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Flamengo joga final antecipada contra Sampaio Corrêa para evitar risco de queda

O Flamengo entra em campo neste sábado (7), às 21h, no Maracanã, pressionado por um cenário raro no futebol carioca recente. O time de Filipe Luís precisa vencer o Sampaio Corrêa e torcer por combinação de resultados para avançar às quartas de final do Campeonato Carioca de 2026 e evitar o quadrangular do rebaixamento.

Pressão máxima em noite de Maracanã lotado

O clube que se acostuma a disputar títulos chega à última rodada da Taça Guanabara com apenas quatro pontos em cinco jogos e ocupando a quinta posição do Grupo B. A distância para o bloco de classificação transforma o duelo com o Sampaio Corrêa em final antecipada e expõe um início de temporada turbulento.

O regulamento de 2026 não dá margem para erros. Os seis clubes de cada grupo enfrentam os adversários da outra chave em turno único. Os quatro primeiros avançam às quartas de final, enquanto os dois últimos de cada lado caem no quadrangular do rebaixamento. Nessa fase, os quatro piores jogam entre si em turno e returno, e o último colocado cai para a Série A2 do Estadual.

O cenário coloca o Flamengo diante de um risco simbólico e esportivo significativo. Um dos elencos mais caros do país flerta com a possibilidade de disputar uma miniliga para não ser rebaixado no próprio campeonato estadual. A direção evita declarações públicas mais duras, mas o clima no clube é de alerta total.

Combinação de resultados e elenco sob desconfiança

A conta para escapar da zona de perigo começa pela obrigação de vencer neste sábado. Com três pontos, o Flamengo chega a sete e passa a depender de tropeços de rivais diretos do Grupo B. Portuguesa, Nova Iguaçu, Volta Redonda, Madureira, Bangu e Boavista entram em campo no mesmo horário, em três jogos que completam a rodada decisiva.

Portuguesa x Nova Iguaçu, Volta Redonda x Madureira e Bangu x Boavista correm em paralelo ao duelo do Maracanã e definem as últimas vagas. A matemática rubro-negra não é simples, mas existe margem de classificação com ao menos um dos resultados combinados a seu favor. O empate ainda oferece chance remota, desde que o time consiga tirar diferença de quatro gols de saldo e quatro gols marcados em relação a um concorrente direto, algo considerado improvável internamente. Qualquer derrota leva automaticamente o Flamengo ao quadrangular do rebaixamento.

O peso deste jogo se soma à sequência recente de atuações abaixo do esperado. Desde o início de 2025, o time principal soma apenas uma vitória em cinco partidas oficiais, justamente contra o Vasco pelo Carioca. Em seguida, vieram derrotas para o Fluminense, pelo Estadual, para o São Paulo, no Brasileirão, e para o Corinthians, na Supercopa. O empate com o Internacional, também pelo Brasileiro, termina sob vaias no Maracanã e cristaliza a impaciência da torcida.

Filipe Luís admite em entrevistas que o elenco ainda não está no auge físico. O discurso, porém, já não é suficiente para conter a irritação das arquibancadas. O treinador se vê obrigado a mexer na equipe. A tendência é de um time titular com Rossi; Varela, Vitão, Léo Pereira e Ayrton Lucas; Erick Pulgar, Jorginho e Carrascal; Gonzalo Plata, Samuel Lino e Pedro. Os nomes confirmam a aposta em jogadores de maior capacidade técnica e experiência para um jogo considerado decisivo para a temporada.

Do outro lado, o Sampaio Corrêa tenta aproveitar o momento de instabilidade do rival. O time dirigido por Antônio Carlos Roy deve ir a campo com Zé Carlos; Lucas Carvalho, Lucas Marreta, Guilherme e Daniel Nunes; Pablo, Alexandre Souza, Octávio e Rodrigo Andrade; Luan Gama e Matheus Iacovelli. O roteiro ideal para o clube da Baixada Fluminense é segurar a pressão inicial, explorar os espaços deixados por um Flamengo nervoso e, se possível, aprofundar a crise rubro-negra.

Risco esportivo, impacto financeiro e temporada em jogo

A possibilidade de disputar o quadrangular do rebaixamento vai além do constrangimento esportivo. Um Flamengo ameaçado de queda para a Série A2 altera a percepção de mercado, pressiona patrocinadores e pode mexer no planejamento de receitas. A exposição de marca em um Estadual em que o clube joga para não cair, em vez de brigar pelo título, tem efeito direto em bilheteria, negociações comerciais e até no humor do elenco.

O impacto técnico também é evidente. Um time que entra em campo sob risco de rebaixamento tende a perder espaço para testes, rodagem de elenco e preparação gradual para competições nacionais. A temporada que começa com a Taça Guanabara serve, em geral, como laboratório para o restante do ano. Em 2026, o Flamengo transforma essa fase em linha de corte: ou reage agora, ou carrega uma crise prolongada para o Brasileirão e para os torneios de mata-mata.

A comparação com a história recente ajuda a dimensionar o contraste. Nas últimas décadas, o Flamengo costuma frequentar as cabeças de chave do Carioca, usar reservas em jogos menores e poupar titulares às vésperas de decisões continentais. Em vez disso, joga o futuro imediato em 90 minutos contra o Sampaio Corrêa, no início de fevereiro, com a calculadora na mão e o regulamento sob risco de se tornar inimigo.

Fluminense e Botafogo assistem ao drama à distância. Já classificados às quartas de final, entram em campo no domingo com preocupações distintas. O Tricolor encara o Maricá, já certo no quadrangular do rebaixamento. O Botafogo mede forças com um Vasco ainda em situação indefinida. Os jogos completam um fim de semana em que o mapa das vagas e da zona de risco se redefine em poucas horas.

O que está em jogo para Flamengo e para Filipe Luís

A partida deste sábado funciona como termômetro para o trabalho de Filipe Luís. O treinador estreia em um grande clube sob expectativas altas, carrega a história recente como ídolo em campo e precisa mostrar respostas rápidas à beira do gramado. Uma classificação sofrida alivia a pressão e oferece tempo para ajustes. Uma queda ao quadrangular do rebaixamento abre espaço para questionamentos internos e externos sobre o projeto esportivo para 2026.

O clube calcula cada passo à espera do desfecho. Uma vitória com atuação convincente pode virar ponto de virada na relação com a torcida e devolver confiança a um elenco caro e experiente. Um tropeço mantém aberta a pergunta que inquieta dirigentes, jogadores e arquibancada: até onde o Flamengo está disposto a ir para transformar a má fase em ponto fora da curva, e não em retrato fiel da temporada que se inicia?

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