Ultimas

Fortaleza inaugura centro integrado com 7 mil câmeras e inteligência artificial

Fortaleza inaugura nesta terça-feira (7) o Centro Integrado de Videomonitoramento (CIVFor), no Centro, com 7 mil câmeras e tecnologia de inteligência artificial. O equipamento reúne órgãos municipais e estaduais para monitorar, em tempo real, segurança pública, trânsito e serviços urbanos.

Nova sede substitui central antiga e amplia integração

O novo centro começa a operar em pleno funcionamento e assume o lugar da antiga Central de Videomonitoramento, instalada na Aldeota, que será desativada. O CIVFor ocupa uma área de 4.821 m² e recebeu investimento superior a R$ 15 milhões, segundo a Prefeitura de Fortaleza, quatro anos após a assinatura da ordem de serviço.

A diferença em relação à estrutura anterior está menos no número de câmeras, que já chegava a 7 mil, e mais na forma como elas passam a ser usadas. A nova sede concentra, em um mesmo espaço físico, equipes da Prefeitura e do Estado, como regionais, Guarda Municipal, Defesa Civil, Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), Agência de Fiscalização (Agefis), além das polícias Civil e Militar, ligadas à Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e à Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops).

O CIVFor é inaugurado com a presença do governador Elmano de Freitas e do prefeito Evandro Leitão, que destacam o caráter integrado do equipamento. A estrutura anterior, aberta em julho de 2024 como Centro de Comando e Controle de Fortaleza, será desfeita. Na prática, o poder público abandona o modelo de salas separadas e aposta em um grande salão, com bancadas lado a lado e telas ocupando praticamente toda a parede.

O objetivo, segundo gestores, é acelerar a tomada de decisão. “Teremos o monitoramento da segurança, mas também, por meio da UrbFor, das podas de árvores em toda a cidade; dos pontos de lixo, por meio da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos; da AMC, da Etufor, da Agefis, das regionais, enfim, integração total”, afirma o prefeito Evandro Leitão, durante a inauguração.

Monitoramento 24 horas, IA e resposta mais rápida nas ruas

O novo centro opera 24 horas por dia. As câmeras estão instaladas em áreas de grande fluxo de pessoas, corredores de trânsito, pontos de ônibus, equipamentos públicos e regiões consideradas mais vulneráveis à violência. Há modelos com tecnologia 360º e aparelhos capazes de ler placas de veículos, o que permite acompanhar deslocamentos e identificar irregularidades com mais precisão.

Coronel Márcio Oliveira, secretário da Segurança Cidadã, explica que o desenho do sistema foi pensado para aproximar quem monitora de quem despacha as equipes. “Há câmeras em praticamente todas as áreas da cidade, tanto as que fazem leitura de placas, quanto aquelas que visualizam espaços públicos e logradouros. As bancadas de videomonitoramento ficam ao lado das bancadas de despacho”, detalha.

Segundo o secretário, a ideia é reduzir o tempo entre a identificação de uma situação de risco e a chegada da viatura. “Quando se verificar uma situação-surpresa, que pode ocasionar um crime, será possível acionar a viatura mais próxima para que ela preste o serviço. Tudo é on-line e instantâneo”, afirma. O Estado já tem acesso direto a 1.660 câmeras municipais em logradouros, paradas de ônibus e vias estratégicas, o que facilita o envio de equipes da Polícia Militar e da Polícia Civil.

A inteligência artificial, que já começa a ser usada, entra para automatizar parte desse processo. Hoje, há câmeras com IA programadas para identificar descarte irregular de lixo, monitorar paradas de ônibus e acompanhar a entrada de pessoas em escolas e creches. A tecnologia gera alertas automáticos para as equipes responsáveis, reduz a dependência exclusiva do olhar humano e diminui a chance de episódios passarem despercebidos.

