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EUA fazem mobilização militar histórica contra Irã no Oriente Médio

Os Estados Unidos deflagram em fevereiro de 2026 a maior mobilização militar recente no Oriente Médio diante da ameaça de um ataque iminente do Irã. Washington envia milhares de soldados e equipamentos estratégicos para a região em um movimento que reacende o temor de confronto direto.

Escalada em ritmo acelerado

O reforço começa a ganhar forma nos primeiros dias de fevereiro, quando o Pentágono autoriza o envio adicional de cerca de 12 mil militares para bases já existentes em pelo menos três países do Golfo. Porta-aviões nucleares, destróieres com mísseis guiados, bombardeiros de longo alcance e sistemas de defesa antimísseis deixam portos e bases nos Estados Unidos e na Europa rumo ao Golfo Pérsico e ao leste do Mediterrâneo.

Autoridades americanas descrevem a movimentação como uma resposta “necessária e proporcional” à avaliação de inteligência de que o Irã prepara ataques coordenados contra alvos norte-americanos e aliados na região. Em comunicados reservados a aliados, o governo dos EUA fala em uma “janela crítica” de 30 a 60 dias para prevenir uma ofensiva iraniana que poderia atingir instalações de petróleo, rotas marítimas estratégicas e bases militares.

A Casa Branca busca mostrar que age com rapidez, mas evita, em público, falar em contagem regressiva para uma guerra. Assessores de segurança nacional insistem que o objetivo oficial é dissuadir Teerã, não lançar uma campanha ofensiva. “Estamos aumentando o custo de qualquer cálculo equivocado do Irã”, afirma um alto funcionário de Defesa, sob condição de anonimato, em briefing reservado a jornalistas estrangeiros.

A escalada expõe uma reviravolta na estratégia americana para o Oriente Médio. Depois de pelo menos cinco anos de tentativa de redução gradual de presença militar na região, com foco deslocado para a Ásia e para a disputa com a China, Washington volta a concentrar atenção e meios em torno do Golfo. Essa inflexão ocorre em um momento em que o Irã amplia o alcance de seus mísseis, intensifica programas de drones armados e sustenta grupos aliados em países vizinhos.

Pressão sobre o Irã e temor nos mercados

A mobilização tem efeito imediato sobre o xadrez regional. Governos do Golfo, dependentes da proteção americana para garantir a segurança de instalações de petróleo e gás, veem na chegada de novos navios e caças um sinal de respaldo, mas também de risco. Quanto maior a concentração de forças, maior a chance de um incidente acidental ou de um ataque de teste por parte de grupos apoiados por Teerã.

Diplomatas em capitais árabes relatam aumento nas consultas de emergência e reuniões de gabinete. Em Riyadh e Abu Dhabi, ministros da Energia acompanham minuto a minuto relatórios sobre o fluxo de navios no estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. Um bloqueio parcial de poucos dias, admitem reservadamente, poderia empurrar o barril de petróleo acima de US$ 120, patamar que não se vê de forma sustentada desde as crises do início da década de 2020.

No mercado financeiro, a movimentação militar se traduz em prêmios de risco mais altos. Contratos futuros de petróleo registram alta de mais de 8% na semana em que o reforço americano se torna público. Seguradoras marítimas passam a cobrar sobretaxas para navios que cruzam o Golfo e o mar Vermelho. Analistas calculam que o custo do frete em algumas rotas pode subir até 25% se a tensão se mantiver por mais de três meses.

O Irã reage com retórica familiar, mas em tom mais áspero. Autoridades de Teerã acusam Washington de “teatro militar” e prometem responder a qualquer ataque com “força esmagadora”. A Guarda Revolucionária fala em ampliar patrulhas navais e testes de mísseis. Em canais de TV estatais, comentaristas descrevem a mobilização americana como uma oportunidade para reforçar o discurso nacionalista e consolidar apoio interno em meio a dificuldades econômicas persistentes.

Na avaliação de especialistas em segurança consultados por think tanks europeus, o cenário lembra, em escala diferente, momentos de máxima tensão da década de 2000, quando os EUA multiplicam bases no Iraque e no Golfo para conter influências iranianas. A diferença agora é a capacidade tecnológica, tanto de ataque quanto de defesa, em um ambiente de guerra de drones, ataques cibernéticos e operações remotas que podem ser negadas por ambos os lados.

Diplomacia sob pressão e incertezas à frente

Enquanto navios e aviões se aproximam da região, chancelerias tentam abrir espaço para alternativas à escalada. Países europeus retomam discretamente canais de diálogo com Teerã e com Washington, em busca de algum tipo de compromisso que reduza o risco de incidente. Na ONU, membros do Conselho de Segurança discutem uma resolução que peça “máxima contenção” e proponha uma missão de verificação limitada, mas esbarram em vetos cruzados e em suspeitas de interferência.

Washington reforça que mantém a diplomacia sobre a mesa, ainda que subordinada à lógica de dissuasão. “Ninguém aqui deseja uma guerra aberta com o Irã”, afirma um conselheiro de política externa ligado ao Departamento de Estado. Em público, porém, o governo americano sinaliza que não aceitará ataques sem resposta e busca mostrar consistência a aliados israelenses, árabes e da Otan, atentos à forma como os EUA administram crises fora da Europa.

O cálculo político interno também pesa. Em ano pré-eleitoral, a imagem de um presidente vacilante diante de ameaças externas pode custar votos, mas uma guerra prolongada e cara também carrega alto desgaste. Pesquisas internas, segundo assessores, mostram o eleitor americano dividido: cerca de 45% defendem uma postura dura contra o Irã, enquanto pouco mais de 40% priorizam evitar qualquer novo conflito no Oriente Médio.

A resposta do Irã e de seus aliados regionais definirá o rumo das próximas semanas. Um ataque limitado a navios comerciais ou a instalações de petróleo poderia provocar reação pontual, sem guerra aberta. Uma ofensiva mais ampla contra bases americanas, Israel ou parceiros do Golfo empurraria Washington para um confronto de alto custo político e militar.

À medida que os navios avançam e caças pousam em pistas já conhecidas, permanece a dúvida central que orienta investidores, diplomatas e militares: o reforço americano basta para conter o Irã ou prepara o terreno para o próximo grande conflito do Oriente Médio?

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