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Franclim lamenta empate do Botafogo com Coritiba no Nilton Santos

O Botafogo deixa o Nilton Santos com gosto amargo após empatar em 2 a 2 com o Coritiba neste domingo (12), pela 11ª rodada do Brasileiro. O técnico Franclim Carvalho lamenta as chances desperdiçadas e diz que o time faz “muita coisa para ganhar o jogo”, mas não consegue transformar volume em vitória.

Volume ofensivo contrasta com frustração no placar

O fim de tarde no Estádio Nilton Santos expõe um contraste claro. Nas arquibancadas, a torcida reconhece o esforço, mas reage com impaciência ao apito final. Em campo, o Botafogo cria, pressiona, finaliza 21 vezes, acerta oito chutes no alvo e marca apenas dois gols. O Coritiba chega pouco, tem três lances cara a cara com o goleiro e faz dois.

Franclim Carvalho sai do gramado com a expressão dura de quem sente que deixa escapar dois pontos em casa. Na entrevista após o jogo, por volta das 18h38, o treinador fala em tristeza, não em alívio. “É um empate que nos deixa tristes. No futebol, não há justiça nem injustiça. Nós fizemos muita coisa para ganhar o jogo”, afirma, ainda à beira do campo.

O jogo começa equilibrado, com o Botafogo tentando controlar a bola, mas encontrando um Coritiba bem compacto na defesa. Apesar de algumas chegadas perigosas, o time carioca alterna boas tramas com erros na última decisão. O adversário, mais econômico, espera o momento certo para contra-atacar e aproveita as brechas que encontra.

O cenário muda de vez na segunda etapa. O Botafogo acelera, adianta as linhas e transforma o campo de defesa do Coritiba em território quase exclusivo. A resposta vem em ondas de ataque, cruzamentos, tabelas curtas e chutes da entrada da área. “Gostei muito mais da segunda parte, do segundo tempo, do que do primeiro. Os atletas que entraram entraram bem. Nós criamos chances suficientes para ganhar”, destaca Franclim.

Aos poucos, o Coritiba se fecha ainda mais, aceita viver de escapadas isoladas e mesmo assim encontra espaço para machucar. Em três contra-ataques, aparece de frente para o goleiro alvinegro. Dois terminam em gol. Um terceiro, desperdiçado, funciona como aviso de que a defesa do Botafogo ainda oscila em momentos decisivos.

Caráter elogiado, eficiência em xeque

O resultado de 2 a 2 pesa não apenas pelo placar, mas pelo contexto da tabela. Em pleno turno inicial do Campeonato Brasileiro, cada ponto perdido em casa cobra preço alto na briga por posição. O empate em um jogo de domínio territorial amplia a sensação de que o Botafogo deixa escapar uma chance concreta de se aproximar do topo e se afastar da metade da classificação.

Franclim faz questão de separar desempenho de eficiência. Ele valoriza a postura do grupo, que reage mesmo em desvantagem no marcador, mas reconhece que o time precisa converter volume em números. “Tenho que enaltecer o caráter dos atletas porque, apesar de estarmos em desvantagem no resultado, fomos sempre em busca de virarmos”, diz. A virada vem, o empate também, um minuto depois, e a frustração se instala. “Passado um minuto, sofremos o empate e ainda assim tentamos até o final, até o apito final, deixar o resultado novamente a nosso favor. Não conseguimos.”

Os dados que ele próprio cita ajudam a dimensionar o problema. “Fizemos 21 tiros, oito no gol e fizemos dois gols. Temos de fazer mais gols. Criamos chances suficientes para”, admite, já pensando em ajustes ofensivos. A fala expõe um ponto sensível da campanha: a falta de precisão na hora de decidir jogos grandes em casa.

A defesa também entra na lista de preocupações. O treinador não detalha em público quais correções pretende aplicar, mas admite que a equipe sabe onde erra. “O adversário tem três lances na cara do nosso goleiro, dois são gols e um não. Nós sabemos o que é que temos que corrigir”, afirma. A frase, curta, reforça a ideia de que o Botafogo não sofre por acaso, mas por falhas repetidas em momentos de transição e cobertura.

A atuação intensa do segundo tempo, porém, não passa em branco no vestiário. O grupo sente que produz, que ocupa o campo de ataque, que empurra o Coritiba para trás. A leitura interna é de que o caminho está próximo do ideal, mas ainda falta o detalhe que separa um “bom jogo” de uma vitória convincente diante de um adversário direto na luta contra a parte de baixo da tabela.

Pressão aumenta antes de duelo com o Racing

O empate em 2 a 2 no Nilton Santos não fica restrito ao Brasileirão. A partida serve como ensaio para o próximo compromisso, já na quarta-feira, contra o Racing, na Argentina, pela Copa Sul-Americana. Em um calendário apertado e com viagens longas, o Botafogo tem pouco tempo para absorver o tropeço em casa e corrigir falhas antes de encarar um rival tradicional em cenário hostil.

A comissão técnica avalia o desgaste físico após um jogo de alta intensidade, sobretudo na etapa final, e desenha possíveis mudanças na escalação. A necessidade de maior eficiência nas finalizações se torna prioridade imediata, assim como o ajuste na recomposição defensiva em contra-ataques. Cada escolha passa a ter peso duplo: interfere na tabela do Brasileirão e também na sobrevivência na competição continental.

No ambiente do clube, o discurso tenta equilibrar cobrança e confiança. Franclim insiste em destacar o caráter do elenco e projeta evolução. “Sabemos que vamos fazer mais gols e vamos melhorar”, reforça, apostando que o desempenho de hoje pode se transformar em vitórias em breve. A resposta virá em campo, já em solo argentino, diante de um adversário que não costuma perdoar vacilos como os vistos neste domingo.

A torcida, que deixa o Nilton Santos entre aplausos e críticas, aguarda essa reação com expectativa crescente. A campanha no Brasileiro ainda permite recuperação, mas os pontos que escapam em casa costumam fazer falta na reta final. Resta saber se o Botafogo consegue transformar a frustração do empate em combustível para uma mudança concreta de rota na temporada.

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