Foragido por homicídio é preso em evento de pós-carnaval em BH
Um homem conhecido como Perninha é preso no início da noite deste sábado (21/2), em um evento de pós-carnaval no Bairro Palmeiras, Região Oeste de Belo Horizonte. Condenado por homicídio e suspeito de outros crimes graves, ele estava foragido desde novembro de 2024.
Captura em meio à folia de pós-carnaval
A festa de rua na Rua Ageu Pio, marcada por som alto e fantasias tardias de carnaval, vira cenário de uma operação policial planejada. Militares do Tático Móvel da Polícia Militar de Minas Gerais chegam ao local já com um alvo definido: o homem apontado nas investigações como uma das principais referências do crime na Região Oeste. Ele circula entre os foliões quando é reconhecido pelos policiais.
Segundo a corporação, a informação de que Perninha participaria do evento chega poucas horas antes da abordagem, por meio da área de inteligência. A equipe cruza dados, confirma o mandado de prisão e monta a estratégia para agir em um ponto aberto, cercado de gente, sem provocar pânico. A aproximação é discreta, mas o foragido percebe o cerco e tenta escapar.
O homem corre e entra em uma casa próxima na tentativa de despistar os militares. O movimento aciona outras equipes, que fecham as saídas do quarteirão. Cercado, sem alternativas para seguir em fuga, ele decide se render. De acordo com o tenente Germano, do Comando Tático da equipe Delta da 7ª Companhia do Tático Móvel do 5º Batalhão, o suspeito assume a derrota. “Quando percebeu que não tinha como sair, ele parou e falou: ‘Perdi’”, relata o oficial.
A prisão é confirmada no início da noite e, poucos minutos depois, já circula entre moradores do Bairro Palmeiras. A presença ostensiva de viaturas e policiais armados em meio a uma festa popular transforma a rotina de quem vive na região, acostumada há anos a conviver com disputas ligadas ao tráfico de drogas e a registros de violência.
Histórico de violência e influência na Região Oeste
Perninha responde a uma série de acusações que, somadas, ajudam a explicar a mobilização da polícia para capturá-lo. Ele é condenado por um homicídio e aparece em investigações sobre, pelo menos, outras três tentativas de assassinato. Os crimes, de acordo com informações repassadas pela PM, ocorrem entre 2010 e 2016, período em que a Região Oeste de Belo Horizonte registra sucessivas disputas entre grupos rivais.
Além dos homicídios e tentativas, o homem é apontado como envolvido com tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. As investigações indicam que ele atua principalmente no Bairro Palmeiras e em áreas vizinhas, com influência que ultrapassa a rua onde foi preso. Mesmo já condenado, ainda sem trânsito em julgado, ele é citado por policiais como organizador de bailes funk na Vila Paraíso, no Aglomerado do Ventosa e na região do Olhos D’Água.
Esses eventos, segundo relatos colhidos pela corporação, funcionam não só como ponto de encontro de jovens da região, mas também como espaço de articulação e disputa de território entre grupos ligados ao tráfico. A presença de um condenado por homicídio à frente dessas festas reforça, na avaliação de investigadores, a sensação de impunidade entre criminosos locais.
O fato de o foragido permanecer quase um ano e três meses sem ser capturado, mesmo sob condenação, alimenta queixas de moradores sobre a lentidão do sistema de Justiça e a dificuldade de retirar figuras influentes do crime das ruas. A captura, agora, é descrita por policiais como um ponto de inflexão. “É um indivíduo perigoso, que há anos atua na região e já deveria estar cumprindo pena. Tirar esse tipo de liderança de circulação impacta a dinâmica do crime”, afirma o tenente Germano.
Entre 2010 e 2016, período em que os crimes atribuídos a ele são cometidos, Belo Horizonte vive uma escalada de conflitos armados em aglomerados e bairros periféricos. A Região Oeste aparece com frequência em balanços de homicídios e de tráfico de drogas. O histórico de Perninha se encaixa nesse cenário, em que mortes e tentativas de assassinato funcionam como recado entre grupos rivais e mecanismo de controle sobre moradores.
Impacto da prisão e disputa por território
A prisão em um evento popular amplia o alcance simbólico da operação. Para parte dos moradores, ver um foragido conhecido algemado em plena rua funciona como demonstração de força do Estado em uma área onde, muitas vezes, quem dita as regras é o crime organizado. A aposta da PM é que a retirada de uma liderança envolvida com homicídios e tráfico reduza, ao menos no curto prazo, a circulação de armas e a frequência de confrontos.
Policiais ouvidos sob reserva avaliam que a captura também pode deflagrar uma nova disputa silenciosa por espaço. Com a figura de referência atrás das grades, surgem vácuos de poder que tendem a ser ocupados por outros integrantes da mesma rede ou por grupos rivais. O efeito imediato, porém, é o aumento da sensação de segurança para quem mora na região e acompanha, há anos, a ação de criminosos ligados ao tráfico.
A operação, construída com base em informações de inteligência, reforça a estratégia de monitorar foragidos em ambientes de grande circulação de pessoas, como festas de rua, shows e eventos esportivos. Nos bastidores, oficiais destacam que a prisão só ocorre porque havia confirmação prévia da presença do condenado no evento de pós-carnaval e porque as equipes atuam de forma coordenada para evitar troca de tiros em meio aos foliões.
Autoridades de segurança projetam um período de monitoramento mais intenso nos próximos dias, para medir o impacto real da retirada de Perninha da circulação. A atenção se volta, sobretudo, para registros de homicídios e tentativas na Região Oeste, que funcionam como termômetro da disputa entre grupos rivais. A expectativa é de que a prisão ajude a conter novos ataques e dificulte a rearticulação rápida da rede criminosa ligada a ele.
Próximos passos e desdobramentos judiciais
Com a prisão confirmada, o processo volta a avançar no Judiciário. A condenação por homicídio, ainda sem trânsito em julgado, deve ser reavaliada em instâncias superiores, enquanto novos inquéritos apuram a participação do homem em outros crimes. A tendência é que o Ministério Público use a captura para acelerar a análise de provas e pedidos de prisão relacionados a tentativas de homicídio, tráfico de drogas e porte ilegal de arma.
No plano local, a comunidade do Bairro Palmeiras e de áreas próximas acompanha os desdobramentos com atenção. Moradores esperam que a prisão não seja apenas um episódio pontual, mas parte de uma política mais ampla de presença do Estado. A continuidade de operações baseadas em inteligência, combinadas a ações sociais e políticas públicas de longo prazo, deve definir se a captura de Perninha será lembrada como um ponto fora da curva ou como o início de uma mudança concreta na rotina de violência na Região Oeste de Belo Horizonte.
