EUA pressionam novo líder do Irã a rejeitar bomba nuclear em meio à guerra
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Mark Hegseth, recomenda publicamente que Mojtaba Khamenei abandone qualquer ambição nuclear e anuncie isso ao mundo. A declaração ocorre em março de 2026, em meio à guerra aberta entre EUA, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro.
Pressão americana sobre o novo líder iraniano
Hegseth fala em tom direto ao novo líder supremo do Irã, filho e sucessor de Ali Khamenei, morto em um ataque conjunto de EUA e Israel em Teerã. Em entrevista, ele afirma que a mensagem da Casa Branca é inequívoca e deve ser ouvida em Teerã.
“O novo líder do Irã faria bem em dar ouvidos às palavras do nosso presidente, que é não buscar armas nucleares, e declarar isso publicamente”, diz Hegseth. A frase resume a linha vermelha traçada por Washington para o regime iraniano neste momento de escalada militar e incerteza política.
Mojtaba Khamenei assume o posto mais poderoso da República Islâmica sob fogo cruzado. A morte de seu pai, em 28 de fevereiro, junto com diversas autoridades do alto escalão, expõe a vulnerabilidade do regime e empurra o país para um conflito regional de grandes proporções. A escolha de Mojtaba, formalizada por um conselho de líderes iranianos, é recebida como sinal de continuidade, não de abertura.
Donald Trump, presidente dos EUA, reage com descontentamento imediato. Ele chama a decisão de “grande erro” e diz que Mojtaba é “inaceitável” para a liderança do Irã. O incômodo na Casa Branca alimenta a leitura de que qualquer gesto do novo líder será examinado à lupa, sobretudo na área nuclear.
Questionado sobre rumores de que Mojtaba poderia ter sido ferido em ataques recentes, Hegseth evita dar munição a especulações. Ele limita-se a dizer que não pode comentar, reforçando o clima de incerteza sobre o real alcance das operações americanas e israelenses contra alvos em território iraniano.
Guerra se espalha e aumenta o risco nuclear
O conflito que molda o discurso de Hegseth começa em 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel mata Ali Khamenei em Teerã. Segundo Washington, a ofensiva também destrói dezenas de navios iranianos, sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares considerados estratégicos. O cálculo era enfraquecer o núcleo duro do regime; o efeito imediato é a explosão de violência na região.
Em resposta, o Irã lança ataques contra Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas insistem que miram apenas interesses americanos e israelenses nesses países, mas a geografia dos ataques amplia o raio da guerra e expõe infraestrutura civil e econômica. Desde o início do conflito, mais de 1.200 civis morrem no Irã, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, com sede nos EUA. A Casa Branca reconhece pelo menos sete mortes de soldados americanos ligadas diretamente às ações iranianas.
No Líbano, o Hezbollah entra em cena como braço armado do Irã na fronteira com Israel. O grupo lança ataques contra o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Israel responde com ofensivas aéreas intensas contra o que classifica como alvos do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morrem em território libanês em poucas semanas, pressionando ainda mais governos europeus e árabes que tentam evitar uma guerra aberta em múltiplas frentes.
Nesse cenário, a questão nuclear ganha peso adicional. Analistas ouvidos por diplomatas em capitais ocidentais avaliam que a escolha de Mojtaba Khamenei indica continuidade da repressão interna e pouco espaço para negociações com Washington. O chanceler iraniano já sinaliza que a retomada de conversas com os EUA é improvável, ao menos enquanto durar a campanha militar conjunta de Washington e Tel Aviv.
A recomendação pública de Hegseth, portanto, não é apenas recado político. Ela tenta traçar um limite em meio ao caos, ao reforçar que qualquer movimento em direção a uma arma nuclear pode mudar a natureza do conflito. Na prática, a Casa Branca busca evitar que o dossiê nuclear se some à guerra já em curso, o que elevaria a ameaça à segurança regional e global.
Isolamento do Irã e incerteza sobre saída diplomática
Com Mojtaba Khamenei no poder, o Irã chega a março de 2026 mais isolado do que em outros momentos de tensão recente. Sanções econômicas anteriores já afetam o cotidiano da população, enquanto a nova guerra interrompe rotas comerciais, agrava a inflação e acelera a fuga de capitais. Governos árabes do Golfo, mesmo críticos de Israel em outros contextos, aproximam-se discretamente de Washington diante da ofensiva iraniana em seus territórios.
A nomeação de Mojtaba é lida por especialistas como um gesto de fechamento do sistema político iraniano em torno de um círculo ainda mais restrito de religiosos e militares. A mensagem implícita é que o regime prioriza a sobrevivência interna e a repressão a dissidências, em detrimento de qualquer reaproximação com o Ocidente. Essa postura reduz o espaço para iniciativas de mediação e torna remota a hipótese de um novo acordo nuclear nos moldes do passado.
Na prática, a fala de Hegseth reforça essa encruzilhada. Ao exigir que Mojtaba declare, de forma explícita, que não busca armas nucleares, Washington transforma o tema em teste imediato de credibilidade do novo líder. Se ele silencia, aprofunda a desconfiança externa. Se fala, enfrenta resistência de setores internos que veem o programa nuclear como garantia de sobrevivência do regime em longo prazo.
Os próximos meses devem mostrar se o Irã aceita algum tipo de diálogo indireto ou mantém a aposta na resistência militar e na pressão por meio de aliados como o Hezbollah. A continuidade dos ataques em vários países e a escalada retórica de Trump e de Mojtaba criam um ambiente em que qualquer erro de cálculo pode levar a confrontos ainda mais letais.
Enquanto isso, chancelerias em capitais como Bruxelas, Moscou e Pequim buscam frestas para uma saída diplomática mínima, que inclua garantias sobre o programa nuclear. A pergunta que permanece em aberto é se Mojtaba Khamenei, sob bombardeios e contestado no exterior, está disposto a fazer o gesto público sugerido por Mark Hegseth ou se prefere seguir o caminho da confrontação prolongada em um Oriente Médio já em chamas.
