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EUA recomendam retirada de funcionários de embaixada em Israel

O governo dos Estados Unidos recomenda, nesta sexta-feira (27), a retirada de parte dos funcionários de sua embaixada em Israel. A orientação ocorre após uma nova rodada de tensão com o Irã e eleva o alerta sobre a segurança no Oriente Médio.

Pressão sobre Washington em meio a negociações com Teerã

A medida atinge diplomatas e servidores considerados não essenciais, além de familiares, e vale para Tel Aviv e para escritórios ligados à representação americana em território israelense. A decisão é apresentada como preventiva, mas, na prática, traduz a avaliação de que o risco de um ataque contra alvos ligados aos EUA aumenta nas próximas semanas.

Autoridades ouvidas sob reserva descrevem um ambiente de “negociações tensas” com o Irã, em meio a discussões sobre o programa nuclear iraniano e o papel de milícias apoiadas por Teerã em conflitos na região. O pedido público de Teerã pelo fim do que chama de “exigências excessivas” nas conversas com as potências é lido em Washington como sinal de impasse mais profundo, com potencial de desdobramentos militares indiretos.

Desde o início de fevereiro, relatórios de inteligência americanos e israelenses mencionam aumento na circulação de armamentos em áreas de fronteira e maior coordenação entre grupos aliados do Irã. O quadro reforça a percepção de que representações diplomáticas e instalações militares podem voltar a ser alvo de ataques, como já ocorreu em outros momentos de crise na região.

Alerta se espalha pela Europa e pela Ásia

A decisão dos EUA desencadeia uma onda de reações em capitais europeias e asiáticas. Alemanha, França, Reino Unido e China emitem, em menos de 24 horas, avisos de “cautela extrema” para cidadãos que vivem em Israel ou viajam ao país. Em alguns casos, as chancelarias recomendam que famílias de diplomatas e funcionários em postos menores deixem a região “temporariamente”, por pelo menos 30 dias.

O movimento indica que o episódio deixa de ser apenas uma questão bilateral entre Washington e Teerã. O que está em jogo é a estabilidade de um corredor estratégico para o fluxo de petróleo, de tecnologia militar e de informações entre Oriente Médio, Europa e Ásia. Um ataque bem-sucedido contra uma embaixada ou base aliada poderia provocar não só mortes, mas também a revisão de rotas aéreas, o encarecimento de seguros e novas sanções econômicas.

No mercado de energia, analistas projetam que qualquer sinal de confronto direto com o Irã pode adicionar entre 5% e 10% ao preço do barril de petróleo em poucas semanas. Empresas aéreas e grupos de turismo já revisam planos de operação para março e abril, com redução de voos para Tel Aviv e pacotes cancelados para destinos próximos às zonas de tensão.

O efeito imediato recai sobre a rotina da comunidade internacional em Israel. Organismos multilaterais, ONGs e consultorias que mantêm equipes em campo passam a reavaliar cronogramas e missões. Em muitos casos, o recado é simples: viagens consideradas não essenciais são suspensas até que o nível de ameaça volte a patamar considerado aceitável.

Histórico de tensão e cálculos de risco

A lembrança de episódios anteriores pesa na decisão americana. Desde 1979, ano da Revolução Islâmica no Irã e da crise dos reféns na embaixada dos EUA em Teerã, a proteção de representações diplomáticas no Oriente Médio se torna prioridade permanente em Washington. Ataques como o de 2012, em Benghazi, na Líbia, quando quatro americanos morrem, alimentam a disposição de agir com antecedência diante de qualquer sinal de perigo.

Israel ocupa papel central nesse xadrez. O país é um dos principais aliados dos EUA na região e também um dos principais alvos de ameaças de grupos alinhados ao Irã. Para Teerã, a presença americana em solo israelense simboliza a influência de Washington sobre decisões militares e de segurança do governo israelense, o que aumenta o peso político de qualquer gesto de recuo ou de reforço de presença.

Diplomatas veteranos destacam que a retirada parcial de funcionários envia uma mensagem dupla. De um lado, sinaliza a parceiros que Washington leva a sério a possibilidade de uma escalada. De outro, indica a Teerã que, apesar das negociações em curso, os EUA não descartam o pior cenário e preparam terreno para respostas mais duras caso algum ataque se concretize.

O que pode mudar a partir de agora

O movimento americano tende a servir de referência para outras chancelarias que ainda hesitam em alterar a estrutura de suas representações no Oriente Médio. Países com menor capacidade de inteligência própria costumam calibrar decisões a partir dos gestos de Washington, Londres e Paris. Uma retirada mais ampla de diplomatas estrangeiros de Israel, mesmo que temporária, teria forte peso simbólico e econômico.

No campo político, o impasse com o Irã abre duas possibilidades principais. Uma é a radicalização, com novo ciclo de sanções e respostas militares indiretas na região, ampliando a sensação de insegurança. Outra é a retomada de conversas multilaterais em moldes semelhantes ao acordo nuclear de 2015, desta vez com exigências revistas de ambos os lados.

Os próximos dias devem ser decisivos para medir qual dessas rotas ganha força. A forma como Teerã reage à retirada de funcionários e à pressão de europeus e chineses, somada às declarações de líderes israelenses, pode determinar se o Oriente Médio caminha para mais um período de confronto prolongado ou para uma trégua negociada. A dúvida, mais uma vez, não é se o mundo será afetado, mas o quanto e por quanto tempo.

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