Flávio Bolsonaro e compra de votos: entenda a denúncia ao TSE e as informações falsas que circulam nas redes
Representação eleitoral questionou distribuição de criptomoedas em troca de publicações favoráveis ao candidato do PL; vídeo que associa senador à apreensão de R$ 27 milhões pela Polícia Federal é falso.

Uma denúncia apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) envolvendo o projeto Brasil 22 Token (B22) colocou Flávio Bolsonaro (PL) no centro de uma discussão sobre possível compra de votos e propaganda política remunerada na internet. A iniciativa oferecia criptomoedas a usuários que publicassem conteúdos favoráveis ao senador nas redes sociais.
O caso ganhou repercussão depois que a ministra Estela Aranha determinou a suspensão do site. Paralelamente, publicações passaram a afirmar que a Polícia Federal havia descoberto um esquema de compra de votos para Flávio e apreendido R$ 27 milhões. Essa segunda informação é falsa.
Leia também: Willer Tomaz tem cinco casas em ilhas de Angra além de imóvel disputado com Richarlison
Leia também: Flávio Bolsonaro recua e retira trecho em que se declarou presidente eleito; entenda.
Denúncia ao TSE envolve criptomoedas e propaganda política
O projeto Brasil 22 Token (B22) oferecia ativos digitais a pessoas que compartilhassem conteúdos favoráveis à candidatura de Flávio Bolsonaro. Para receber os tokens, os participantes deveriam publicar mensagens nas redes sociais e enviar os links das postagens.
A coligação que apoiava Luiz Inácio Lula da Silva acionou a Justiça Eleitoral, alegando possível utilização de vantagens econômicas para estimular propaganda política. A representação apontou suspeitas de irregularidades eleitorais e possível abuso de poder econômico.
TSE determina suspensão do site B22
Em 9 de outubro, a ministra Estela Aranha, do TSE, determinou a suspensão do site Brasil 22 Token e proibiu a oferta ou distribuição de criptomoedas vinculadas à publicação de conteúdos favoráveis ao projeto e à candidatura de número 22.
A decisão também determinou a remoção de publicações e a preservação de dados de perfis envolvidos. A medida foi concedida em caráter liminar e não representa uma condenação definitiva de Flávio Bolsonaro por compra de votos.
Flávio Bolsonaro nega ligação com o projeto
A defesa do senador negou qualquer vínculo com o B22 e afirmou que o parlamentar não autorizou o uso de seu nome ou de sua candidatura na iniciativa. A equipe jurídica também anunciou medidas contra os responsáveis pelo projeto.
A defesa apresentou uma notícia-crime para que possíveis irregularidades envolvendo os ativos digitais fossem investigadas. A iniciativa judicial tem objeto diferente da representação eleitoral apresentada pela campanha de Lula.
É verdade que a PF apreendeu R$ 27 milhões para Flávio?
Não. A informação que circula nas redes sociais é falsa. Publicações utilizaram um trecho de uma reportagem sobre a apreensão de R$ 27 milhões em dinheiro durante operações da Polícia Federal contra crimes eleitorais.
A reportagem original, exibida em 3 de outubro, não mencionava Flávio Bolsonaro nem relacionava o dinheiro à campanha do senador. O valor correspondia ao conjunto de apreensões realizadas em diferentes estados.
Não há comprovação de que os R$ 27 milhões tenham sido destinados à compra de votos para Flávio.
Compra de votos para Flávio foi comprovada?
Não há condenação definitiva que comprove compra de votos por Flávio Bolsonaro nesse episódio. O caso B22 envolve uma denúncia sobre possível remuneração de propaganda eleitoral, enquanto a história dos R$ 27 milhões é uma informação falsa que distorceu uma notícia verdadeira.
É importante diferenciar as acusações apresentadas à Justiça, as decisões provisórias do TSE e as informações falsas que circulam nas redes sociais.
O andamento de processos eleitorais pode ser acompanhado no site oficial do Tribunal Superior Eleitoral.


