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Fortaleza vence o Floresta em jogo morno e segue invicto no Cearense

O Fortaleza vence o Floresta por 1 a 0, nesta segunda-feira (26), no Presidente Vargas, e abre a segunda fase do Campeonato Cearense com vitória magra. O gol de pênalti de Adam Bareiro mantém o time invicto e com a defesa sem ser vazada em 2026. Em atuação pouco inspirada, o resultado vale mais que o desempenho.

Vitória pragmática em noite de pouca inspiração

O placar mínimo traduz o que acontece em campo. O Fortaleza confirma o favoritismo, mas oferece pouco aos torcedores que encaram a noite abafada no Presidente Vargas. O Floresta se fecha desde o início, aceita a condição de coadjuvante e quase leva para casa um empate construído na disciplina defensiva.

O primeiro tempo segue o roteiro clássico do Campeonato Cearense de 2026. Jogo travado, muitas faltas, pouca criação. O Fortaleza repete a formação de um time em início de temporada, ainda em montagem, e sofre para encontrar espaços. Moisés, referência de velocidade, e Mailton, peça importante pela direita, erram escolhas, perdem duelos e raramente quebram a linha defensiva rival.

Thiago Carpini escala o time em um 3-5-2 que vira necessidade, não convicção. Sem lateral-esquerdo à disposição e com Pierre fora por lombalgia, o treinador reorganiza a equipe para tapar buracos. Lucas Crispim volta a atuar como ala, função em que brilhou com Juan Pablo Vojvoda, mas desta vez aparece mais como opção de passe do que como jogador decisivo. Pochettino, responsável pela criação por dentro, participa do jogo, gira a bola, mas não acelera como o torcedor espera.

O Floresta, dirigido por Leston Júnior, aceita viver sem a bola. Monta duas linhas compactas, disputa cada dividida como se valesse mais que um gol e praticamente abdica de atacar. Passa do meio-campo em raros contra-ataques, quase sempre mal concluídos. A estratégia funciona até que um detalhe individual desmonta a resistência.

Aos 18 minutos, Lucas Sasha lança da intermediária e encontra Mailton infiltrando na área, em posição legal. O assistente levanta a bandeira e aponta impedimento, mas a jogada segue com um choque forte entre o lateral tricolor e o defensor do Floresta. Mailton cai, leva a mão ao rosto, e o jogo para. Minutos depois, o VAR entra em cena.

A cabine chama o árbitro Rodrigues Júnior para revisar o lance. As imagens mostram Mailton em condição regular no início da jogada e evidenciam o contato na área. O impedimento cai, a falta é confirmada e o pênalti é marcado após uma longa revisão que esfria o ritmo do estádio. A decisão reforça o papel da tecnologia em jogos decisivos do estadual e muda o rumo da partida.

Responsável pela cobrança, Bareiro assume a bola, respira fundo e decide arriscar um gesto de ousadia. Bate de cavadinha, desloca o goleiro Jefferson Souza e coloca o Fortaleza em vantagem aos 24 minutos. É o segundo gol do paraguaio na temporada, que o iguala a Pochettino na artilharia tricolor em 2026. Antes do intervalo, ele ainda se projeta na pequena área e quase completa cruzamento rasteiro de Moisés, mas chega atrasado por centímetros.

Defesa impecável sustenta invencibilidade tricolor

A etapa final mantém o clima de jogo morno. O Fortaleza retorna com a mesma formação, mas continua esbarrando na própria lentidão. A equipe troca passes com certa segurança, porém falha na última decisão. Faltam passes verticais, infiltrações e triangulações rápidas. Sobra posse estéril, que não se traduz em chances claras.

O Floresta, em desvantagem, se solta um pouco mais. Avança as linhas, tenta sair com a bola no chão e chega a controlar a posse em alguns momentos. Fica, no entanto, a poucos metros da área. Os atacantes Bismark e Matheusinho quase não recebem em condições de finalizar, e o goleiro Brenno passa a noite sem fazer grandes defesas. A estatística ilustra o abismo ofensivo: o Verdão da Vila Manoel Sátiro não cria uma chance real depois da linha do meio-campo.

O Fortaleza, por outro lado, exibe a face que mais agrada à comissão técnica neste início de ano. O sistema com três zagueiros se mostra sólido, com Brítez, Lucas Gazal e Cardona bem posicionados e seguros nos duelos. A equipe chega ao fim da primeira rodada da segunda fase sem sofrer gols no Campeonato Cearense, marca que ganha peso em mata-mata curto, em que qualquer erro custa caro.

Thiago Carpini mexe na equipe ao longo do segundo tempo. Ronald entra no lugar de Rodrigo, Bruninho substitui Sasha, Kayke ocupa a vaga de Pochettino, e Lucca Prior entra na vaga de Moisés. As mudanças oxigenam o time, mas não alteram o enredo. O Fortaleza mantém o controle, evita riscos e parece mais preocupado em administrar o 1 a 0 do que em ampliar o placar para a torcida.

Do lado do Floresta, as alterações de Leston Júnior também não mudam o panorama ofensivo. Cedric, Diogo Mourão, Vitinho, Thailor e Nonato ganham minutos, porém esbarram na falta de articulação do meio-campo. A derrota por 1 a 0 expõe a dificuldade do time em criar e evidencia uma dependência preocupante de jogos seguros, mas pouco ambiciosos, contra rivais de maior investimento.

Carpini ganha tempo, e pressão cresce por desempenho

A vitória na estreia da segunda fase reforça o Fortaleza como candidato natural ao título do estadual, disputado em formato enxuto e com pouco espaço para tropeços. O time mantém campanha perfeita no chamado Manjadinho, segue sem ser vazado e fecha a rodada com a confiança em alta, mesmo sem brilho. Em um calendário apertado, que em breve mistura Campeonato Cearense, Copa do Nordeste e competições nacionais, somar três pontos em casa vira obrigação cumprida.

O jogo, porém, deixa alertas claros. A dificuldade criativa diante de um adversário fechado, que praticamente não ataca, revela uma equipe ainda em fase de ajustes. Carpini sabe que o nível de exigência sobe à medida que a temporada avança. O Fortaleza precisa transformar a solidez defensiva em vantagem mais confortável no placar, sob risco de ver jogos controlados se complicarem em um único lance.

Para o Floresta, o recado é direto. A postura competitiva e a marcação forte seguram o Fortaleza por quase todo o jogo, mas a falta de repertório ofensivo impede qualquer ambição maior. A equipe sai do PV com a sensação de que poderia ao menos incomodar mais o rival, não fosse o erro no lance do pênalti e a incapacidade de criar após o meio-campo.

O VAR, protagonista silencioso na noite de Fortaleza, também entra na conta dos debates que se espalham pelas arquibancadas e redes sociais. A revisão longa, mas precisa, mostra como a tecnologia altera narrativas em campeonatos regionais, em que cada lance decisivo pesa sobre orçamentos apertados e carreiras em construção.

O Fortaleza volta a campo nos próximos dias ainda pressionado por desempenho, não por resultado. A invencibilidade e a defesa intacta dão a Carpini um colchão de segurança raro em começo de trabalho. A pergunta que fica para o torcedor é quando esse time sólido atrás vai se tornar, também, convincente na frente.

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