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Flamengo vira 29º clube mais rico do mundo, segundo Deloitte

O Flamengo sobe para o 29º lugar no ranking Football Money League 2025, divulgado nesta semana pela Deloitte, com receita de 202,7 milhões de euros. O clube registra sua melhor posição desde a criação do estudo, em 1997, e se consolida como protagonista financeiro fora do eixo europeu.

Flamengo rompe barreira histórica em cenário europeu

O avanço de uma posição no relatório mais influente sobre finanças do futebol mundial tem peso que vai além da simbologia. O Football Money League, da consultoria Deloitte, reúne os 30 clubes com maior faturamento recorrente do planeta na temporada 2023/2024, sem incluir vendas de jogadores. Nesse universo dominado por gigantes europeus, o Flamengo é o único brasileiro e se firma como referência no continente americano.

O Real Madrid lidera a lista com 1,161 bilhão de euros em receitas, seguido por Barcelona, com 974,8 milhões, e Bayern de Munique, com 860,6 milhões de euros. Na parte intermediária do ranking aparecem potências como Paris Saint-Germain, Liverpool, Manchester City, Arsenal e Manchester United, todos acima da casa dos 790 milhões de euros. O Flamengo, com 202,7 milhões de euros — cerca de R$ 1,26 bilhão —, se posiciona à frente de clubes tradicionais da Europa, como Olympique de Marselha, e cola em equipes da Premier League e da Série A italiana.

Gestão profissional acende farol para o mercado

A presença entre os 30 maiores pelo segundo ano consecutivo não nasce de um ciclo curto de bons resultados em campo. A virada começa em 2013, quando o clube encara uma reestruturação financeira, renegocia dívidas e adota um modelo de transparência que hoje é cobrado pelo mercado. Ao longo da década, a combinação de ajuste de contas, profissionalização da gestão e controle rígido de gastos abre espaço para investir e gerar novas receitas.

A partir daí, o clube amplia parcerias comerciais, renegocia contratos de patrocínio em patamares mais altos, expande o licenciamento de produtos e aprende a explorar melhor o potencial de bilheteria e matchday. O Maracanã lotado com frequência, o engajamento da torcida nas redes e a exposição recorrente em competições continentais ajudam a transformar paixão em faturamento previsível. O relatório da Deloitte reforça esse percurso ao destacar a consistência de crescimento desde 2013.

Dentro do futebol internacional, a leitura é clara: um clube sul-americano rompe a barreira geográfica que por décadas separou o dinheiro europeu das demais ligas. Em paralelo, a valorização da marca Flamengo se traduz em maior poder de barganha em negociações com patrocinadores globais, casas de apostas, plataformas de streaming e empresas de tecnologia esportiva. O posto de 29º mais rico do mundo funciona como um selo independente de credibilidade financeira.

Impacto na marca, no mercado e nos rivais brasileiros

O número de 202,7 milhões de euros em receita recorrente na temporada 2023/2024, mantido sem contar negociações de atletas, coloca o Flamengo em uma rota distinta no cenário nacional. Em um ambiente em que muitos clubes ainda dependem de venda de jogadores para fechar o ano no azul, o resultado rubro-negro mostra que é possível sustentar o futebol com base em receitas previsíveis e diversificadas.

A Deloitte lista o Flamengo ao lado de clubes como Brentford, Wolverhampton, Roma e Bournemouth, todos acima de 200 milhões de euros em faturamento. Essa vizinhança muda a escala de comparação para o torcedor, para o mercado publicitário e, sobretudo, para investidores. A confiança em contratos de longo prazo cresce quando o parceiro aparece num ranking global ao lado das principais marcas do esporte.

A tendência é que o efeito se espalhe. A subida do Flamengo pressiona rivais brasileiros a acelerar processos de profissionalização, criação de SAFs, controle de endividamento e busca por novas fontes de receita. Quem não acompanha esse movimento corre o risco de ampliar a distância esportiva e financeira nos próximos anos, inclusive na disputa por patrocínios e direitos de transmissão.

Para o Flamengo, a posição atual funciona como uma vitrine internacional de portas abertas. Torna-se mais fácil marcar amistosos rentáveis, participar de torneios de pré-temporada na Europa, negociar acordos regionais em mercados como Estados Unidos e Ásia e fortalecer o ecossistema digital com produtos de assinatura, conteúdo exclusivo e experiências para torcedores estrangeiros.

Próximo ranking já pode registrar novo salto

O relatório Football Money League 2025 ainda não contabiliza o faturamento recorde previsto para o exercício de 2025, que tende a superar com folga os números atuais. A diretoria trabalha para ampliar a base de receitas com novas parcerias comerciais, modernização de ativos e projetos de internacionalização da marca, enquanto tenta manter competitividade esportiva em alto nível.

Se a combinação de estádio cheio, sucesso em campo e equilíbrio nas contas se mantiver, a presença entre os 30 primeiros tende a deixar de ser exceção para virar rotina. A questão que se impõe ao mercado brasileiro é se outros clubes conseguem seguir trilha semelhante, reduzindo a dependência de venda de atletas e explorando melhor seus próprios torcedores. O novo capítulo financeiro do Flamengo abre caminho, mas também eleva a régua para todo o futebol nacional.

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