Flamengo repatria Lucas Paquetá em maior compra da história
O Flamengo anuncia em janeiro de 2026 a contratação de Lucas Paquetá por 42 milhões de euros, cerca de R$ 260 milhões, em acordo de cinco anos. O meio-campista de 28 anos deixa o West Ham e volta ao clube que o revelou, na maior operação de transferência já registrada no futebol brasileiro.
Um retorno que redesenha o mercado
Lucas Paquetá volta ao Rio de Janeiro oito anos depois de deixar o Flamengo e cinco temporadas após chegar ao West Ham. O negócio, que supera os 30 milhões de euros pagos pelo Cruzeiro para tirar Gerson do Olympique de Marselha, redefine o teto financeiro do futebol nacional e confirma o clube rubro-negro como protagonista absoluto nas janelas de transferência do continente.
O acordo se constrói em meio a um cenário de alta expectativa no clube, que entra em 2026 pressionado por resultados esportivos e por manter receitas em patamar elevado. A diretoria enxerga em Paquetá um investimento estratégico, capaz de influenciar desempenho em campo, audiência em jogos, venda de camisas e poder de barganha com patrocinadores.
O meia chega como terceira contratação da janela, depois do zagueiro Vitão, ex-Internacional, e do goleiro Andrew, que defendia o Gil Vicente, de Portugal. Nenhum deles, porém, se aproxima do impacto simbólico e financeiro da repatriação do camisa 10 formado na Gávea, que agora retorna em outro estágio de carreira, com rodagem por três centros europeus.
Da base à volta mais cara do país
Revelado nas categorias de base do Flamengo, Paquetá estreia como profissional em 2016 e se firma entre os titulares em 2017. Em janeiro de 2019, deixa o clube rumo ao Milan, passa pelo Lyon e chega ao West Ham em 2022, construindo trajetória de consolidação no futebol europeu e na seleção brasileira.
Na atual temporada 2025-2026, o meio-campista participa de 19 partidas pelos Hammers, com cinco gols e uma assistência. Desde o início de janeiro, porém, fica fora dos últimos compromissos da equipe, oficialmente por desconforto nas costas. A decisão de afastá-lo dos treinos e jogos também passa pelo desejo do próprio jogador de voltar ao Brasil, já comunicado ao clube inglês.
A relação afetiva com o Flamengo nunca deixa de ser tema central em sua trajetória. Na última entrevista coletiva antes de ser vendido ao Milan, o jogador admite insegurança e apego ao clube. “Conversei com minha esposa e minha mãe que estou com medo de deixar o Flamengo, uma sensação que nunca vivi. Tenho amor a essa camisa e sempre fui feliz jogando aqui. Saio com aquela dorzinha de deixar a minha casa. Sabe? Mas com a certeza de que um dia voltarei”, afirma na ocasião.
Esse discurso, repetido em entrevistas e aparições públicas, ajuda a sustentar a narrativa do retorno “para casa” que o próprio Flamengo explora no anúncio oficial. Em vídeo publicado nas redes sociais, o clube descreve o negócio como “um movimento histórico” e “um marco do mercado no futebol mundial, do tamanho do Flamengo”, agradecendo a patrocinadores e parceiros pelo reforço de peso.
Impacto esportivo, financeiro e simbólico
A operação de 42 milhões de euros não se limita ao campo esportivo. O valor, inédito no Brasil, consolida um patamar de investimento que aproxima o Flamengo de clubes médios da Europa e pressiona rivais nacionais a reverem estratégias. Em um cenário de receitas crescentes de TV, bilheteria e marketing, a diretoria rubro-negra sinaliza disposição de transformar poder econômico em vantagem técnica constante.
Paquetá chega em um momento chave da temporada. A previsão é que desembarque no Brasil ainda nesta semana, entre quinta e sexta-feira. Se seu registro sair no Boletim Informativo Diário da CBF até sexta, ele fica apto a estrear já no domingo, contra o Corinthians, na final da Supercopa do Brasil. A possibilidade de uma reestreia imediata, em jogo decisivo, alimenta a mobilização da torcida e turbina a venda de ingressos e produtos licenciados.
Dentro de campo, o meio-campista oferece versatilidade rara. Atua como armador central, meia pela esquerda e segundo atacante, com capacidade de pressionar sem a bola e acelerar transições. A experiência acumulada na Premier League e em competições continentais dá ao Flamengo um jogador acostumado a ritmo intenso e a decisões de alto nível, algo valioso em campanhas de Libertadores e Brasileirão.
O movimento também tem efeito político e de vestiário. A direção reforça o discurso de projeto ambicioso e de protagonismo duradouro, enquanto o elenco ganha um líder técnico que conhece a cultura do clube e o ambiente do Ninho do Urubu. A presença de um ídolo formado na base tende a fortalecer o vínculo de jovens jogadores com o Flamengo, em um momento em que propostas do exterior chegam cada vez mais cedo.
O que vem a seguir para Paquetá e Flamengo
O próximo passo é burocrático e esportivo. O clube corre para concluir detalhes de documentação, exames e inscrição na CBF a tempo da decisão de domingo. Em paralelo, a comissão técnica ajusta o plano de uso do reforço, definindo se ele inicia a trajetória com minutos controlados ou já assume papel central no meio-campo.
O calendário de 2026 promete teste imediato para o novo camisa rubro-negro, com Supercopa, Campeonato Carioca, Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores no horizonte. O desempenho de Paquetá nesses torneios vai medir se o investimento recorde se traduz em títulos e retorno financeiro, por meio de premiações, acordos comerciais e fortalecimento da marca. A pergunta que se impõe, agora, é se o Flamengo consegue transformar a contratação mais cara da história em vantagem sustentável em campo, ou se abre um novo capítulo na escalada de gastos do futebol brasileiro sem garantia de equilíbrio a longo prazo.
