EUA preparam envio de segundo porta-aviões ao Oriente Médio
O Pentágono se prepara para enviar um segundo grupo de ataque de porta-aviões ao Oriente Médio em fevereiro de 2026, por ordem do presidente Donald Trump. A movimentação, que deve começar nas próximas semanas, eleva a pressão militar sobre o Irã e reforça o plano americano para um eventual ataque caso fracassem as negociações nucleares.
Escalada planejada e sinal político
A decisão coloca a Marinha dos Estados Unidos no centro de uma nova rodada de pressão sobre Teerã. O grupo de ataque liderado pelo porta-aviões USS George H.W. Bush deve zarpar a partir da costa leste americana, possivelmente da Virgínia, para se juntar ao USS Abraham Lincoln, já posicionado na região com navios de apoio, sistemas de defesa e esquadrões de caça adicionais.
Três autoridades americanas ouvidas pelo “Wall Street Journal” afirmam que o Pentágono já trabalha com um cronograma de até duas semanas para o deslocamento, que pode ser encurtado a pedido da Casa Branca. Trump admite publicamente que avalia o envio de um segundo porta-aviões e trata a medida como preparação para uma eventual ação militar caso as conversas sobre o programa nuclear iraniano não avancem.
Em declaração nesta terça-feira, 10, o presidente diz que a opção preferencial ainda é um acordo com Teerã. Mesmo assim, reconhece que pediu ao Exército alternativas mais “decisivas” depois de recuar, em janeiro, de um ataque em resposta à repressão violenta contra protestos no Irã. A combinação de discurso conciliador com reforço militar amplia a percepção de incerteza em capitais aliadas e rivais.
A presença simultânea de dois porta-aviões no Oriente Médio não ocorre desde 2025, quando o USS Harry S. Truman e o USS Carl Vinson operam juntos na região. A repetição desse desenho de força, menos de um ano depois, é lida por analistas militares como um recado direto à liderança iraniana de que Washington está disposto a sustentar pressão prolongada enquanto testa os limites da negociação.
Pressão sobre Irã, Israel e aliados do Golfo
O novo posicionamento naval fortalece a capacidade americana de lançar ataques aéreos, monitorar o litoral iraniano e proteger rotas de petróleo no Golfo Pérsico. Cada porta-aviões pode carregar dezenas de aeronaves de combate, o que multiplica o poder de fogo disponível em questão de horas, sem necessidade de novas bases em terra.
Em paralelo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, defende em Washington restrições mais rígidas a grupos armados como Hamas e Hezbollah. Na avaliação do governo israelense, qualquer afrouxamento da pressão sobre o Irã alimenta o apoio financeiro e militar a essas organizações. Trump, após reunião na Casa Branca, usa as redes sociais para afirmar que insiste na continuidade das negociações nucleares, mas não descarta “todas as opções sobre a mesa”.
A movimentação também afeta diretamente as monarquias do Golfo, que dependem da proteção naval americana para escoar petróleo e gás por rotas como o estreito de Ormuz. Um aumento de risco na região costuma se refletir rapidamente em prêmios de seguro, custos de frete e volatilidade nas cotações internacionais do barril, com impacto em cadeias industriais em todo o mundo.
No Congresso dos EUA, o envio de mais um porta-aviões deve reaquecer o debate sobre o alcance dos poderes de guerra do presidente. Parlamentares democratas e parte dos republicanos cobram autorização formal para qualquer ataque contra o Irã, enquanto a Casa Branca argumenta que atua dentro de prerrogativas de defesa e dissuasão. A discussão ganha peso em ano pré-eleitoral, quando gastos militares e política externa entram no centro do embate político.
Próximos passos e incertezas
Oficialmente, nem a Marinha nem porta-vozes da Casa Branca e do Pentágono comentam o planejamento detalhado, alegando questões de segurança operacional ou simplesmente ignorando pedidos de resposta. O silêncio reforça a impressão de que o governo prefere manter margem de manobra estratégica enquanto o grupo de ataque se organiza na costa leste americana.
Se o cronograma se confirma, o USS George H.W. Bush deixa a fase de treinamentos na Virgínia e inicia o deslocamento já nas próximas semanas, consolidando, em fevereiro de 2026, a presença de dois porta-aviões no Oriente Médio. A medida tende a elevar a tensão com o Irã, pressionar o cálculo de aliados como Israel e países do Golfo e manter o mercado de petróleo em estado de alerta.
As negociações nucleares com Teerã seguem como peça central desse xadrez. O governo Trump tenta demonstrar que combina disposição para conversar com capacidade militar ampliada para agir se o diálogo fracassar. Resta saber até que ponto esse equilíbrio entre ameaça e diplomacia sustenta a estabilidade regional ou empurra o Oriente Médio para mais um ciclo de confronto aberto.
