Felipe Melo critica Vegetti por curtida em post da demissão de Diniz
Felipe Melo reprova publicamente, neste domingo (22), a atitude de Pablo Vegetti ao curtir a postagem oficial do Vasco anunciando a demissão de Fernando Diniz, após a derrota para o Fluminense pela semifinal do Carioca. O ex-volante chama o gesto do atacante, hoje no Cerro Porteño, de “feio” e desrespeitoso.
Crítica em rede nacional após derrota no clássico
O comentário surge poucas horas depois do 1 a 0 do Fluminense sobre o Vasco, no Estádio Nilton Santos, pela ida da semifinal do Campeonato Carioca. A derrota deste domingo, somada ao desgaste interno, leva a diretoria vascaína a comunicar a demissão de Fernando Diniz ainda na noite de 22 de fevereiro de 2026.
No programa “Fechamento”, do Sportv, Felipe Melo analisa o momento do clube e, em meio à discussão sobre a saída do treinador, traz à tona a reação de Vegetti nas redes sociais. O argentino curte a publicação oficial que informa o fim do trabalho de Diniz em São Januário, gesto que repercute entre torcedores e comentaristas.
Felipe Melo não suaviza a crítica. “A demissão é justa. Porque existem momentos, e sou muito fã do Diniz, que de fato chega um momento que precisa de uma separação”, afirma. Ele lembra que o técnico perde força no vestiário à medida que líderes deixam o elenco e conflitos se acumulam.
O ex-volante menciona episódios recentes. “Com a saída de alguns líderes, o treinador vai perdendo o elenco. Acredito nisso. O Diniz é um cara que melhorou, mas às vezes briga com o jogador. O que aconteceu com o Nuno, Jardim, isso faz com que alguns atletas se afastem um pouco”, analisa, ao vivo, ao relacionar o desgaste às decisões de bastidor.
Na sequência, ele volta o foco para Vegetti e eleva o tom. “A saída do Vegetti e do Coutinho deve ter interferido no clima. Talvez o Diniz tenha ficado mais distante dos jogadores. Agora, é muito complicado, no meu modo de pensar, que um Vegetti da vida, que passou pelo Vasco e não ganhou nenhum título, esteja aí curtindo foto de demissão do Diniz”, dispara.
Felipe Melo contrasta o ex-camisa 99 com Philippe Coutinho, que também deixa o clube em meio à turbulência. “Pelo contrário, é um cara que foi para o Cerro Porteño. Não é igual ao Philippe Coutinho, que é um gigante do futebol. Acho que nem título ele tem na carreira. É feio”, conclui, ao condenar a postura pública do atacante.
Derrota, vaia e ruptura no comando do Vasco
A crítica de Felipe Melo ecoa em um ambiente já tenso. No Nilton Santos, o Vasco passa os 90 minutos sob pressão. O Fluminense domina o primeiro tempo, força erros na saída de bola e abre o placar aos 31 minutos, em jogada ensaiada de escanteio: Bernal desvia de cabeça e Kevin Serna finaliza no canto de Léo Jardim.
A torcida vascaína, maioria entre os mais de dezenas de milhares presentes, reage com impaciência. O time cria pouco, depende de bolas alçadas na área e vê Fábio controlar as finalizações, como no chute de fora da área de Johan Rojas, que obriga boa defesa. No intervalo, o técnico Fernando Diniz vira alvo direto. As vaias se concentram no banco de reservas e reforçam a sensação de ruptura.
O clássico mantém o clima inflamado. Aos 23 minutos da etapa inicial, Luis Zubeldía, técnico tricolor, é expulso por invadir o campo e reclamar da arbitragem após falta em Robert Renan. Nem isso muda o controle do Fluminense até metade do segundo tempo.
O roteiro só se altera aos 17 minutos da etapa final, quando Bernal recebe cartão vermelho ao parar contra-ataque puxado por Adson. Com um jogador a mais, o Vasco passa a ocupar o campo ofensivo, aumenta a posse de bola e ronda a área tricolor, mas segue previsível. A circulação lenta e a falta de jogadores entre as linhas defensivas do rival limitam o perigo.
O Fluminense, mesmo acuado, administra a vantagem até o apito final e leva para o jogo de volta a condição de se classificar com um simples empate à final do Carioca. O desfecho acentua a pressão sobre Diniz, que já convive com questionamentos sobre gestão de elenco e desgaste com atletas desde o início da temporada.
Horas depois, a direção vascaína decide encerrar o ciclo. Em nota publicada nas redes, o clube confirma a saída de Fernando Diniz e, em paralelo, anuncia Bruno Lazaroni como treinador interino enquanto busca um sucessor em caráter definitivo. Internamente, a meta é concluir essa escolha em poucos dias, para não comprometer o planejamento para o restante de 2026.
Respeito em xeque e pressão sobre o futuro do clube
A curtida de Vegetti na postagem da demissão de Diniz torna-se símbolo do racha emocional em torno do Vasco. Para parte da torcida, a reação do argentino reforça a sensação de que o treinador perde o vestiário e rompe pontes com jogadores. Para outros, a atitude soa como deslealdade com um profissional recém-demitido e com quem dividiu vestiário até poucos meses antes.
A fala de Felipe Melo alimenta esse debate. Ao destacar que Vegetti deixa o clube sem conquistas expressivas e hoje defende o Cerro Porteño, o ex-volante questiona o lugar de fala do atacante. Na leitura dele, há um limite ético para a comemoração pública da queda de um técnico, mesmo em tempos de redes sociais e reações instantâneas.
O episódio surge em um momento em que o Vasco tenta reconstruir a relação com sua torcida após mais uma eliminação em mata-mata estadual. As manifestações nas arquibancadas e nas redes indicam pouca paciência com a sequência de mudanças de comando. Só nos últimos anos, o clube convive com diferentes projetos interrompidos antes de completarem uma temporada cheia.
As saídas recentes de nomes como Vegetti e Philippe Coutinho, citadas por Felipe Melo como perdas de liderança, ajudam a explicar a instabilidade. A perda de referências no elenco enfraquece o poder de convencimento de qualquer treinador e torna o ambiente mais suscetível a rachas internos e manifestações públicas de insatisfação, como a que agora envolve o ex-camisa 99.
A curto prazo, o foco recai sobre Bruno Lazaroni, responsável por conduzir o time ao menos até a definição de um novo técnico. Ele herda um elenco pressionado, um vestiário em ebulição e uma torcida dividida entre apoiar a ruptura com Diniz ou lamentar a repetição de um ciclo de demissões que não resolve problemas estruturais.
Próximos passos e uma pergunta em aberto
Nas próximas semanas, a diretoria do Vasco precisa conciliar três frentes: escolher o substituto de Fernando Diniz, estancar a sangria de lideranças do elenco e reconstruir a confiança com a torcida. O clube trata a definição do novo treinador como urgente, já que as próximas competições nacionais exigem estabilidade mínima e um plano claro de jogo.
A repercussão das palavras de Felipe Melo e da curtida de Vegetti tende a seguir alimentando debates na mídia esportiva e nas redes sociais. O episódio extrapola o caso individual e expõe um dilema mais amplo sobre limite de exposição, respeito entre profissionais e responsabilidade em tempos de engajamento digital. Resta saber se o Vasco consegue transformar essa crise em ponto de virada ou se a imagem de um clube em permanente turbulência continuará a pautar o noticiário ao longo de 2026.
