Explosões em aeroporto de Teerã agravam confronto entre Irã, EUA e Israel
Explosões e incêndios atingem o aeroporto de Mehrabad, em Teerã, nas primeiras horas deste sábado (7), em meio à troca de ataques entre Irã, Estados Unidos e Israel. O regime iraniano reage com ofensivas contra bases americanas em países aliados de Washington no Oriente Médio, ampliando o risco de uma guerra regional de grandes proporções.
Aeroporto em chamas e capital sob tensão
O aeroporto de Mehrabad, um dos mais antigos e movimentados de Teerã, aparece em chamas em vídeo que circula nas redes sociais e é geolocalizado pela CNN. As imagens mostram grandes focos de fogo na área aeroportuária e colunas de fumaça se espalhando pelo céu, enquanto sirenes ecoam na capital iraniana.
A emissora estatal do Irã confirma que explosões são ouvidas em diferentes pontos da cidade. Relatos de moradores citam estrondos sucessivos nas zonas leste e oeste de Teerã, pouco depois das 4h locais. Autoridades não divulgam, até o momento, dados consolidados sobre mortos ou feridos, mas admitem danos em instalações de infraestrutura crítica.
O ataque ocorre dias após Estados Unidos e Israel iniciarem, no sábado (28), uma ampla ofensiva contra alvos iranianos, sob a justificativa de conter o programa nuclear do país persa. Segundo o Pentágono, a operação envolve dezenas de bases e uma campanha aérea contínua, com o objetivo declarado de reduzir a capacidade de mísseis balísticos de Teerã.
O governo iraniano atribui a ofensiva diretamente a Washington e a Tel Aviv e a enquadra como agressão contra sua soberania. O clima na capital é de cerco permanente, com relatos de reforço na defesa antiaérea e movimentação intensa de unidades da Guarda Revolucionária em bairros estratégicos da cidade.
Retaliação em cadeia no Oriente Médio
A resposta do Irã não se limita ao território israelense. O regime dos aiatolás passa a mirar países que abrigam bases militares dos Estados Unidos, como Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque. Fontes regionais relatam o uso combinado de drones e mísseis de cruzeiro em diferentes ondas de ataque.
Na Arábia Saudita, o Ministério da Defesa afirma ter interceptado e destruído quatro drones que se dirigiam ao campo petrolífero de Shaybah, uma das joias da infraestrutura energética saudita. O episódio expõe o risco direto para o mercado global de petróleo, que depende, em mais de 20%, das exportações combinadas de países do Golfo.
Em Israel, a agência de notícias Fars, ligada ao regime iraniano, informa lançamentos contra Tel Aviv. Uma equipe da CNN na cidade relata explosões no céu e acionamento de sirenes de alerta em diversos bairros. O Exército israelense, por sua vez, anuncia uma “nova onda de ataques” contra Teerã e outras posições estratégicas iranianas.
O conflito ganha contornos ainda mais graves quando a mídia estatal iraniana anuncia, no domingo, a morte do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, em consequência dos ataques de Estados Unidos e Israel. O governo em Teerã descreve o episódio como martírio e promete represálias em escala sem precedentes.
“Consideramos a vingança pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos um direito e um dever legítimo”, declara o presidente Masoud Pezeshkian, em pronunciamento transmitido em cadeia nacional. Em comunicado paralelo, lideranças da Guarda Revolucionária falam em preparar “a ofensiva mais pesada” da história recente do país.
Ameaças cruzadas e risco de guerra aberta
As declarações iranianas provocam reação imediata de Washington. O ex-presidente Donald Trump, que volta a assumir protagonismo político interno em meio à crise, avisa que a resposta americana será devastadora em caso de retaliação ampliada. “É melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista”, afirma.
Na véspera, Trump já havia defendido que os ataques contra o Irã continuem “ininterruptos durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário”. Ele afirma buscar “paz em todo o Oriente Médio e, de fato, no mundo”, mas aposta em pressão militar máxima sobre o regime de Teerã como instrumento para isso.
Diplomatas ouvidos por agências internacionais descrevem um cenário de escalada quase automática. Cada novo ataque contra infraestrutura iraniana gera mais pressão interna sobre o governo para responder com dureza, inclusive envolvendo milícias aliadas no Líbano, no Iraque, na Síria e no Iêmen. A presença de bases americanas em ao menos sete países da região amplia o leque de alvos potenciais.
O impacto econômico também começa a aparecer. Analistas estimam que um bloqueio parcial no Golfo Pérsico, mesmo por alguns dias, poderia disparar o preço do petróleo em dois dígitos percentuais. Seguradoras marítimas já revisam prêmios para rotas que cruzam o Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo transportado por mar no mundo.
Pressão internacional e incerteza sobre próximos passos
Potências globais observam a escalada com crescente desconforto. O Kremlin informa que Vladimir Putin e o presidente iraniano “concordam em manter contatos”, em movimento que sinaliza coordenação política diante dos ataques liderados pelos Estados Unidos e por Israel. A China, grande compradora de petróleo iraniano, vê a guerra como sinal de declínio da influência americana na região, segundo análise de especialistas ouvidos pela mídia estatal.
A diplomacia ocidental tenta, sem sucesso até agora, abrir espaço para algum tipo de cessar-fogo limitado, que proteja instalações civis e canais logísticos de energia. No Conselho de Segurança da ONU, integrantes europeus defendem inspeções adicionais ao programa nuclear do Irã, em troca de garantias de redução das ações militares. Teerã rejeita novas concessões e insiste que só negocia depois de um fim formal aos ataques.
Com o aeroporto de Mehrabad danificado e sob forte esquema de segurança, o próprio funcionamento da capital iraniana entra em xeque. Voos são redirecionados, rotas comerciais sofrem atrasos e companhias internacionais estudam suspender temporariamente operações para o país. A população lida com apagões intermitentes e filas em postos de combustível, em um cenário de economia já fragilizada por anos de sanções.
O desenrolar das próximas 48 horas tende a ser decisivo para definir se a crise permanece em um patamar de troca de ataques pontuais ou se se converte em guerra aberta, com envolvimento direto de aliados da Otan e de potências asiáticas. No meio das ameaças cruzadas, permanece sem resposta a pergunta central: quem está disposto a recuar primeiro para evitar que o incêndio iniciado em Mehrabad se transforme em uma conflagração regional sem controle.