“Quando você fala que existe mais integração, que todo mundo está no mesmo espaço, compartilhando as câmeras, utilizando disso principalmente para aumentar e fortalecer a prevenção nas áreas da cidade, acho que isso fala por si só”, avalia o coronel Márcio Oliveira. Para ele, o parque tecnológico ampliado, somado à presença de diferentes órgãos, “fortalece muito a prevenção e a repressão qualificada”.

A rede de videomonitoramento não se limita à segurança policial. Escolas e unidades de saúde municipais entram no radar, assim como terminais de ônibus e corredores de transporte. Em tese, um mesmo incidente pode acionar guarda municipal, fiscalização de trânsito, zeladoria urbana e polícia, conforme o tipo de ocorrência. A promessa oficial é de mais agilidade tanto para coibir crimes quanto para resolver problemas cotidianos de trânsito e manutenção da cidade.

Cidade mais vigiada e expectativa de queda da violência

O avanço tecnológico traz também uma Fortaleza mais vigiada. Com 7 mil câmeras espalhadas pelo território, a cidade se aproxima do padrão de grandes centros que apostam em monitoramento em massa, o que levanta discussões sobre privacidade, uso de dados e transparência. A gestão municipal não detalha, por enquanto, protocolos de guarda das imagens, tempo de armazenamento e critérios de compartilhamento, mas reforça o foco na prevenção de crimes e na melhoria de serviços.

O governador Elmano de Freitas aposta na inteligência artificial como peça central da política de segurança. “Não tenho nenhuma dúvida de que essa Inteligência Artificial vai dizer se, numa rua, tem alguém com uma arma apontada. Já é assim na China e, em algum momento, vamos acessar essa tecnologia também. Fortaleza estava entre as cidades mais violentas do Brasil; agora, devemos estar entre as menos”, afirma, ao projetar expansão das ferramentas digitais.

A Prefeitura e o Governo do Estado veem o CIVFor como instrumento para consolidar a queda de indicadores criminais e melhorar a mobilidade urbana. O monitoramento constante do trânsito, somado à capacidade de flagrar infrações em tempo real, tende a pressionar motoristas a cumprir regras básicas, como respeitar limites de velocidade e faixas de pedestres. Na zeladoria, a identificação rápida de pontos de lixo, quedas de árvores e danos em vias pode antecipar serviços e reduzir riscos à população.

Especialistas em segurança urbana apontam que, isoladamente, câmeras não resolvem problemas estruturais de violência, mas reconhecem o impacto de respostas mais rápidas em ocorrências críticas. A integração entre ciops, polícias, guardas municipais e fiscalização técnica, porém, dependerá do funcionamento diário do centro, da qualidade do treinamento das equipes e da manutenção constante dos equipamentos.

Referência para outras cidades e desafios no horizonte

O modelo implantado em Fortaleza tende a servir de vitrine para outras capitais que buscam modernizar a gestão da segurança e dos serviços urbanos. A combinação de grande volume de câmeras, inteligência artificial e sala integrada de operação coloca a cidade em posição de destaque no debate sobre uso de tecnologia no espaço público.

O próprio governo admite, no entanto, que o sistema ainda está em fase de amadurecimento. A meta é ampliar o uso de IA para além do que já existe hoje, com identificação automática de comportamentos suspeitos, acompanhamento de aglomerações e leitura mais sofisticada do fluxo urbano. O desafio será equilibrar eficiência e respeito a direitos individuais, garantir manutenção do investimento inicial de mais de R$ 15 milhões e manter equipes preparadas para interpretar, com critério, o que as telas mostram.

Nos próximos anos, o desempenho do CIVFor deve aparecer nas estatísticas de violência, nos índices de fluidez do trânsito e na percepção de segurança de quem circula pela cidade. A gestão municipal e o governo estadual apostam que a cidade mais monitorada será também mais segura e organizada. A resposta virá nas ruas, na rotina dos bairros e na forma como a população se reconhece sob a mira constante das câmeras.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *