EUA dizem ter reduzido em 86% lançamentos de mísseis do Irã
Os Estados Unidos afirmam ter provocado uma queda de 86% nos lançamentos de mísseis balísticos do Irã desde o início dos combates, há menos de uma semana. O anúncio é feito na manhã desta quarta-feira (4) pelo general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas americanas, em entrevista coletiva no Pentágono, em Washington.
Operações intensas e superioridade aérea localizada
O balanço apresentado por Caine reforça a mensagem de que Washington assume a ofensiva e impõe um novo ritmo ao confronto. Segundo o general, o Comando Central dos EUA, responsável pelas operações no Oriente Médio, destrói mais de 1.700 alvos no território iraniano desde o primeiro dia de ataques.
Entre esses alvos, estão bases de lançamento de mísseis, centros de comando e infraestrutura de defesa aérea. A estratégia americana combina ataques aéreos sucessivos, emprego de mísseis de cruzeiro e ações navais para abrir brechas nas defesas iranianas. “Esse progresso permitiu ao Centcom estabelecer superioridade aérea localizada ao longo do flanco sul da costa iraniana e penetrar suas defesas com precisão e poder de fogo esmagadores”, afirma Caine.
Os números divulgados pelo Pentágono apontam para uma queda acentuada não apenas nos mísseis balísticos de teatro, usados para atingir alvos na região, mas também nos drones de ataque. “Há uma redução de 23% apenas nas últimas 24 horas, e os disparos de drones de ataque unidirecional caíram 73%”, diz o general, numa referência aos veículos aéreos não tripulados empregados pelo Irã para atingir bases americanas e infraestruturas de aliados.
As declarações surgem um dia depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que a força aérea e a marinha do Irã haviam sido “derrubadas”. O discurso público da Casa Branca busca consolidar a ideia de que os objetivos iniciais da campanha — neutralizar capacidades de ataque iranianas e abrir espaço para a pressão diplomática — avançam mais rápido do que Teerã consegue se recompor.
Capacidade ofensiva iraniana em xeque
A queda de 86% nos lançamentos de mísseis e de 73% nos drones de ataque indica um enfraquecimento concreto da capacidade ofensiva imediata do Irã. Em poucos dias de bombardeios, o arsenal que sustenta a pressão militar de Teerã na região sofre desgaste visível, ao mesmo tempo em que os EUA ampliam sua margem de manobra.
Caine insiste que não se trata apenas de derrubar números, mas de alterar o ambiente operacional. Com menos mísseis cruzando o espaço aéreo e menos drones tentando furar as defesas, as forças americanas conseguem voar por mais tempo, atacar com mais precisão e escolher alvos mais sensíveis, sem o mesmo grau de risco do início da campanha. “A redução na atividade de mísseis e drones permitiu que as forças americanas ampliassem sua vantagem operacional”, afirma.
Na prática, a combinação de ataques em sequência contra lançadores, depósitos e radares limita a capacidade do Irã de sustentar bombardeios contra bases americanas e aliados no Golfo, como Kuwait e Emirados Árabes. Desde o início da guerra, o Kuwait relata ter interceptado centenas de mísseis e drones, num retrato da intensidade inicial do conflito. À medida que esses lançamentos diminuem, a pressão sobre os sistemas de defesa locais, já operando no limite, tende a cair.
A ofensiva atual também mira a percepção internacional sobre o equilíbrio de forças no Oriente Médio. Ao divulgar dados com percentuais exatos — 86% de queda em mísseis, 73% em drones, 23% de redução em apenas 24 horas — o Pentágono tenta traduzir em números o argumento político de que o Irã perde fôlego. Essa narrativa interessa diretamente à estratégia americana de manter aliados alinhados e conter críticas a uma campanha aérea intensa em território iraniano.
Pressão militar, cálculo político e próximos passos
O impacto imediato da redução dos lançamentos aparece no campo militar, mas se espalha rapidamente para a diplomacia e para a política interna dos dois países. Para Washington, a superioridade aérea ao longo da costa sul do Irã abre espaço para ataques mais profundos contra infraestrutura estratégica, incluindo instalações militares próximas ao Estreito de Ormuz, rota por onde passa boa parte do petróleo exportado pela região.
Para Teerã, a dificuldade em manter o nível de disparos cria um dilema. Se tenta recompor rapidamente sua capacidade de ataque, expõe depósitos e bases remanescentes a novos bombardeios. Se recua, corre o risco de fortalecer a percepção de que cede à pressão americana. Nesse cenário, atores regionais observam atentamente qualquer sinal de escalada ou de eventual trégua, avaliando como reposicionar suas próprias alianças e defesas.
Caine admite que o conflito não se resolve em poucos dias. “Os objetivos levarão tempo para ser atingidos”, diz o general, numa tentativa de conter expectativas de um desfecho imediato. A mensagem é de que o Pentágono enxerga a campanha como um processo, em que a erosão gradual das capacidades iranianas vale tanto quanto vitórias pontuais.
As próximas semanas tendem a testar esse cálculo. Se a queda nos lançamentos se mantiver, os EUA ganham margem para intensificar ataques contra centros de comando, comunicações e logística do regime iraniano, aprofundando o desequilíbrio atual. Se o Irã encontrar meios de retomar parte de sua capacidade de disparo, o conflito pode entrar numa fase mais longa, marcada por ciclos de ataque e resposta.
Entre as declarações de vitória antecipada e os números apresentados pelo Pentágono, permanece uma questão central: até que ponto a superioridade aérea e a destruição de mais de 1.700 alvos serão suficientes para redesenhar de forma duradoura o equilíbrio de poder no Oriente Médio.
