Felipe Melo sai em defesa de Valentim e mira críticas em Sampaoli
Felipe Melo sai em defesa de Alberto Valentim e mira Jorge Sampaoli após o empate por 1 a 1 entre América e Atlético, na quarta-feira (21), pela 4ª rodada do Campeonato Mineiro, na Arena Independência. Nas redes sociais, o ex-volante e comentarista do Grupo Globo critica a postura do técnico argentino à beira do campo e cobra desempenho da equipe alvinegra.
Clássico quente vira palco para debate sobre técnicos
O clássico em Belo Horizonte termina com gol para cada lado e uma imagem que rapidamente domina o noticiário: Valentim e Sampaoli se encaram na área técnica e precisam ser contidos por jogadores. O clima esquenta ainda no primeiro tempo, depois da anulação de um gol do Atlético, quando a discussão quase sai do controle e beira o confronto físico.
A cena, registrada por Mourão Panda, do lado americano, e Pedro Souza, do lado atleticano, chega às redes em poucos minutos e alimenta versões e julgamentos. É nesse ambiente que Felipe Melo, aposentado dos gramados mas ativo como voz influente no debate esportivo, decide se posicionar. Pelos stories do Instagram, o ex-volante se apresenta como “conhecedor de confusão” e faz questão de tirar peso da atitude de Valentim.
Felipe questiona o tratamento dado a técnicos brasileiros e estrangeiros no país e transforma o episódio em exemplo dessa diferença de cobrança. “Sem generalizar, obviamente, porque não são todos, mas eu já vi aí treinador brasileiro brigar, alçar a voz e a mídia, uma parte, cair em cima. Aí o gringo, será que vão falar alguma coisa? O cara queria brigar com o Valentim. Aí vamos falar o quê?”, dispara, ao comentar o lance da beira do gramado.
Crítica direta ao desempenho de Sampaoli e do Atlético
O alvo de Felipe Melo não é apenas o comportamento de Jorge Sampaoli. O comentarista mira o que considera um rendimento abaixo do potencial do Atlético sob o comando do argentino. Em uma das publicações, ele cobra explicações para a oscilação recente e resgata a eliminação para o Lanús, em 2025, em tom de cobrança. “É o quê? Para justificar que o time não tá jogando bem? Tá devendo, pô. Ano passado perderam por Lanús. Com todo respeito, mas perderam por Lanús. Tem um um puta time bom nas mãos, material humano para fazer muito bom trabalho e não tá fazendo. Não tá fazendo”, afirma.
O empate por 1 a 1, na quarta rodada do Estadual, intensifica a sensação de que o time de Sampaoli ainda não responde como esperado em 2026, mesmo com investimento alto e elenco farto. O clássico, que em outros anos serve como vitrine para a superioridade técnica alvinegra, desta vez expõe fragilidades. Em vez de discussão sobre tática e construção de jogo, o pós-partida gira em torno da briga, do gestual dos treinadores e da necessidade de colocar limites na linha lateral.
Para Felipe Melo, o comportamento de Sampaoli desvia o foco do principal: os 90 minutos. “Tá querendo brigar com todo mundo, acaba o jogo e quer brigar com árbitro. Vocês têm 90 minutos para tentar ganhar o jogo, aí não ganha o jogo, quer brigar com árbitro, quer brigar com o treinador rival. Aí os seus jogadores, tem que ficar tirando você de briga, um monte de coisa”, critica. Ao associar postura e desempenho, ele aponta para o impacto psicológico da turbulência no rendimento dos atletas.
Debate sobre disciplina, mídia e próximos capítulos
A fala de Felipe Melo reacende uma discussão que atravessa a última década no futebol brasileiro: a relação com técnicos estrangeiros e o tipo de blindagem que parte da mídia oferece a eles. O ex-volante não questiona a qualidade dos profissionais de fora, mas indica um desequilíbrio na forma como erros e excessos são tratados quando o protagonista não é brasileiro. O episódio na Arena Independência vira exemplo concreto, com data, lugar e personagens conhecidos.
O impacto atinge mais do que a imagem de Jorge Sampaoli ou de Alberto Valentim. O recado público pressiona também clubes e dirigentes, que veem a disciplina à beira do campo ganhar peso semelhante ao desenho tático. Uma explosão verbal, um empurrão ou um gesto mais agressivo podem custar suspensões, desgastar o vestiário e interferir diretamente na performance em campo. No Mineiro, em que cada ponto conta na briga por liderança de grupo e vantagem em mata-mata, detalhes de comportamento ganham valor quase tão alto quanto uma contratação de peso.
As reações nas redes sociais, ainda na noite de 21 de janeiro, mostram torcedores divididos. Parte enxerga em Felipe Melo um porta-voz dos técnicos brasileiros, frequentemente criticados por “falta de estudo” ou “futebol atrasado”. Outra parcela acusa o ex-jogador de personalizar uma cobrança que deveria mirar o sistema, não um treinador específico. De um lado, Valentim ganha um aliado inesperado. Do outro, Sampaoli vê o debate sobre seu trabalho no Atlético ganhar um componente emocional que extrapola o gramado.
O clássico mineiro, que entra na tabela como apenas a quarta rodada de um Estadual de 2026, se transforma em laboratório para temas que tendem a acompanhar a temporada: limite da agressividade na área técnica, influência da mídia na narrativa sobre treinadores e capacidade dos clubes de controlar o ambiente em jogos de alta rivalidade. A expectativa agora recai sobre as próximas apresentações de América e Atlético, as entrevistas dos dois treinadores e possíveis manifestações oficiais dos clubes ou da federação.
Felipe Melo cumpre, mais uma vez, o papel de personagem que não evita confronto de ideias e atrai os holofotes para o que fala. Resta ver se a crítica pública vai provocar mudanças concretas na postura à beira do campo ou se o episódio ficará restrito a mais um capítulo de tensão em clássicos mineiros. O comportamento dos técnicos nos próximos jogos, e a disposição da mídia em manter o mesmo nível de cobrança para todos, deve indicar qual caminho o debate sobre disciplina e autoridade no futebol brasileiro seguirá em 2026.
