EUA dizem ter atingido mais de 3 mil alvos militares no Irã em 7 dias
Os Estados Unidos afirmam ter atacado mais de 3 mil alvos militares no Irã em uma semana, no início de março de 2026. O Comando Central relata danos “substanciais” à capacidade bélica iraniana e fala em ofensiva para desmantelar estruturas de segurança consideradas ameaças imediatas.
Escalada rápida e operação em larga escala
O balanço parcial divulgado nesta sexta-feira (6) mostra a dimensão da ofensiva. Em sete dias de ataques aéreos e navais, os EUA concentram fogo sobre bases, arsenais e navios iranianos, numa operação que amplia o confronto direto entre Washington e Teerã. O Comando Central diz que a campanha mira “infraestruturas militares e de comando” usadas pelas forças iranianas e pela Guarda Revolucionária.
Autoridades militares norte-americanas descrevem uma operação contínua, com múltiplas ondas de ataques. Bombardeiros, caças, drones armados, sistemas antimísseis e navios de guerra disparam contra centros de comando, sistemas de defesa aérea e instalações ligadas ao programa de mísseis balísticos do Irã. A ofensiva marca uma mudança de patamar no conflito, ao atingir o interior do território iraniano de forma sistemática e prolongada.
O Comando Central informa que 43 navios da Marinha do Irã são danificados ou destruídos, entre embarcações de superfície e unidades de apoio. Também entram na lista de alvos submarinos, posições de mísseis antinavio e instalações usadas para comunicação militar. “Nossa meta é reduzir, de forma mensurável, a capacidade do regime iraniano de projetar força e ameaçar nossos aliados e forças na região”, afirma, em nota, um porta-voz do CENTCOM.
O coração da estrutura militar iraniana na mira
Os ataques se concentram em centros de comando e controle estratégicos, quartéis da Guarda Revolucionária e bases associadas ao programa de mísseis balísticos do país. Ao mirar essas estruturas, os EUA tentam paralisar a capacidade de coordenação e resposta de Teerã, especialmente no que se refere a ataques com mísseis e drones contra alvos norte-americanos e aliados no Oriente Médio.
A operação mobiliza alguns dos meios mais avançados do arsenal dos EUA. Bombardeiros estratégicos B-1 e B-2 decolam de bases fora da região e cruzam milhares de quilômetros para atingir alvos em profundidade. Caças F-15, F-16, F-18, F-22 e F-35 operam em conjunto com aeronaves de ataque A-10 e drones MQ-9 Reaper, que fazem vigilância e, em seguida, disparam mísseis de precisão.
A aviação de guerra eletrônica EA-18G embaralha radares e sistemas de comunicação iranianos, enquanto aviões de reconhecimento monitoram em tempo real as defesas e os deslocamentos de tropas. Na retaguarda, aviões-tanque garantem reabastecimento em voo, e cargueiros C-17 Globemaster e C-130 mantêm a logística ativa, transportando munição e equipamentos.
No mar, porta-aviões de propulsão nuclear e destróieres com mísseis guiados formam a espinha dorsal da operação. Sistemas antimísseis como Patriot e THAAD, posicionados em países aliados, tentam interceptar eventuais lançamentos balísticos iranianos. Militares ouvidos sob condição de anonimato descrevem um esforço “24 horas por dia, em múltiplos fusos”, com centros de comando nos EUA e na região conectados por uma vasta rede de comunicação segura.
Os alvos selecionados incluem baterias de mísseis de defesa aérea, depósitos de munição e centros de inteligência que, segundo Washington, coordenam operações contra bases norte-americanas e rotas de comércio estratégico. Especialistas veem na lista de alvos um roteiro para enfraquecer, em poucas semanas, capacidades que o Irã leva décadas para construir.
Risco de guerra prolongada e impacto regional
A escala da ofensiva amplia o temor de uma guerra prolongada entre os dois países. A neutralização de mais de 3 mil alvos em sete dias representa, na prática, um golpe profundo na infraestrutura militar iraniana, mas também empurra Teerã para uma encruzilhada. A resposta pode vir em forma de ataques assimétricos, por meio de aliados regionais, ou de uma escalada direta com novos lançamentos de mísseis e drones.
Países do Golfo acompanham o avanço da campanha com preocupação. Governos da região temem saturação das rotas aéreas, risco para terminais de petróleo e interrupções no transporte marítimo em estreitos estratégicos. Cada novo ataque aumenta a percepção de vulnerabilidade em corredores de energia e comércio dos quais depende boa parte da economia global.
Diplomatas admitem, em privado, que a janela para uma saída negociada fica mais estreita a cada dia de bombardeios. Sanções adicionais contra o Irã já são discutidas em capitais ocidentais, ao mesmo tempo em que países asiáticos calculam o impacto de um choque de oferta de petróleo. “Qualquer interrupção prolongada no fluxo de energia pelo Oriente Médio terá reflexos quase imediatos sobre preços e inflação”, resume um analista de mercados em Londres.
Os Estados Unidos afirmam que os ataques buscam conter ameaças imediatas e restaurar capacidade de dissuasão, mas enfrentam pressão crescente para explicar até onde pretendem ir. Aliados europeus cobram clareza sobre objetivos políticos e saída estratégica, temendo que a operação militar avance mais rápido do que qualquer plano diplomático.
Próximos passos e incertezas
O Comando Central indica que a ofensiva continua, com “capacidades adicionais” que não são detalhadas publicamente. A formulação sugere espaço para novas rodadas de ataques e, possivelmente, o uso de meios ainda não empregados de forma ostensiva. Em paralelo, chancelerias preparam iniciativas de contenção, tentando evitar que o conflito atravesse um ponto sem retorno.
No curto prazo, a atenção se volta à resposta iraniana e ao impacto sobre o tráfego marítimo na região. Qualquer sinal de bloqueio de estreitos, ataques a navios-tanque ou ampliação de alvos contra bases dos EUA pode redesenhar, em questão de dias, o mapa de segurança no Oriente Médio. A operação americana promete reduzir a capacidade militar do Irã, mas deixa sem resposta uma pergunta central: que equilíbrio de forças surgirá quando o silêncio das armas voltar a ser uma opção?
