FPF afasta árbitro Lucas Bellote após erros em Santos x Corinthians
A Federação Paulista de Futebol afasta o árbitro Lucas Bellote após erros decisivos em Santos x Corinthians, pelo Paulistão 2026, apitado na quinta-feira anterior a 24 de janeiro. O juiz é retirado de uma escala futura e enviado para reciclagem interna, sem prazo definido para retorno.
Erros em lances-chave acendem alerta no Paulistão
O jogo entre Santos e Corinthians, válido pela fase inicial do Paulistão 2026, termina em campo, mas continua nos bastidores. A atuação de Lucas Bellote, árbitro escalado para o clássico, entra na mira da FPF após dois lances que mudam o rumo da partida e alimentam a pressão por mais rigor na arbitragem do estadual mais tradicional do país.
Na jogada que origina o gol de empate do Santos, marcado por Gabigol, o corintiano Gustavo Henrique atinge Lautaro Diaz. A falta em cima do atacante, que antecede o lance do gol, não é marcada por Bellote nem revisada de forma efetiva pelo vídeo, o que aciona a reclamação imediata dos jogadores do Corinthians e da comissão técnica à beira do gramado. O lance vira tema central nas análises pós-jogo e expõe, mais uma vez, o desgaste na relação entre clubes e arbitragem.
Minutos depois, um novo episódio reforça o desconforto. Igor Vinícius, envolvido em dividida dura, fica no campo sob risco de expulsão. A expectativa em torno de um cartão vermelho cresce, mas Bellote mantém a decisão de não mostrar o vermelho, opção que a FPF, nos bastidores, considera equivocada diante do protocolo atual de conduta violenta. A soma dos erros pesa sobre a avaliação interna e abre caminho para a punição.
A decisão é tomada de forma rápida. Ainda antes da divulgação oficial da nova rodada, Bellote deixa de constar como árbitro de vídeo na partida entre Capivariano e Primavera, compromisso da sequência do Paulistão. A federação promove a substituição e, de acordo com apuração interna, comunica ao quadro que o árbitro entra em processo de “reciclagem”, o termo usado para designar afastamento temporário com avaliação técnica e teórica.
Punição expõe desgaste e busca por credibilidade
A medida da FPF vai além de um movimento pontual contra um profissional específico. O afastamento de Bellote, divulgado a poucos dias do fim de janeiro, responde à pressão acumulada dos últimos anos por decisões mais transparentes e tecnicamente sólidas no campeonato. Cada erro em jogos de grande audiência, como Santos x Corinthians, coloca em xeque a credibilidade do Paulistão, que reúne clubes com orçamentos que superam R$ 200 milhões por temporada.
O caso também reacende o debate sobre o uso da arbitragem de vídeo, implantada com a promessa de reduzir ao máximo os erros em lances capitais. Mesmo com tecnologia, a interpretação final segue nas mãos do árbitro de campo e do time de vídeo, o que torna situações como a falta em Lautaro Diaz um símbolo de descompasso entre protocolo e decisão prática. Quando a federação age e afasta um árbitro, envia um recado direto aos clubes e à torcida de que o erro é reconhecido e não ficará sem resposta.
A partir do momento em que o afastamento se torna público, a reação no meio esportivo é imediata. Dirigentes de clubes veem na punição um gesto necessário, mas cobram que a responsabilização não seja isolada. A crítica recorrente aponta que o problema é estrutural, ligado à formação, reciclagem e preparo psicológico dos árbitros para jogos de alta pressão, com estádios cheios e transmissão ao vivo em plataformas como HBO Max e UOL Play, que exibem todos os jogos do estadual de 2026.
Na prática, Bellote deixa de atuar nas próximas rodadas, perde visibilidade em partidas de grande porte e entra em um limbo profissional temporário. Não há anúncio oficial de prazo, nem indicação de quantos jogos ele ficará fora. A FPF limita-se a falar em “reciclagem interna”, conjunto de avaliações, revisões de protocolo e, em alguns casos, testes físicos e simulações de jogo que medem a capacidade do árbitro de reagir sob pressão. O retorno, quando autorizado, costuma ser gradual, em partidas de menor peso.
Reciclagem, pressão e o que vem a seguir
O afastamento de Lucas Bellote ecoa em um momento em que o futebol brasileiro tenta alinhar sua arbitragem a padrões internacionais, com maior apoio tecnológico e treinamento contínuo. Episódios recentes em outros campeonatos, como erros em finais de estaduais e fases decisivas de competições nacionais, já haviam forçado federações e a CBF a rever modelos de avaliação. O caso do Paulistão 2026 se insere nessa sequência e funciona como mais um teste da disposição das entidades em assumir falhas e corrigi-las com rapidez.
Para a FPF, a reação firme é uma tentativa de blindar o campeonato em um ano de calendário cheio, com clubes divididos entre estadual, Copa do Brasil e competições continentais. Um erro de arbitragem em um clássico como Santos x Corinthians não afeta apenas a tabela de pontos. Interfere em premiações, projeções de elenco e até em negociações de jogadores, que podem perder vitrine caso um resultado seja distorcido por decisões equivocadas em campo.
O passo seguinte será mostrar como a reciclagem realmente funciona. A federação poderá detalhar os critérios de avaliação, tornar públicos os relatórios técnicos e explicar por que certos lances, como a falta em Lautaro Diaz e o possível vermelho para Igor Vinícius, fugiram do padrão esperado. Se esse processo ficar restrito aos bastidores, o afastamento de Bellote corre o risco de ser visto apenas como resposta conjuntural à pressão, sem efeito duradouro na qualidade do apito.
Enquanto isso, o Paulistão 2026 segue em disputa, com clubes atentos a cada escala de arbitragem divulgada. A pergunta que se impõe, dentro e fora de campo, é se gestos como esse serão suficientes para reconquistar a confiança da torcida e dos times em um componente do jogo que, quando falha, apaga o futebol e transforma o resultado em discussão permanente.
