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Flamengo avança por Lucas Paquetá e acerto final depende do West Ham

Flamengo e West Ham afinam os últimos pontos para o retorno de Lucas Paquetá ao Rio e trabalham com a próxima semana como prazo decisivo, antes do fechamento da janela europeia. O negócio, estimado em até 40 milhões de euros, ainda esbarra na data de liberação do meio-campista.

Negociação em ritmo lento, mas com otimismo

As conversas avançam em caráter cauteloso desde o início de dezembro, quando o estafe de Paquetá aprofunda o diálogo com o departamento de futebol rubro-negro. O clube carioca tem acordo verbal com o jogador desde o começo de 2026 e, a partir daí, o camisa 10 passa a levar ao West Ham o desejo de voltar ao Brasil.

Paquetá conversa primeiro com Nuno Espírito Santo, técnico dos Hammers, e pede para ser negociado. O treinador confirma publicamente a reunião e adota tom pragmático. “Todos sabem minha opinião sobre o Lucas. Nós temos de lidar com a situação dia a dia e tentar encontrar uma solução. Espero que Lucas e o clube possam achar uma solução para que possamos seguir adiante”, declara.

O Flamengo entra oficialmente na disputa depois de se resguardar em relação a valores e forma de pagamento. A primeira proposta, enviada há cerca de uma semana, prevê 35 milhões de euros fixos, algo próximo de R$ 220 milhões, e mais 5 milhões de euros em bonificações por metas esportivas, cerca de R$ 30 milhões na cotação atual.

O West Ham responde com uma contraproposta. Aceita o valor total de 40 milhões de euros, hoje em torno de R$ 250 milhões, mas quer alterar a estrutura do negócio. A equipe inglesa tenta aumentar a fatia variável, alongar prazos de pagamento e, principalmente, segurar o jogador até o fim da temporada europeia.

Dirigentes do Flamengo encaram a demora como parte do jogo. O clube sabe que negocia com um time da Premier League em meio à luta contra o rebaixamento, cenário em que cada atleta decisivo vira ativo estratégico. Internamente, porém, a avaliação é de que o desfecho se aproxima, mesmo com ruídos e ansiedade da torcida nas redes sociais.

Do “até breve” em 2019 ao plano de retorno em 2026

O roteiro atual começa ainda em 2019, quando Paquetá deixa o Flamengo rumo ao Milan. Na despedida, o meia faz questão de deixar a porta aberta. “São 12 anos no Flamengo, bastante tempo de casa. Só tenho que agradecer à instituição Flamengo por tudo o que fez por mim. Não é um adeus, é um até breve”, diz o jogador, então com 21 anos.

O vínculo afetivo resiste à passagem por Milan, Lyon e West Ham. O ponto de virada recente vem após o julgamento no caso de apostas esportivas conduzido pela Federação Inglesa. A partir desse momento, o jogador confidencia a pessoas próximas que enxerga o retorno ao Flamengo como caminho natural. A gratidão ao West Ham, clube que o ampara durante a investigação, segura qualquer movimento brusco por alguns meses.

O equilíbrio entre gratidão e desejo pesa nas decisões de fim de ano. Paquetá recebe sondagens de clubes da Itália e da própria Inglaterra. O West Ham vê espaço para mantê-lo na vitrine europeia, mas o meia opta por priorizar o Flamengo. Com o acordo verbal costurado com o Rubro-Negro, ele passa a agir de forma mais objetiva nos bastidores londrinos para viabilizar a transferência.

A lentidão do processo contrasta com a expectativa inicial da torcida, que imagina um acerto relâmpago assim que o interesse vem a público. O calendário, porém, impõe seu peso. A janela de inverno na Europa caminha para a reta final, enquanto o Flamengo planeja o elenco para toda a temporada brasileira, que inclui Campeonato Carioca, Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores.

O principal nó está na data de apresentação. O West Ham tenta segurar Paquetá até o fim da temporada inglesa, argumentando que precisa do meia na briga contra a parte de baixo da tabela. O Flamengo insiste em liberação imediata ou, no máximo, em prazo curto, para integrá-lo ainda no primeiro semestre e evitar que a contratação chegue já com o ano em andamento.

Impacto esportivo e mercado em alerta

A volta de Paquetá, se confirmada, mexe com o patamar do meio-campo rubro-negro. Aos 28 anos, com rodagem em três grandes ligas europeias e presença em Copa do Mundo, o meia agrega criação, chegada à área e bola parada em alto nível. A diretoria trata o negócio como um investimento pesado para potencializar o time em jogos decisivos da Libertadores e dos mata-matas nacionais.

O valor de até 40 milhões de euros consolida o Flamengo como protagonista no mercado sul-americano. Poucos clubes fora da Europa operam cifras nessa faixa, o que amplia o efeito vitrine do acerto. Um retorno nesse porte também recoloca o Brasil como opção competitiva para jogadores em idade de auge técnico, e não apenas para fins de carreira.

O mercado reage. Clubes europeus monitoram o desfecho, atentos ao impacto nos preços de futuras negociações com equipes brasileiras. Dirigentes nacionais veem a movimentação como referência de teto financeiro e modelo de operação, com bônus por metas e maior espaçamento dos pagamentos.

Na arquibancada, a possível chegada de Paquetá alimenta o imaginário de um time ainda mais ofensivo e técnico. A lembrança do jovem formado na base, que se despede em alta em 2019, reforça o discurso de identidade e pertencimento que a diretoria explora para engajar a torcida. A demora, no entanto, também cobra seu preço em forma de ansiedade e desconfiança, sobretudo quando rumores de outros interessados surgem na imprensa internacional.

Semana decisiva e cenário em aberto

A próxima semana se desenha como ponto de inflexão. Flamengo e West Ham precisam ajustar a data exata de liberação, o desenho dos bônus por metas e o calendário de pagamentos antes do fechamento da janela europeia. Pessoas envolvidas nas conversas falam em “estágios finais”, mas evitam cravar o anúncio.

Nos bastidores do Ninho do Urubu, o planejamento esportivo já considera versões distintas de elenco, com e sem Paquetá, para o início das competições mais pesadas do calendário. Em Londres, a direção dos Hammers calcula o risco de perder um titular na reta final da Premier League e busca garantias financeiras que compensem a perda técnica.

O desfecho da novela tende a influenciar outras negociações, dentro e fora do Brasil, e a calibrar expectativas da torcida sobre o poder de investimento do Flamengo nas próximas janelas. Enquanto o acordo não se materializa em assinatura e foto oficial, a pergunta segue em aberto: até quando o desejo público de Lucas Paquetá e o apetite financeiro rubro-negro serão suficientes para dobrar a resistência inglesa?

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