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Filipe Luís admite falta de profundidade e confiança em derrota do Fla

Filipe Luís admite que o Flamengo joga sem profundidade, com pouca circulação de bola e baixa confiança na derrota para o Lanús, em 19 de fevereiro de 2026, na Argentina. O técnico reconhece a superioridade do rival e diz que o time sofre para sair da pressão e criar chances no jogo de ida da Recopa Sul-Americana.

Flamengo sofre, cria pouco e vê Lanús dominar a ida

O Flamengo sai de Lanús com muito mais dúvidas do que respostas. No estádio do rival argentino, o time praticamente não pisa na área adversária e finaliza apenas uma vez ao gol em 90 minutos. Filipe Luís não tenta dourar o cenário e descreve uma equipe travada, incapaz de avançar o campo e de manter a bola sob controle.

O treinador fala em falta de profundidade, o termo usado no futebol para traduzir a capacidade de atacar o espaço às costas da defesa. Na prática, o Flamengo se acomoda longe da área, troca poucos passes sob pressão e oferece pouco perigo. “Nossa posição era sem profundidade, mais passiva. Foram melhores. Vitória justa, agora temos que reverter isso na nossa casa”, afirma.

O contexto pesa. O jogo de ida da Recopa, torneio que reúne o campeão da Libertadores e o da Sul-Americana, acontece em um momento de instabilidade do Flamengo na temporada. A equipe já vinha alternando boas atuações e partidas travadas desde janeiro. Na Argentina, o padrão se repete com intensidade maior, agora diante de um adversário que sabe exatamente o que quer fazer.

Filipe reconhece que o Lanús executa melhor seu plano. Os argentinos usam bolas longas, brigam pela segunda bola e comprimem o Flamengo em seu próprio campo. “Eles foram superiores, competiram melhor, era claro como queriam jogar, souberam jogar muito bem como queriam, que era incomodar com a bola longa e conseguir a segunda bola. Na hora de jogar, conseguiram defender bem, não conseguimos circular a bola quase nunca”, resume.

Time travado, confiança em baixa e escolhas sob pressão

O técnico aponta um problema central: a confiança. Segundo ele, o grupo sente o peso dos resultados oscilantes, erra decisões simples e se encolhe à medida que o jogo avança. “Quando as coisas não funcionam, ele vai errando, tomando decisões que não são as melhores, e o time inteiro vai sentindo isso. Está acontecendo nesse momento específico”, admite.

Com a bola, o Flamengo parece sempre um segundo atrasado. Filipe cita o gramado seco, o vento forte e o desconforto dos jogadores com as condições da noite argentina. Lembra que o time passa a maior parte do tempo recuado, defendendo perto da própria área, em vez de empurrar o Lanús para trás. “Sem bola, o adversário fez sofrer com volume. Isso incomodou muito nossa equipe porque fez a gente defender dentro da área em vez de jogar no campo deles”, diz.

A escalação sem um centroavante de origem no início da partida vira tema imediato. O treinador justifica a opção com o argumento físico. Ele afirma que tenta preservar e equilibrar o elenco diante da intensidade esperada na Argentina. “Sabendo que no segundo tempo poderia fazer uma mistura de jogadores para equilibrar com a entrada do Pedro e com o Arrasca”, explica, citando Pedro e Arrascaeta como peças previstas para mudar o cenário após o intervalo.

A estratégia não se converte em controle de jogo. Mesmo com a entrada de nomes mais pesados, o Flamengo continua sem profundidade. Filipe insiste nesse ponto como a chave para destravar duelos como o desta quarta-feira. “Continuamos faltando o que é essencial para desbloquear um jogo assim, que é profundidade. Jogaram confortáveis, sempre pressionando e saltando na viagem da bola. Incomodamos muito pouco a profundidade, é algo que temos que melhorar urgentemente”.

A falta de fluidez também atinge os protagonistas técnicos da equipe. Lucas Paquetá, um dos principais nomes do elenco, rende menos do que se espera. O treinador evita personalizar a cobrança e liga o desempenho individual ao coletivo. “O que falta ao Paquetá é o que falta à equipe também. Um jogador não joga sozinho e depende de toda a equipe para que ele cresça”, afirma, lembrando que, contra o Botafogo, o meia se destaca justamente porque o time funciona melhor.

Recopa em risco e pressão por resposta imediata

A derrota na ida complica o plano do Flamengo na Recopa e acende um alerta para a temporada. Em 2026, a conquista do título sul-americano é tratada internamente como termômetro para medir a competitividade da equipe em torneios continentais. Agora, o time chega ao jogo de volta pressionado a vencer por dois gols de diferença no Maracanã para não depender de critérios adicionais.

O desempenho abaixo do esperado reforça questionamentos sobre a montagem do elenco, a condição física de jogadores-chave e as escolhas táticas recentes. Filipe admite que participa da construção do grupo, mas lembra que a responsabilidade formal é da diretoria de futebol. Ainda assim, sabe que as críticas se concentram no campo. “Claro, o jogo não foi como esperávamos, então vão existir justas críticas pela minha escolha, mas escolhi pensando no que era melhor para a nossa equipe”, reconhece.

O treinador descreve um trabalho em andamento para encontrar soluções com o que tem à disposição. A adaptação às características dos adversários se torna uma necessidade, não uma opção. “Eu sempre tenho que adaptar segundo o que eu acredito que serão os jogos. Se um time encaixa uma pressão individual no teu campo, o espaço está nas costas. Enquanto isso, eu tenho que achar soluções com que tenho, e isso é o meu trabalho”, afirma.

Pedro, visto como peça determinante em decisões recentes do clube, permanece no centro da discussão. Filipe evita cravar titularidade automática e reforça que a escalação dependerá de contexto físico e tático. “Colocarei a equipe que for melhor para poder ganhar. A partir daí, os jogadores escalados, estando o Pedro ou não, será a equipe que eu creio que será a melhor para vencer”, diz.

Volta no Maracanã, obrigação de reação e futuro em jogo

O Maracanã recebe o jogo de volta com um clima de cobrança nítido. Parte da torcida já manifesta impaciência com atuações recentes e com a dificuldade do time em impor seu estilo fora do Brasil. Filipe admite que o torcedor tem razão ao reclamar da atuação “abaixo” na Argentina, mas tenta blindar o elenco e projetar uma virada. “Acredito que podemos reverter na volta, estou totalmente convencido disso. E vou transmitir isso aos jogadores”, promete.

A Recopa, descrita pelo treinador como “uma competição muito linda”, vira também um teste de caráter. “É um privilégio estar aqui, e nós temos a obrigação de fazer o melhor possível. Entregar tudo o que temos e deixar nossa vida dentro de campo. Obrigação de ganhar não existe no futebol. Ninguém controla o resultado”, afirma. O discurso não reduz o tamanho da responsabilidade: o Flamengo precisa reagir já, sob risco de começar 2026 acumulando frustrações em vez de títulos.

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