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Ex-embaixador britânico é preso nos EUA em desdobramento do caso Epstein

Um ex-embaixador britânico nos Estados Unidos é preso em flagrante em 23 de fevereiro de 2026, durante operação ligada ao caso Jeffrey Epstein. A detenção, registrada em vídeo pela polícia americana, reforça a pressão sobre autoridades e amplia o alcance das investigações sobre a rede de crimes sexuais.

Prisão filmada alimenta nova fase das investigações

O ex-diplomata é detido em uma residência na costa leste americana, em ação coordenada por equipes de investigação financeira e unidades especializadas em crimes sexuais. Agentes cumprem mandados simultâneos de busca e apreensão, coletam documentos e dispositivos eletrônicos e registram em vídeo todo o momento da abordagem, que depois circula entre investigadores e procuradores federais.

A operação ocorre quase sete anos após a morte de Epstein, encontrada em 10 de agosto de 2019 em uma cela em Nova York, e mais de uma década depois da primeira condenação do financista por exploração sexual de menores, em 2008. A prisão do ex-embaixador, figura com histórico de acesso direto a presidentes, chanceleres e grandes investidores, indica que os investigadores seguem o rastro de relações políticas e financeiras que resistem ao tempo e às mudanças de governo.

Laços com Epstein sustentam suspeitas

Relatórios que circulam entre autoridades americanas e britânicas descrevem encontros frequentes entre o ex-embaixador e Epstein entre 2002 e 2018, em Nova York, Londres e no Caribe. Mesmo após a condenação de Epstein na Flórida, em 2008, o diplomata mantém a proximidade, aparece em registros de viagens privadas e é citado em agendas obtidas pela polícia. Essa continuidade de vínculos, em um período superior a dez anos, alimenta a suspeita de que não se tratava apenas de uma relação social.

Investigadores afirmam, em caráter reservado, que a apuração não mira apenas a conduta individual do ex-embaixador, mas também a forma como ele supostamente ajuda a abrir portas em governos e grandes bancos para negócios de Epstein. “As conexões políticas são parte central da engrenagem”, diz um promotor ligado ao caso. Segundo ele, a meta é entender se houve uso deliberado do prestígio diplomático para blindar ou sustentar atividades criminosas que envolvem, entre outros crimes, recrutamento e abuso de adolescentes.

Ondas de choque em Londres e Washington

O anúncio da prisão produz reações imediatas em Londres, onde o Ministério das Relações Exteriores é pressionado a esclarecer quando toma conhecimento das suspeitas e se adota medidas internas de apuração. Em Washington, parlamentares pedem audiências públicas e acesso a relatórios produzidos desde 2019. A divulgação de trechos do vídeo da prisão em canais de notícias e redes sociais, em poucas horas, transforma o ex-embaixador em símbolo da nova fase das investigações.

Advogados que acompanham o caso afirmam que o material apreendido pode revelar uma rede de contatos que inclui ex-ministros, executivos do mercado financeiro e consultores políticos que orbitam campanhas eleitorais. Nos bastidores, há receio de que novos nomes surjam à medida que promotores cruzam dados de viagens, registros bancários e mensagens recuperadas de celulares e computadores. “O efeito dominó é real e ainda está no começo”, avalia um especialista em cooperação jurídica internacional ouvido pela reportagem.

Rede de proteção sob escrutínio

Autoridades americanas tratam a prisão como um marco porque atinge um elo que transita simultaneamente pelos meios diplomático, político e financeiro. O caso reacende o debate sobre a chamada cultura de impunidade em crimes sexuais que envolvem figuras influentes, muitas vezes blindadas por estruturas de poder e por acordos sigilosos. Organizações de defesa de vítimas lembram que, por anos, denúncias contra Epstein são ignoradas ou minimizadas, enquanto o círculo de amizades do financista continua a frequentar jantares, fundações e fóruns econômicos internacionais.

Entidades estimam que, desde a primeira onda de denúncias, na década de 2000, mais de 30 mulheres apresentam relatos consistentes de abuso e aliciamento vinculados à rede de Epstein. A prisão do ex-embaixador, avaliam ativistas, sinaliza que o foco deixa de ser apenas o núcleo operacional dos crimes e passa a incluir quem supostamente legitima o esquema com prestígio institucional e conexões políticas. “Não basta prender quem está na linha de frente; é preciso alcançar quem torna isso possível”, afirma uma representante de um grupo de apoio a sobreviventes de violência sexual.

Possíveis novas prisões e pressão por transparência

Promotores americanos trabalham com cenários de novas prisões ao longo dos próximos meses, à medida que peritos avançam na análise dos dados coletados na operação de 23 de fevereiro. Autoridades britânicas acompanham o inquérito e discutem pedidos de cooperação que podem incluir quebra de sigilo bancário, acesso a registros diplomáticos e eventual envio de investigadores ao Reino Unido. O caso tende a se tornar tema de disputa política, com cobranças sobre quem sabia o quê e em que momento.

Enquanto o ex-embaixador aguarda as primeiras audiências judiciais, organizações internacionais de direitos humanos veem na investigação uma oportunidade para expor como redes de poder, dinheiro e influência se articulam em torno de crimes sexuais. A principal incógnita, agora, é até onde as autoridades estão dispostas a ir quando o rastro de evidências tocar figuras ainda em atividade na política e nos negócios globais.

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