EUA usam destróieres e drones para retirar minas iranianas em Ormuz
Dois destróieres da Marinha dos Estados Unidos iniciam neste sábado (11) uma operação para remover minas iranianas no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do planeta. A ação, coordenada pelo Comando Central (Centcom), busca reabrir uma passagem vital para o comércio mundial de petróleo e derivados.
Estreito estratégico volta ao centro da disputa
O USS Frank E. Peterson e o USS Michael Murphy cruzam a faixa de água que separa o Golfo Pérsico do Golfo de Omã sob escolta aérea e monitoramento constante. A missão mira a limpeza de minas navais atribuídas ao Irã, colocadas após uma escalada de ataques dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro. Navios petroleiros e cargueiros evitam a região há semanas, reduzindo o fluxo em uma rota por onde costumam passar até um quinto das exportações globais de hidrocarbonetos.
A operação ocorre sem coordenação com Teerã, segundo o site americano Axios, e avança no momento em que diplomatas iranianos e americanos tentam negociar um cessar-fogo duradouro em Islamabad, no Paquistão. O contraste entre a mesa de negociações e a movimentação de destróieres e drones submarinos expõe a fragilidade da trégua anunciada na terça-feira e coloca nova pressão sobre o governo iraniano.
Casa Branca tenta mostrar controle da rota energética
O presidente Donald Trump afirma que os Estados Unidos iniciam o “processo de desbloqueio do Estreito de Ormuz como um favor a países de todo o mundo, incluindo China, Japão, Coreia do Sul, França, Alemanha e muitos outros”. Em mensagem publicada na plataforma Truth Social, o republicano acusa esses governos de dependerem da proteção americana sem agir por conta própria. “Incrivelmente, eles não têm a coragem nem a vontade de fazer o trabalho por conta própria”, escreve.
O Centcom descreve a ação como um esforço para “estabelecer uma nova passagem” segura para a navegação comercial, que deve ser compartilhada com a indústria marítima nos próximos dias. “Hoje iniciamos o processo de estabelecer uma nova passagem e em breve compartilharemos esta rota segura com a indústria marítima para fomentar o livre fluxo do comércio”, declara o comandante Brad Cooper em comunicado. A Marinha americana informa que forças adicionais, incluindo drones submarinos de alta tecnologia, se somam à missão para localizar e neutralizar artefatos explosivos ao longo do corredor marítimo.
O Irã havia bloqueado a passagem da grande maioria dos navios pelo estreito em resposta aos bombardeios de 28 de fevereiro, atingindo bases militares e infraestrutura de sua frota. Segundo Trump, todas as 28 embarcações iranianas especializadas em lançamento de minas “jazem no fundo do mar” após os ataques americanos. A afirmação, não confirmada por Teerã de forma independente, funciona como recado à opinião pública interna e aos aliados, num momento em que parte da imprensa internacional descreve o Irã como vitorioso no confronto regional.
Mercado de petróleo e equilíbrio regional em jogo
O Estreito de Ormuz concentra uma das maiores vulnerabilidades do mercado de energia. Qualquer interrupção prolongada na rota afeta diretamente países com forte dependência de importações de petróleo do Golfo, como China, Japão e Coreia do Sul, e economias europeias como França e Alemanha. A limpeza das minas reduz o risco imediato de explosões acidentais com petroleiros, mas não elimina a incerteza sobre o custo do frete, o preço do seguro marítimo e a possibilidade de novos incidentes militares.
Operadores de navios e seguradoras acompanham o avanço da operação para definir quando retomarão rotas regulares e em que condições. Cada dia de bloqueio ou de restrição severa à navegação se traduz em prêmios de risco mais altos e repasses ao preço final de combustíveis. Em um cenário de oferta apertada, qualquer sinal de instabilidade no estreito costuma se refletir rapidamente nas cotações internacionais de petróleo e gás.
Analistas veem na ação americana uma demonstração clara de que Washington está disposto a atuar de forma direta para manter abertas as vias de exportação dos grandes produtores do Golfo, mesmo sem acordo prévio com Teerã. Essa postura reforça o papel dos Estados Unidos como garantidor de segurança na região e envia um recado também a rivais como a China, que amplia sua presença diplomática e comercial no Oriente Médio.
Pressão sobre negociações de paz e reação de Teerã
A operação de desminagem acontece enquanto delegações de Irã e Estados Unidos trocam acusações e propostas em Islamabad. A reabertura do estreito aparece entre as condições centrais do cessar-fogo discutido desde terça-feira. Ao avançar com navios de guerra e drones sem coordenação com o governo iraniano, Washington altera o equilíbrio da mesa de negociações e sinaliza que não pretende esperar indefinidamente por um gesto de Teerã.
Trump reage também ao discurso de parte da imprensa internacional, que descreve o Irã como lado em vantagem no conflito. “Os meios de comunicação dizem que o Irã está vencendo a guerra contra os Estados Unidos, quando, na realidade, todo o mundo sabe que eles estão PERDENDO, e PERDENDO FEIO”, escreve o presidente, em tom de campanha. Para ele, a única carta que resta a Teerã é “a ameaça de que um navio possa ‘colidir’ com uma de suas minas marítimas”.
Autoridades iranianas ainda não detalham como pretendem responder à presença ampliada de meios navais americanos em sua zona de influência imediata. O país mantém capacidade de pressão por meio de mísseis, drones e grupos aliados em diferentes frentes do Oriente Médio, mas enfrenta desgaste econômico e militar após meses de confrontos diretos e indiretos com Estados Unidos e Israel.
Rota em disputa e incerteza duradoura
A retirada das minas representa um passo importante para normalizar o tráfego de navios pelo estreito, mas não encerra o impasse político e militar que levou ao bloqueio. A cada novo movimento de destróieres, caças e drones, cresce o risco de erros de cálculo em uma área onde poucos quilômetros separam navios americanos, iranianos e de outras marinhas estrangeiras.
Diplomatas em Islamabad tentam transformar o avanço militar em oportunidade para consolidar um acordo mais amplo de segurança marítima, que inclua garantias de não bloqueio e mecanismos de monitoramento conjunto. O resultado dessas conversas ajuda a definir se o Estreito de Ormuz volta a ser apenas uma artéria vital do comércio energético ou se permanece como ponto de tensão crônica, capaz de chacoalhar a economia global a cada novo incidente.
