preparação que sustenta a confiança: as goleadas não surgem de improviso, mas de leitura detalhada de cada rival.

O impacto se estende além da memória afetiva. Nas categorias de base e nos vestiários atuais, 2019 vira case de estudo. A combinação entre química de elenco, treinamento intenso e mentalidade vencedora vira referência para comissões técnicas que buscam repetir, ainda que em escala menor, o mesmo efeito de dominância. Programas esportivos e redes sociais já retomam lances, estatísticas e debates táticos daquela temporada a cada novo depoimento dos protagonistas.

Para Gabigol, que hoje tenta reconstruir protagonismo no Santos, a marca de 2019 funciona como vitrine e também como parâmetro difícil de superar. Aquele ano consolida sua imagem como artilheiro decisivo e amplia a responsabilidade em qualquer projeto que ele aceita a partir dali. Quando recorda que “não vai ter outro time igual o de 2019” e que, ao seu ver, será “difícil de ser igual”, o atacante não fala apenas de nostalgia. Ele descreve um patamar competitivo que, por enquanto, permanece como referência e desafio para qualquer novo supertime rubro-negro.

O futuro do Flamengo, com elencos caros, investimentos em infraestrutura e ambição continental, segue medido por essa régua. Cada nova contratação, cada troca de técnico e cada campanha em Brasileirão e Libertadores é comparada, em algum grau, à temporada de 2019. A entrevista de Gabigol não encerra o debate; apenas reforça a pergunta que volta a ecoar nas arquibancadas e nos estúdios: quando — e se — o clube vai conseguir montar um time que faça o torcedor sentir, de novo, que a vitória já está escrita antes mesmo do apito inicial.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *