Flávio Bolsonaro chama Tereza Cristina de “sonho de consumo” para vice
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirma nesta quinta-feira (9/4), na 86ª Expogrande, em Mato Grosso do Sul, que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) é seu “sonho de consumo” para a vaga de vice em 2026. A declaração, feita em um dos principais palcos do agronegócio do país, mira o eleitorado rural e reforça a tentativa de ancorar sua campanha no setor.
Agro no centro da estratégia eleitoral
Flávio escolhe a 86ª edição da Expogrande, feira que reúne produtores, empresários e políticos em Campo Grande desde 1949, para testar o discurso e acenar ao agro. Ao lado do governador Eduardo Riedel (PSDB), ele fala para um público atento às pautas de crédito rural, regularização fundiária e exportações, setores que respondem por cerca de 25% do PIB brasileiro. É nesse ambiente que o senador exalta Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura e uma das figuras mais influentes do setor.
Ele insiste que ainda não é hora de bater o martelo sobre o vice, mas deixa claro que a preferência está lançada. “Tereza é o sonho de consumo de todo mundo, eu sou fã dela. A questão de vice vai ser só muito mais lá para frente”, diz, diante de correligionários e lideranças rurais. O recado atende a duas frentes da campanha: agrada à base bolsonarista, que associa Tereza ao período de expansão das exportações do agro no governo Jair Bolsonaro, e abre espaço para uma costura com o Progressistas, partido da senadora.
Resistência de Tereza e disputa por palanques
A movimentação, porém, esbarra na própria Tereza Cristina. Em março, a senadora afirma que recusaria um eventual convite para ser vice em qualquer chapa presidencial. O gesto é lido em Brasília como sinal de que ela mira a manutenção de sua influência no Senado e no Mato Grosso do Sul, onde constrói base sólida desde que chefiou o Ministério da Agricultura, entre 2019 e 2022. Também evita o desgaste de uma campanha nacional polarizada, em que o cargo de vice tende a herdar ataques e cobranças.
Flávio, ainda assim, mantém o nome na vitrine. Ele volta a destacar a relevância política e econômica da colega de Congresso. “Ela é uma das maiores referências do agro. Vamos pensar com calma, não tem como antecipar nada agora, mas fico muito feliz de tê-la entre as possibilidades”, afirma. O cálculo é simples: mesmo que Tereza mantenha o não, a associação pública rende dividendos entre produtores, cooperativas e sindicatos rurais. A sinalização ajuda a consolidar palanques em estados do Centro-Oeste e do Sul, onde o agronegócio impulsiona PIBs locais e define eleições municipais e estaduais.
Impacto no tabuleiro de 2026
A fala em Mato Grosso do Sul ocorre a menos de seis meses do início oficial da campanha presidencial e amplia a pressão por definição de alianças. No campo conservador, o PL de Flávio busca recompor espaços perdidos após 2022 e tenta evitar fragmentação em torno de outras candidaturas à direita. Um nome com forte apelo no agro, como o de Tereza Cristina, funcionaria como ponte entre líderes empresariais, bancadas temáticas no Congresso e governos estaduais que dependem da performance do campo.
O agronegócio fecha 2025 respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras e por mais de R$ 2 trilhões em valor bruto da produção, segundo estimativas do governo federal. Nesse cenário, qualquer sinal de rearranjo político no setor repercute em decisões de investimento, na relação com o crédito oficial e na pauta ambiental em Brasília. A aproximação de Flávio com Tereza também pressiona outros presidenciáveis a buscar nomes com densidade regional e setorial semelhante, o que deve acirrar a disputa por lideranças femininas ligadas ao campo e à gestão pública.
O que vem a seguir na montagem das chapas
Flávio repete, em Mato Grosso do Sul, que a definição da chapa só deve ocorrer “muito mais lá para frente”, perto do período eleitoral. A estratégia é manter o suspense e preservar margem de negociação com partidos do centrão, governadores aliados e setores empresariais que ainda testam cenários para outubro. Quanto mais tempo a vaga de vice permanecer em aberto, maior o espaço para barganhas, recuos e novas composições regionais.
A recusa antecipada de Tereza Cristina não encerra a disputa em torno de seu nome. A senadora segue como referência no agro e pode influenciar a decisão de produtores e prefeitos em estados-chave, mesmo fora de uma chapa presidencial. A exposição pública de Flávio, ao chamá-la de “sonho de consumo”, deixa uma pergunta em aberto nos bastidores de Brasília: ela seguirá como aliada externa, ou a pressão do setor será suficiente para reabrir a conversa e redesenhar o equilíbrio de forças na corrida ao Planalto em 2026?
