Ciencia e Tecnologia

Falha em foguete SLS obriga NASA a rever lançamento da Artemis 2

A NASA decide neste sábado (21) retirar o foguete Space Launch System (SLS) da plataforma 39B, na Flórida, após detectar um problema no estágio superior. A falha interrompe o fluxo de hélio do sistema de propulsão e coloca em xeque o lançamento da missão Artemis 2, antes previsto para a primeira quinzena de março de 2026.

Problema surge após ensaio considerado “excelente”

O contratempo aparece poucas horas depois de a própria agência espacial celebrar um ensaio de lançamento bem-sucedido. Técnicos haviam informado que o teste do SLS, realizado no Centro Espacial Kennedy, não mostrava anomalias relevantes. Na noite de sexta-feira (20), porém, uma varredura de rotina detecta uma interrupção no fluxo de hélio no estágio superior do foguete, responsável por pressurizar tanques e garantir o funcionamento seguro da propulsão.

Jared Isaacman, administrador da NASA, confirma o problema em publicação na rede X, antigo Twitter. Ele afirma que a falha “quase certamente afetará a janela de lançamento de março” e antecipa que o SLS deve deixar a plataforma para voltar ao Edifício de Montagem de Veículos (VAB), onde passará por inspeção detalhada. O movimento, conhecido como rollback, costuma significar semanas adicionais de trabalho.

O planejamento original previa que a Artemis 2 tivesse janelas de lançamento entre 6 e 9 de março, com uma nova oportunidade no dia 11. Se o foguete não estiver pronto até lá, a missão só volta a ter chance de decolagem pelo menos três semanas depois. Estimativas citadas por especialistas indicam janelas em abril nos dias 1º, 3, 6 e 30, dependendo do alinhamento orbital entre Terra e Lua.

O fator astronômico não é detalhe. Para que a cápsula Orion complete a trajetória planejada, a Lua precisa estar em posição específica em relação à Terra. Esse arranjo reduz o consumo de combustível, garante a duração prevista da viagem e mantém margens de segurança para um eventual retorno de emergência. Sem esse encaixe de datas e ângulos, o voo simplesmente não acontece.

Atraso pressiona cronograma lunar e parcerias internacionais

A Artemis 2 tem papel central na estratégia lunar da NASA. A missão leva três astronautas americanos e uma agente canadense em um voo de cerca de 10 dias ao redor da Lua, sem pouso, antes do retorno à Terra dentro da cápsula Orion. Será o primeiro teste tripulado do programa, que pretende marcar o retorno de humanos à vizinha desde a era Apollo, encerrada em 1972.

O adiamento forçado da decolagem pressiona o cronograma da própria Artemis. Cada atraso no SLS empurra para a frente os próximos passos, incluindo a Artemis 3, planejada para levar uma tripulação ao solo lunar em uma data ainda em revisão. Também afeta a coordenação com parceiros internacionais, em especial o Canadá, que ocupa lugar de destaque na missão com a presença de uma astronauta na tripulação inaugural.

Os impactos não são apenas simbólicos. Janelas de lançamento perdidas significam equipes mobilizadas por mais tempo, contratos estendidos e custos adicionais de manutenção de solo. Sistemas criogênicos, que armazenam combustíveis em temperaturas extremas, exigem ciclos de resfriamento, abastecimento e esvaziamento sempre que o foguete sobe ou desce da plataforma, em um trabalho caro e delicado. Em um programa que já soma dezenas de bilhões de dólares desde sua concepção, cada semana conta.

A imagem da NASA também entra em jogo. O SLS enfrenta críticas desde o início por atrasos sucessivos e orçamentos estourados. Outro problema técnico, agora às vésperas do primeiro voo tripulado da nova era lunar, reaviva dúvidas sobre a confiabilidade do projeto. A agência insiste que a prioridade permanece a segurança dos quatro integrantes da Artemis 2, ainda que isso signifique perder mais uma janela de lançamento e reordenar toda a agenda lunar.

Inspeção minuciosa e incerteza sobre nova data

A retirada do SLS da plataforma 39B abre uma fase de diagnóstico minucioso. Engenheiros precisam entender por que o fluxo de hélio é interrompido no estágio superior, se o defeito está em válvulas, tubulações, sensores ou no software de controle. Só depois dessa análise a NASA define se é possível corrigir o problema em semanas ou se será necessário um redesenho mais profundo de componentes.

A tripulação segue em treinamento intensivo enquanto espera por uma nova previsão de decolagem. Simulações de voo, procedimentos de emergência e ensaios com a Orion continuam em paralelo, para evitar que a pausa técnica se transforme em perda de proficiência. O objetivo é que, quando o foguete voltar ao topo da 39B, a equipe esteja pronta para voar sem novos adiamentos.

A Artemis 2 carrega um peso simbólico que vai além de quatro assentos ocupados. O sucesso ou fracasso do lançamento define o ritmo com que a humanidade volta a orbitar a Lua de forma regular e prepara terreno para bases permanentes e futuras viagens a Marte. A decisão de voltar o SLS ao VAB mostra que o programa ainda engatinha em terreno frágil, dividido entre ambição e cautela. A próxima data anunciada pela NASA não será apenas um novo número no calendário; será um teste concreto de quanto a agência está disposta a esperar para garantir um retorno seguro à vizinha mais próxima da Terra.

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