Fluminense e Botafogo abrem noite de pressão alta no Maracanã
Fluminense e Botafogo se enfrentam nesta quinta-feira (12), às 19h30, no Maracanã, pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro. O clássico coloca em choque a série de 14 vitórias seguidas do Tricolor em casa e a tentativa do Glorioso de reagir após três derrotas consecutivas na temporada.
Clássico expõe forças e fragilidades no início do Brasileiro
O jogo chega cedo, mas já testa o emocional dos dois clubes cariocas. O Fluminense, de Luis Zubeldía, transforma o Maracanã em fortaleza desde o fim de 2025 e defende 14 vitórias seguidas no estádio. O Botafogo, de Martín Anselmi, ainda busca um padrão estável em 2026 e tenta estancar a série de três derrotas, duas delas justamente em clássicos regionais.
O encontro no maior palco do país é o terceiro clássico do Botafogo em apenas duas semanas, algo incomum para o início de temporada. O time alvinegro chega pressionado após perder para o próprio Fluminense e para o Vasco, pelo Campeonato Carioca, e para o Grêmio, em Porto Alegre. No Brasileiro, porém, soma três pontos em dois jogos e carrega a lembrança recente da estreia com goleada por 4 a 0 sobre o Cruzeiro.
O contexto torna o Maracanã, nesta quinta, um laboratório de afirmação para Anselmi. Será a primeira vez do treinador argentino no comando do Botafogo no estádio mais simbólico do Rio. O adversário é um Fluminense que cresce em casa e consolida a proposta de Zubeldía, treinador que se apoia em intensidade, marcação agressiva e posse de bola controlada.
O técnico tricolor deve manter a espinha dorsal que sustenta a sequência positiva. Fábio, aos 45 anos, segue como referência no gol. Samuel Xavier, Jemmes, Freytes e Renê formam a linha defensiva. No meio, Martinelli divide a construção com Bernal e Lucho Acosta, reforço que rapidamente ganha protagonismo criativo. Na frente, Serna disputa vaga com Savarino, enquanto John Kennedy e Canobbio completam o trio ofensivo.
Botafogo estreia reforços e mede fôlego sob nova direção
A noite no Maracanã também marca uma virada de chave administrativa para o Botafogo. Depois de sair do transfer ban na última sexta-feira, o clube finalmente inscreve e utiliza os reforços contratados para 2026. A principal novidade é Ythallo, que deve estrear como titular e forma a linha de três zagueiros ao lado de Newton e Alexander Barboza, com Neto no gol.
O sistema de jogo, desenhado por Anselmi, aposta em alas agressivos e meio-campo móvel. Vitinho abre o campo pela direita, Alex Telles ocupa o lado esquerdo, enquanto Allan e Danilo fazem o miolo de marcação e saída. À frente, Artur atua por dentro, com possibilidade de dar lugar a Lucas Villalba, recém-liberado, caso Santi Rodríguez siga fora por lesão no joelho direito. Arthur Cabral e Álvaro Montoro completam o setor ofensivo e carregam parte da responsabilidade por transformar o volume de jogo em gols.
A situação disciplinar adiciona outra camada de tensão para o lado alvinegro. Allan e o próprio Anselmi entram em campo pendurados. Um cartão amarelo afasta ambos da próxima partida do time no Brasileiro, prevista para 14 de março, contra o Flamengo, no Nilton Santos, caso o Botafogo avance na Libertadores diante do Nacional Potosí. O jogo contra o Vitória, marcado para 25 de fevereiro, já foi adiado, e o confronto com o Athletico-PR, em 11 de março, também pode mudar de data por causa do calendário continental.
O Fluminense, embora viva fase exuberante no Maracanã, também administra ausências. Germán Cano, artilheiro e referência desde 2022, segue fora após cirurgia no joelho. Nonato também desfalca o time. Zubeldía responde espalhando responsabilidade de gol por todo o ataque e reforçando o meio-campo, setor que tende a ser decisivo no controle do ritmo do clássico.
O ambiente promete ser de alta temperatura. Os sócios-torcedores do Botafogo esgotam, em poucas horas, a carga de ingressos para o setor visitante no primeiro dia de vendas. Os alvinegros ocupam espaço no setor Norte do estádio, enquanto o Fluminense domina as demais áreas. A divisão de torcidas retoma o clima de grandes noites de Campeonato Brasileiro no Rio e pressiona jogadores e arbitragem.
Pressão na tabela, vitrine nacional e olho na arbitragem
O clássico não decide título, mas mexe diretamente com a confiança e a posição na tabela neste início de Brasileiro. Uma vitória tricolor mantém a invencibilidade no Maracanã, consolida a equipe entre os primeiros colocados e reforça a imagem de que o time de Zubeldía é candidato real às primeiras posições. Um triunfo alvinegro, por outro lado, quebra a sequência de 14 vitórias do rival em casa, encerra a própria série de derrotas e redesenha a narrativa de um Botafogo instável em 2026.
O desempenho dos reforços botafoguenses também entra em foco. A estreia de Ythallo na zaga e a possível entrada de Lucas Villalba no ataque funcionam como termômetro da capacidade de Anselmi de acelerar a adaptação de quem chega. A atuação dos novos nomes, sob o peso de um Maracanã cheio, pode redefinir hierarquias internas e influenciar decisões para a sequência da temporada, incluindo Libertadores e jogos adiados do Brasileiro.
A partida ainda serve como vitrine nacional. O jogo terá transmissão em TV aberta pela Record, para todo o Brasil, com narração de Cléber Machado e comentários de Dodô e Maurício Noriega. No pay-per-view, o Premiere transmite com Luiz Carlos Jr., Ledio Carmona e Paulo Nunes. A Cazé TV, no YouTube, também acompanha o clássico em tempo real, ampliando o alcance para o público mais jovem e para quem assiste futebol principalmente pela internet.
A arbitragem ganha relevância natural em um cenário de rivalidade intensa e arquibancadas cheias. O gaúcho Rafael Rodrigo Klein, da Fifa, apita o confronto, auxiliado por Maira Mastella Moreira e Michael Stanislau. No vídeo, o VAR fica a cargo de Daniel Nobre Bins, também Fifa. A condução do trio de campo e do árbitro de vídeo tende a ser examinada lance a lance, especialmente em jogadas de área e decisões de cartão.
Calendário apertado e maratona emocional à frente
O clássico no Maracanã abre uma sequência que vai testar elenco, planejamento e fôlego dos dois clubes. O Fluminense, se mantiver o alto padrão em casa, fortalece não só a campanha no Brasileiro, mas também o moral para os compromissos decisivos da temporada. A manutenção da invencibilidade no estádio funciona como escudo contra crises pontuais e aumenta a cobrança por títulos.
O Botafogo encara a noite como possível ponto de virada. Uma atuação segura, mesmo sem resultado elástico, reduz a pressão imediata sobre Anselmi e oferece margem para ajustes com tempo até o próximo compromisso do Brasileirão. Uma nova derrota, porém, alimenta dúvidas sobre o encaixe rápido entre ideias do treinador, elenco reformulado e exigência competitiva da Série A.
O desfecho desta quinta-feira não encerra nenhuma história, mas define o tom das próximas semanas no Rio. A bola rola às 19h30, sob o apito de Rafael Rodrigo Klein, e a pergunta que paira sobre o Maracanã é simples e direta: a noite reafirma a fortaleza tricolor ou inaugura a reação alvinegra em 2026?
