Filipe Luís atribui derrota do Flamengo ao Flu a falta de treino
Filipe Luís coloca a falta de treino e de ajustes finos como a principal explicação para a derrota do Flamengo para o Fluminense neste domingo (25), no Maracanã. Em entrevista coletiva após o clássico, o técnico interino admite que o time cai nos “mínimos detalhes” e vê risco real de disputar o quadrangular do rebaixamento no Campeonato Carioca.
Derrota em clássico expõe fragilidades do início de temporada
O 2 a 1 sofrido no Maracanã, em partida marcada por forte chuva e campo pesado, deixa o Flamengo pressionado logo em janeiro de 2026. O time chega à reta final da fase de grupos do Carioca com um jogo a mais que os rivais diretos e apenas mais um compromisso para tentar evitar o vexame de brigar contra o rebaixamento.
No vestiário, a leitura é de que a queda não vem de um apagão isolado, mas de um processo incompleto. Filipe Luís destaca que o elenco ainda não atua em sua força máxima, convive com limitações físicas e entra em campo sob um planejamento controlado de minutos. A combinação de condicionamento em construção e pouco tempo para treinar, segundo ele, cobra preço alto num clássico decidido em lances pontuais.
“Hoje foi um jogo descaracterizado nesse sentido, até nas trocas. Um jogo equilibrado, tivemos chances para abrir o placar, eles também e acabaram abrindo. A partir daí, ganharam muita confiança, conseguiram fazer o segundo gol de escanteio. Mas um jogo equilibrado, que foi resolvido nos mínimos detalhes, que precisamos treinar. Talvez perdemos por falta de treino”, admite o treinador rubro-negro.
O gol de Everton Cebolinha mantém o Flamengo vivo na partida, mas não altera a impressão de uma equipe que reage tarde, se desorganiza em lances-chave e não sustenta intensidade por 90 minutos. Do outro lado, o Fluminense aproveita o momento de instabilidade para retomar confiança após semanas de críticas e chega à vitória com atuação segura de John Kennedy, decisivo em mais um Fla-Flu.
Nas arquibancadas, a paciência se desgasta. A estreia do goleiro Andrew vira assunto entre torcedores, que misturam empatia e preocupação. “Coitado”, resumem muitos, diante de um jovem lançado à fogueira num dos jogos mais tensos deste início de temporada. A atuação do sistema defensivo como um todo, porém, alimenta a discussão sobre a montagem do elenco e a proteção oferecida ao estreante.
Pressão cresce no Carioca e respinga nas grandes competições
A situação no Grupo B é desconfortável. Com um jogo a mais na tabela, o Flamengo tem apenas mais uma partida para tentar mudar a própria história na primeira fase, contra o Sampaio Corrêa. Para avançar, precisa vencer e ainda torcer por tropeços de Nova Iguaçu e Madureira. O cenário abre a porta para um desfecho que o clube não contempla há décadas: o risco concreto de jogar o quadrangular do rebaixamento, com mais duas partidas no calendário.
“É uma possibilidade. Temos que ganhar o próximo jogo. Dependemos de resultados”, reconhece Filipe Luís. O técnico evita transformar o Carioca em drama antecipado, mas não ignora o impacto de uma campanha ruim logo no primeiro torneio do ano. Dentro do clube, há o temor de que a turbulência estadual contamine a preparação para o que importa mais: o Campeonato Brasileiro e a Libertadores.
O próprio treinador reforça essa hierarquia. “No momento em que estamos, a prioridade é o próximo jogo. Vamos começar o Brasileiro, a prioridade é vencer esse jogo. Um título lindo que é o da Supercopa, que já temos três. Temos uma oportunidade linda de conquistar títulos e o planejamento agora é deixar os jogadores na melhor forma física e competir para lutar por tudo”, afirma. O discurso tenta equilibrar a cobrança por resultado imediato com a ideia de um projeto de temporada mais longo.
Nos bastidores, a preparação física dita parte das escolhas. Pedro e Bruno Henrique atuam apenas 45 minutos cada, em decisão combinada com o departamento físico. Alex Sandro sai aos 60 minutos, enquanto Guillermo Varela tem apenas meia hora liberada. As trocas obedecem ao planejamento e tiram margem de manobra tática em um clássico que pede respostas rápidas do banco. Filipe Luís assume o risco e bancará, agora, as consequências esportivas e políticas da opção.
Entre torcedores e analistas, a avaliação se divide. Há quem veja coerência em preservar peças-chave às vésperas do Brasileiro e da Supercopa, lembrando o calendário apertado e o histórico de lesões de alguns titulares. Outro grupo enxerga excesso de cautela e falta de repertório coletivo para compensar as ausências, especialmente quando o rival entra em campo com força próxima da ideal.
São Paulo, Supercopa e o desafio de estancar a oscilação
O Flamengo volta a campo já na quarta-feira (28), às 21h30, contra o São Paulo, fora de casa, na estreia pelo Campeonato Brasileiro. A partida antecede a decisão da Supercopa contra o Corinthians, marcada para domingo (1º de fevereiro). Em sete dias, o time precisa reagir, organizar o jogo coletivo e apresentar sinais claros de evolução física e tática. Cada tropeço, a partir de agora, pesa não só na tabela, mas também na confiança do elenco e da torcida.
Filipe Luís foca no curto prazo. “No momento, a única coisa que está na minha cabeça é o jogo do São Paulo, que vou começar a preparar a partir de amanhã. Vamos analisar o jogo de hoje, com certeza temos muitas coisas a melhorar e corrigir. A derrota de hoje nos deixa essas lições para poder chegar no melhor possível contra o São Paulo e na Supercopa”, projeta. O Carioca, por ora, fica em segundo plano na rotina do Ninho do Urubu, mas volta ao centro do debate assim que a fase de grupos terminar.
A diretoria tenta blindar o elenco enquanto negocia reforços e avalia o mercado, com nomes como Lucas Paquetá permanentemente no radar. A cada desempenho abaixo do esperado, porém, cresce a cobrança por respostas rápidas, seja em campo, seja no planejamento. Em janeiro, o Flamengo se vê diante de um ponto de inflexão: ou transforma o alerta de Filipe Luís sobre “falta de treino” em mudança concreta de rota, ou corre o risco de carregar para todo o ano a marca de um início vacilante demais para as ambições que declara ter.
