Flamengo tenta virar sobre o Lanús e quebrar tabu em mata-mata
O Flamengo decide nesta sábado, 21 de fevereiro de 2026, a Recopa Sul-Americana contra o Lanús, no Maracanã, pressionado por um histórico recente incômodo em mata-mata. Derrotado por 1 a 0 no jogo de ida, o time precisa da virada para levantar o título e, sobretudo, para romper um padrão de quedas em confrontos eliminatórios que pesa sobre elenco, comissão técnica e arquibancadas.
Maracanã lotado, placar adverso e conta com o passado
O cenário desta Recopa é claro: o Flamengo precisa vencer por ao menos dois gols de diferença para conquistar o título no tempo normal. Vitória rubro-negra por um gol leva a decisão para a prorrogação e, se necessário, para os pênaltis. O Maracanã deve receber mais de 60 mil torcedores, em um ambiente de apoio intenso, mas também de cobrança a um elenco que ainda procura estabilidade em 2026.
O peso do jogo cresce quando se observa o recorte dos últimos dez anos em competições continentais e na Copa do Brasil. Desde 2016, o Flamengo disputa 21 confrontos de mata-mata em Libertadores, Sul-Americana e Copa do Brasil. Sai classificado em 10 e eliminado em 11. Quando começa em desvantagem, o desempenho despenca: em oito séries em que perde o jogo de ida, reage com sucesso em apenas duas.
A ferida mais recente em cenário semelhante ainda está aberta. Em 2023, na própria Recopa, o time perde por 1 a 0 para o Independiente del Valle no Equador, devolve o placar no Maracanã, mas cai nos pênaltis por 5 a 4. O roteiro volta à memória às vésperas do duelo com o Lanús, que chega ao Rio em vantagem mínima, mas psicológica.
O histórico recente em finais também alimenta a tensão. Em 2023, o Flamengo perde a decisão da Copa do Brasil para o São Paulo após derrota por 1 a 0 no Maracanã e empate por 1 a 1 no Morumbi. Três anos antes, em 2020, a equipe cai nas quartas da Copa do Brasil para o São Paulo, derrota em casa por 2 a 1 e goleada por 3 a 0 fora. Cada tropeço alimenta a sensação, entre torcedores e analistas, de que o clube patina quando entra em desvantagem em duelos de ida e volta.
Tabu recente desafia elenco em meio a pressão interna e externa
Os números ajudam a explicar por que a partida deste sábado transborda a disputa por um troféu. Em oito confrontos recentes em que inicia em desvantagem, o Flamengo consegue a virada em apenas dois: nas oitavas da Copa do Brasil de 2022, contra o Atlético-MG, e nas oitavas da Libertadores de 2019, diante do Emelec. Nas outras seis ocasiões, o roteiro termina em frustração.
O desempenho melhora quando o time evita a derrota no primeiro jogo. Em 13 mata-matas em que estreia com empate, o Flamengo avança em oito, como na final da Copa do Brasil de 2022 contra o Corinthians, decidida nos pênaltis no Maracanã. O contraste reforça a percepção de que o problema passa mais pela reação sob pressão do que pela capacidade técnica do elenco.
A atual fase conturbada amplia a carga emocional da Recopa. O início de temporada é cercado por críticas à atuação coletiva e por ruídos fora de campo. Filipe Luís, hoje integrante da comissão técnica, precisa se explicar publicamente após a repercussão negativa de uma fala sobre o episódio de injúria racial sofrida por Vinicius Júnior. “Foi uma conduta inaceitável”, afirma, ao tentar conter a crise de imagem em meio à preparação para o jogo decisivo.
O ambiente externo também movimenta o tabuleiro. O Corinthians anuncia a contratação de um volante revelado na base rubro-negra e com passagem pela seleção de base, movimento que reabre debates sobre gestão de elenco e planejamento esportivo no Flamengo. Enquanto isso, jornalistas e comentaristas repercutem as declarações recentes de Filipe Luís, o que desvia parte dos holofotes do gramado para os bastidores em um momento em que a comissão técnica tenta blindar o vestiário.
Dentro de campo, a aposta é em análise minuciosa de erros recentes em mata-mata. A comissão técnica trabalha com vídeos, mapeamento de falhas defensivas e ajustes de postura nos minutos iniciais, justamente o período em que o time costuma oscilar quando entra em campo pressionado pelo placar. A ideia é evitar o gol fora de casa, ainda mais letal em decisões curtas.
O que está em jogo para 2026 e para o projeto esportivo
Uma virada sobre o Lanús rende mais do que a taça da Recopa na prateleira da Gávea. O título continental, conquistado em casa e em cenário de pressão, serviria como ponto de inflexão em um ciclo de desconfiança que se arrasta desde 2023. A conquista reforça a confiança de um elenco acostumado a disputar grandes decisões, mas que se vê cobrado por resultados imediatos.
O efeito se estende ao calendário. Com Libertadores, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro pela frente, um título em fevereiro funciona como combustível simbólico e financeiro. A imagem de um Maracanã em festa facilita a venda de ingressos, fortalece acordos comerciais e sustenta a narrativa de protagonismo continental que o clube tenta preservar nos últimos anos.
Uma nova derrota, por outro lado, recarrega o discurso de ciclo negativo. A eliminação na Recopa reforça a estatística desfavorável em mata-matas, pressiona a comissão técnica e abre espaço para questionamentos mais duros à diretoria. O apoio popular, hoje forte, pode se tornar mais seletivo, com vaias em casa e cobrança nas redes sociais a cada tropeço.
A torcida, que acompanha cada movimento também por novos canais digitais, como grupos de WhatsApp dedicados ao dia a dia do clube, entra no jogo como fator decisivo. O Maracanã oferece o ambiente ideal para uma noite de redenção, mas também concentra, em 90 minutos, frustrações acumuladas por eliminações recentes em casa.
O Flamengo chega à decisão consciente da conta que precisa fechar com o próprio passado. Se consegue a virada e levanta a Recopa, inicia 2026 com uma mensagem clara ao continente de que ainda pretende ditar o ritmo nas principais competições. Se tropeça de novo, entra no restante da temporada sob desconfiança, com a sensação de que o problema já não é apenas o adversário, mas o espelho.
