Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil? Entenda o que se sabe até agora
Após perder a eleição presidencial, senador foi proibido de deixar o Brasil por decisão de Alexandre de Moraes; notícia sobre possível ida à Argentina levou a PF a consultar autoridades do país vizinho, enquanto outras apurações envolvem o parlamentar.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a ser alvo de novos desdobramentos judiciais e políticos após a derrota na eleição presidencial de domingo (25/10). Na segunda-feira (26), ele afirmou ter sido intimado pela Polícia Federal (PF) a entregar os passaportes por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na manhã desta terça-feira (27), uma notícia publicada pelo site argentino Infobae de que o parlamentar teria deixado o Brasil provocou uma nova frente de apuração.
A possível viagem não havia sido confirmada de forma independente até as primeiras horas desta terça. Enquanto aliados diziam não conseguir contato com o senador, o coordenador de sua campanha, Rogério Marinho (PL-RN), negou inicialmente que ele tivesse deixado o país. Paralelamente, Flávio é investigado em outros procedimentos no STF, que envolvem suspeitas financeiras e sua relação com outras pessoas investigadas.
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Domingo (25): derrota eleitoral e decisão judicial
No domingo, Flávio Bolsonaro perdeu o segundo turno da eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na noite do mesmo dia, segundo relatos divulgados posteriormente, Moraes determinou que o senador entregasse os passaportes e o proibiu de deixar o Brasil.
A decisão está relacionada a uma investigação que envolve Flávio e o advogado Willer Tomaz. A ordem também prevê restrições de contato entre os dois, conforme informações divulgadas pela imprensa. O conteúdo integral da decisão não foi tornado público, pois o processo tramita sob sigilo.

Segunda-feira (26): PF intima o senador
Na manhã de segunda-feira, após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio afirmou ter sido abordado por agentes da PF e intimado a entregar os documentos de viagem.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o senador declarou que cumpriria a determinação, mas criticou a medida e disse que não tinha intenção de deixar o país.
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A ordem, segundo as informações publicadas, estabeleceu prazo de 24 horas para a entrega dos passaportes brasileiro e diplomático. Também abrangeria documentos de outras nacionalidades eventualmente mantidos pelo parlamentar.
Na manhã seguinte, uma reportagem da jornalista Bela Megale, do jornal O Globo, informou que Flávio ainda não havia entregado os documentos. Até aquele momento, não havia confirmação independente sobre o cumprimento da ordem ou sobre eventuais medidas adicionais da Justiça.
Terça-feira (27): notícia sobre possível ida à Argentina
Durante a madrugada de terça-feira, o site argentino Infobae publicou que Flávio teria atravessado a fronteira com a Argentina para seguir aos Estados Unidos em um avião particular.
A notícia foi divulgada poucas horas depois de se tornar pública a determinação para que o senador entregasse os passaportes. Segundo o relato do site argentino, ele teria usado um documento de identidade nacional para cruzar a fronteira e embarcaria em Puerto Iguazú, na província de Misiones.
Diante da informação, a Polícia Federal entrou em contato com autoridades argentinas para verificar se o senador havia passado por algum aeroporto do país vizinho. A consulta foi noticiada pela imprensa na manhã de terça-feira.
Até as primeiras horas do dia, porém, a suposta saída do Brasil permanecia sem confirmação independente.
Aliados não conseguem contato; Marinho nega viagem
Também na manhã de terça-feira, aliados e integrantes da equipe jurídica de Flávio tentaram falar com o senador para esclarecer seu paradeiro. Segundo a coluna de Bela Megale, até as 9h30 as pessoas procuradas não haviam conseguido contato com ele. Os últimos contatos bem-sucedidos teriam ocorrido na segunda-feira.
Flávio também não atendeu às ligações nem respondeu às mensagens enviadas pela jornalista.
Por volta das 7h30, Rogério Marinho negou que o senador tivesse deixado o Brasil. Mais tarde, quando questionado novamente sobre a possibilidade de ter conseguido contato com o aliado, não respondeu à pergunta, segundo a reportagem.
A ausência de contato não comprova que Flávio tenha viajado. Até o horário das informações divulgadas, o paradeiro do senador continuava sem confirmação independente.
Quais investigações envolvem Flávio Bolsonaro?
A ordem de entrega dos passaportes está ligada à investigação que envolve Flávio e Willer Tomaz, mas esse não é o único procedimento no qual o senador é investigado.
A apuração conduzida no STF envolve suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a negócios com empresas de apostas e plataformas de pagamento. Segundo informações divulgadas pela imprensa, os investigadores apuram possíveis vínculos financeiros entre o advogado e o senador. Flávio e Tomaz negam irregularidades.
Na semana anterior, Moraes também havia determinado o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens de Tomaz. A medida integra a investigação sobre suspeitas financeiras relacionadas ao advogado.

Investigação sobre o filme Dark Horse
Flávio também é investigado em um inquérito relacionado ao financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. A apuração examina recursos atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e possíveis irregularidades financeiras.
Segundoinformações divulgadas pela imprensa, a investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no contexto do financiamento da produção. Flávio nega irregularidades e afirma que o filme utiliza recursos privados.
Suspeitas envolvendo a Rockbridge Network
Outra controvérsia surgiu durante a campanha presidencial, quando o PT pediu ao STF que investigasse uma possível participação de pessoas ligadas à Rockbridge Network no financiamento ou no apoio à candidatura de Flávio.
Reportagens publicadas em setembro e outubro apontaram que empresários associados à tentativa de estabelecer uma operação da rede no Brasil teriam prestado apoio à campanha, incluindo consultoria e elaboração de relatórios. A campanha negou ter recebido recursos ou estrutura estrangeira, e os empresários citados contestaram acusações de financiamento irregular.
Na manhã desta terça, o ministro do STF Flávio Dino determinou que a PF abra inquérito para investigar suspeitas de financiamento estrangeiro à campanha presidencial de Flávio.

O que ainda falta esclarecer?
Até a manhã de terça-feira (27), os principais pontos sem confirmação independente eram o paradeiro de Flávio Bolsonaro, a eventual travessia da fronteira com a Argentina e o cumprimento da ordem de entrega dos passaportes.
A PF havia acionado autoridades argentinas para verificar a informação sobre a possível viagem. Já a negativa inicial de Rogério Marinho não substituía uma confirmação oficial sobre a localização do senador.
Os procedimentos que envolvem Flávio no STF também seguem caminhos distintos e apuram suspeitas diferentes.


