Ultimas

EUA enviam caças F-22 a Israel em recado ao Irã

Os Estados Unidos enviam, nesta quarta-feira (25), caças F-22 para Israel, em plena escalada de tensões com o Irã, às vésperas de novas negociações nucleares. A movimentação reforça a presença militar americana no Oriente Médio e sinaliza um recado direto a Teerã.

Presença militar ampliada e recado calculado

O deslocamento de F-22, aeronaves de “quinta geração” difíceis de detectar por radares, marca uma das demonstrações de força mais explícitas de Washington na região desde 2020. Os jatos deixam bases americanas fora da zona de conflito e passam a operar em território israelense em 25 de fevereiro de 2026, em um momento em que qualquer erro de cálculo entre Israel e Irã pode se transformar em confronto direto.

Fontes diplomáticas em capitais ocidentais descrevem o envio como um gesto “tanto militar quanto político”. Em tradução simples, o objetivo é mostrar que, se Teerã elevar o tom, encontrará não apenas Israel, mas a aviação de combate mais avançada dos Estados Unidos pronta para agir. Um assessor de Defesa ouvido sob condição de anonimato resume o clima: “A mensagem é que Washington ainda banca a conta da segurança regional”.

Negociações nucleares sob pressão

O movimento ocorre a poucos dias de uma nova rodada de conversas sobre o programa nuclear iraniano, mediada por potências europeias e prevista para o início de março. Diplomatas envolvidos nesse processo admitem em privado que a chegada dos F-22 a Israel pressiona Teerã antes mesmo da abertura das mesas de negociação. A leitura em chancelerias do Golfo é que os Estados Unidos tentam combinar diplomacia e intimidação, elevando o custo de qualquer avanço iraniano rumo a uma possível arma nuclear.

O Irã nega buscar esse tipo de armamento e afirma que o programa tem fins “puramente pacíficos”. A Agência Internacional de Energia Atômica, porém, registra aumento constante dos níveis de enriquecimento de urânio desde 2019, em alguns momentos acima do limite de 3,67% fixado no acordo original de 2015. Em relatórios recentes, inspetores apontam estoques suficientes para, em um cenário de ruptura total, permitir a produção de material físsil em prazo contado em meses, não mais em anos.

Israel se aproxima ainda mais de Washington

Em Israel, o envio dos F-22 é recebido como reforço estratégico e simbólico. O país já opera cerca de 50 caças F-35, também considerados de última geração, mas a chegada de aeronaves americanas com pilotos dos Estados Unidos amplia a capacidade de resposta em caso de escalada súbita. Assessores do governo israelense descrevem o gesto como “um seguro militar em tempo real”.

A cooperação entre os dois países, consolidada desde o fim da década de 1960, ganha nova camada. Além de bilhões de dólares anuais em ajuda militar, Washington mantém sistemas de defesa antimíssil integrados ao escudo israelense. A presença de F-22, capazes de atuar em missões de interceptação, ataque de precisão e superioridade aérea, ajusta o equilíbrio de poder regional aos olhos de aliados árabes que veem no Irã a principal ameaça.

Risco de reação e cálculo regional

Em Teerã, o gesto é lido como provocação. Analistas iranianos próximos ao governo classificam a decisão americana como “escalada planejada” e alertam para possíveis respostas assimétricas, por meio de grupos aliados no Líbano, na Síria, no Iraque e no Iêmen. Cada novo caça pousando em Israel alimenta o argumento, dentro do regime iraniano, de que as negociações nucleares servem apenas para ganhar tempo enquanto o Ocidente reforça seu aparato militar.

No Golfo Pérsico, monarquias que se aproximam discretamente de Israel observam o tabuleiro com ambivalência. A presença mais ostensiva dos Estados Unidos reduz, no curto prazo, o temor de um ataque direto iraniano a instalações de petróleo e gás. Ao mesmo tempo, aumenta a chance de que qualquer incidente em rotas marítimas estratégicas, como o estreito de Ormuz, provoque alta repentina no preço do barril, hoje na faixa de US$ 80.

Mercados, opinião pública e margem de manobra

Investidores acompanham o movimento com atenção. Cada sinal de tensão militar no Oriente Médio costuma repercutir em bolsas de energia, seguradoras e grandes companhias aéreas. Contratos futuros de petróleo já embutem prêmios de risco desde o início do ano, refletindo o aumento de ataques de grupos alinhados ao Irã em pontos sensíveis de navegação. O reforço americano em Israel pode conter avanços mais ousados de Teerã, mas também mantém o ambiente de incerteza.

A opinião pública na região reage de forma dividida. Em países que veem o Irã como potência desestabilizadora, a chegada dos caças é tratada como proteção extra. Em sociedades que associam a presença militar dos Estados Unidos a guerras prolongadas, o movimento reacende lembranças do Iraque e do Afeganistão. O resultado é um cenário em que governos apoiam o reforço, enquanto parte da população teme os custos humanos de uma escalada.

Próximos passos e margem para surpresa

As próximas semanas testam até onde vai o jogo de pressão entre Washington, Tel Aviv e Teerã. Negociadores europeus tentam salvar algum tipo de freio ao programa nuclear iraniano antes que o calendário político interno nos Estados Unidos e no Irã torne qualquer concessão inviável. O envio dos F-22 funciona como pano de fundo permanente, lembrando a todos que, por trás das mesas de negociação, há força aérea mobilizada e pronta.

Diplomatas envolvidos no processo reconhecem que nenhuma das partes parece disposta a ceder de forma significativa. A aposta, por ora, é em contenção mútua, feita à sombra de aeronaves invisíveis ao radar. A dúvida que permanece é se esse equilíbrio frágil resiste ao primeiro choque real de interesses, em uma região que há décadas vive a poucos passos de um novo conflito aberto.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *