EUA fazem novo ataque letal a barco no Pacífico em rota do narcotráfico
Os Estados Unidos realizam em 23 de janeiro de 2026 um ataque letal contra um barco no Pacífico, em rota conhecida do narcotráfico. A ação é comandada pela Força-Tarefa Conjunta Lança do Sul, sob ordem direta do Secretário de Guerra Pete Hegseth. Pelo menos um ocupante sobrevive e passa a ser alvo de buscas no mar.
Operação em rota estratégica do narcotráfico
O alvo é uma embarcação que, segundo o Comando Sul, opera para organizações terroristas designadas e ligadas ao tráfico de drogas. A inteligência americana afirma que o barco cruza um corredor marítimo usado há anos para levar cocaína da América do Sul até a América Central, os Estados Unidos e a Ásia.
O ataque ocorre em área do Pacífico Oriental monitorada dia e noite por aviões de vigilância, drones e navios de guerra. A região, fora das águas territoriais de qualquer país, concentra parte das chamadas “narco-rotas”, usadas por cartéis e grupos armados para escapar da fiscalização em terra.
Em postagem na rede X, o Comando Sul descreve a ação como um “ataque cinético letal” contra a embarcação. O termo, comum no jargão militar, indica uso de força física destrutiva, como mísseis, canhões ou bombas guiadas, e não armas químicas ou cibernéticas.
“Em 23 de janeiro, sob a direção do Secretário de Guerra Pete Hegseth, a Força-Tarefa Conjunta Lança do Sul realizou um ataque cinético letal contra uma embarcação operada por Organizações Terroristas Designadas”, registra o comando em inglês. A mensagem destaca que a inteligência confirma o trânsito do barco em rotas de narcotráfico no Pacífico Oriental.
Mortes em série e pressão sobre grupos armados
O ataque integra a Operação Lança do Sul, campanha lançada pelo governo Donald Trump para sufocar rotas marítimas de drogas no Pacífico e no Caribe. Desde o início da ofensiva, ao menos 117 pessoas morrem em ações contra embarcações consideradas suspeitas de transportar entorpecentes ou apoiar financeiramente grupos terroristas.
A cifra, confirmada por dados militares divulgados publicamente, não inclui o número total de desaparecidos em alto-mar. Em 30 de dezembro, outro ataque deixa sobreviventes que abandonam o barco atingido. A Guarda Costeira realiza buscas por três dias e suspende as operações sem informar quantas pessoas continuam desaparecidas.
O novo bombardeio mantém o padrão de operações que combinam ação militar agressiva e posterior esforço de resgate. Depois do ataque de 23 de janeiro, o Comando Sul informa que notifica a Guarda Costeira para uma missão de busca e salvamento do sobrevivente. A CNN entra em contato com a corporação para detalhar a operação e aguarda resposta.
A estratégia se apoia em dois eixos. De um lado, o governo americano busca atingir o coração financeiro de organizações listadas como terroristas, cortando o fluxo de drogas e dinheiro. De outro, tenta mostrar algum compromisso humanitário, ao acionar equipes de resgate para procurar sobreviventes em mar aberto, mesmo após ataques de alta letalidade.
A ofensiva altera o cálculo de risco para grupos criminosos que dependem dessas rotas. Em vez de apenas perder cargas ou embarcações para apreensões, tripulações agora enfrentam a possibilidade concreta de ataques com armas pesadas, longe de qualquer costa, sem tempo para reagir ou pedir socorro.
Escalada, dúvidas jurídicas e próximos passos
O uso recorrente de força letal em alto-mar pode aprofundar o debate internacional sobre os limites da chamada guerra ao narcotráfico. Especialistas em direito internacional alertam para zonas cinzentas: a classificação de um barco como alvo militar, a definição de vínculo entre tráfico e terrorismo e a responsabilidade por civis a bordo.
Governos da região acompanham a escalada com preocupação. Países costeiros do Pacífico temem que a aproximação de operações militares dos EUA às suas zonas econômicas exclusivas pressione relações diplomáticas e afete a segurança de navios civis. Pescadores e armadores comerciais relatam receio de cruzar áreas onde embarcações suspeitas podem ser atacadas.
A Operação Lança do Sul também mexe com a logística dos cartéis. Rotas tradicionais pelo Pacífico passam a ser menos previsíveis. Em resposta, grupos criminosos tendem a buscar trajetos mais longos e caros, usar embarcações menores e descartáveis ou deslocar parte do fluxo para rotas terrestres na América Central, aumentando a tensão em fronteiras já fragilizadas.
O ataque de 23 de janeiro ainda deixa perguntas sem resposta. O Comando Sul não detalha quantas pessoas estavam a bordo, nem quantas morrem na ação. Não há informações sobre nacionalidade dos tripulantes, nem se o sobrevivente já foi localizado pela Guarda Costeira.
Nas próximas semanas, a pressão recai sobre Washington para explicar critérios de seleção de alvos, regras de engajamento e mecanismos de investigação em caso de erros. A continuidade da Operação Lança do Sul indica que novos ataques são prováveis. Resta saber até que ponto a campanha vai redesenhar o mapa do narcotráfico no Pacífico e qual será o custo humano dessa aposta militar.
