Fluminense recusa US$ 5 mi do Boca e segura Kevin Serna até 2027
O Fluminense decide manter Kevin Serna e recusa, em janeiro de 2026, uma oferta oficial de 5 milhões de dólares do Boca Juniors. O clube comunica aos argentinos que encerra as negociações e garante a permanência do atacante colombiano até, pelo menos, o fim da próxima temporada.
Negócio travado e recado ao mercado
A proposta do Boca chega à diretoria tricolor no início da janela e é tratada com cautela. Em poucas reuniões internas, o clube conclui que os 5 milhões de dólares, cerca de R$ 26,5 milhões na cotação atual, não compensam a perda técnica às vésperas de um calendário cheio de decisões. O contrato de Serna, válido até dezembro de 2027, pesa como um ativo estratégico que o Fluminense não está disposto a abrir mão.
Dirigentes ouvidos pela reportagem descrevem uma postura rígida na conversa com o Boca. O clube argentino sinaliza interesse em avançar, mas recebe uma negativa direta. O Fluminense comunica oficialmente que não pretende vender o atacante neste momento, mesmo em caso de eventual melhora nos valores. Ao encerrar qualquer possibilidade de negociação, o Tricolor envia um recado ao mercado sul-americano: titulares com contrato longo não saem por oportunidade de ocasião.
Planejamento esportivo acima do caixa
Kevin Serna se transforma em peça relevante no desenho ofensivo tricolor. Aos 26 anos, o colombiano oferece profundidade de elenco, mobilidade pelos lados e capacidade de decisão em jogos de mata-mata, qualidades que a comissão técnica considera difíceis de repor em curto prazo. Em um cenário de Copa do Brasil, Brasileiro e competições internacionais ao longo de 2026, perder o atacante em plena preparação significaria reabrir um problema já considerado resolvido.
O contrato até 2027 dá ao Fluminense margem para pensar no jogador em ciclos, não em janelas. O clube vê espaço para valorização esportiva e financeira, com possível venda futura em patamar superior. Internamente, a leitura é de que a oferta do Boca chega em um momento de afirmação de Serna com a camisa tricolor. “Ele está inserido no nosso planejamento de médio prazo e não é jogador para ser negociado sob pressão de mercado”, diz uma pessoa ligada à cúpula de futebol, sob condição de anonimato.
Peso da recusa para elenco, torcida e rivais
A decisão de segurar Serna tem efeito direto no ambiente interno. Companheiros encaram a postura da diretoria como um sinal de que o clube não pretende desmontar a base do time montado nas últimas temporadas. Em um elenco acostumado a ver sondagens externas, especialmente de argentinos e europeus, uma recusa categórica a um gigante continental como o Boca Juniors funciona como demonstração de força e de ambição esportiva.
Para a torcida, o recado é semelhante. O Fluminense pratica uma política de vendas que, em outras épocas, priorizava entradas de caixa imediatas. Ao negar R$ 26,5 milhões e manter um titular com contrato longo, o clube assume a aposta na continuidade do projeto esportivo. A permanência do colombiano tende a preservar o padrão competitivo da equipe em competições nacionais e internacionais, evitando uma reposição às pressas e a tradicional adaptação de um novo estrangeiro ao futebol brasileiro.
Boca mira alternativas e abre nova disputa regional
No lado argentino, a recusa obriga o Boca Juniors a redirecionar esforços. O clube xeneize busca um atacante de velocidade para 2026 e via em Serna um nome pronto para assumir vaga imediata no ataque. Com o “não” do Fluminense, a diretoria passa a explorar outras opções no mercado sul-americano, ampliando a concorrência por jogadores do mesmo perfil em ligas vizinhas.
A movimentação reforça um cenário de disputa direta entre brasileiros e argentinos por talentos do continente. Com receitas maiores e contratos mais extensos, clubes do Brasil ganham poder de barganha e resistem a propostas intermediárias, como a que chega por Serna. Em um contexto de câmbio favorável ao dólar, a decisão tricolor mostra que nem toda oferta em moeda forte se converte, automaticamente, em venda.
Consequências futuras e janela sob observação
A forma como o Fluminense conduz o caso pode influenciar negociações futuras envolvendo o elenco atual. Ao deixar claro que respeita os prazos contratuais e não cede facilmente, o clube ajusta a expectativa de empresários e de outros times interessados em seus jogadores. Em paralelo, consolida Kevin Serna como uma das referências do elenco para os próximos dois anos, com responsabilidade ampliada em campo e na relação com a torcida.
O episódio também expõe um ponto de atenção para as próximas janelas. Se o atacante mantiver bom desempenho, novas propostas devem surgir, desta vez em patamar financeiro mais alto. A dúvida passa a ser quando o Fluminense considerará conveniente negociar, e não se está disposto a vender. Até lá, a recusa ao Boca, em janeiro de 2026, marca uma posição: o clube escolhe, ao menos neste momento, a continuidade esportiva em vez do alívio imediato no caixa.
