EUA aceleram preparo militar para possível ataque ao Irã em março
Os Estados Unidos elevam em fevereiro de 2026 o nível de prontidão militar contra o Irã, após o fracasso das negociações nucleares e um ultimato de Donald Trump. A movimentação inclui o envio de um segundo porta-aviões e novos caças para o Oriente Médio, construindo as condições para uma possível ação até meados de março.
Ultimato público e corrida contra o relógio
Donald Trump decide transformar a pressão diplomática em contagem regressiva. O presidente americano declara que Teerã tem “de 10 a 15 dias” para fechar um acordo nuclear considerado “significativo”. Em tom de ameaça, avisa que, se isso não ocorrer, “coisas ruins acontecem”.
O prazo, que vence em março, muda a temperatura da crise. A Casa Branca não anuncia uma ofensiva, mas orienta o Pentágono a garantir que todas as peças militares estejam em posição. Autoridades de segurança nacional são informadas de que as forças necessárias para uma eventual ação podem estar completamente mobilizadas até a metade do mês.
Em Washington, o movimento é descrito como preparação para “todos os cenários”, da retomada das negociações a ataques pontuais contra alvos militares iranianos. Na prática, o recado é que a janela da diplomacia se estreita a cada dia, enquanto a opção militar ganha músculo.
Porta-aviões, caças e a sombra de um ataque surpresa
O sinal mais visível da escalada vem do mar. Os EUA enviam ao Oriente Médio o USS Gerald R. Ford, segundo porta-aviões em operação na região, reforçado por dezenas de aeronaves de combate. A embarcação se posiciona nas proximidades da entrada do Mar Mediterrâneo, ampliando o raio de ação americano sobre pontos sensíveis do Irã e de seus aliados.
A presença de dois grupos de porta-aviões eleva a capacidade de lançar ataques aéreos em poucas horas, sem depender de bases em território estrangeiro. A cada deslocamento, radares, drones e aviões de reconhecimento passam a varrer rotas próximas ao Estreito de Ormuz, por onde circulam cerca de 20% do petróleo negociado no mundo.
Militares americanos descrevem o novo patamar de prontidão como “capacidade de resposta rápida”. Isso significa que, se a ordem vier da Casa Branca, mísseis e caças podem atingir alvos estratégicos iranianos com pouco aviso público. A estratégia se apoia em um manual conhecido: criar pressão máxima, manter a ambiguidade e deixar a decisão final para o campo político.
Do lado iraniano, a resposta é imediata e calculada para demonstrar força. Teerã realiza exercícios com munição real no Estreito de Ormuz e testa sistemas de defesa aérea e mísseis antinavio. Em carta ao Conselho de Segurança da ONU, o governo afirma que reagirá “de forma decisiva e proporcional” a qualquer ataque contra seu território ou suas forças.
Irã pressionado por fora e por dentro
A crise atual ocorre em um momento de fragilidade política e militar para o regime iraniano. O país ainda contabiliza os danos de ataques israelenses e americanos em 2025 contra instalações nucleares e bases ligadas à Guarda Revolucionária. Nos últimos meses, novas ondas de protestos internos são reprimidas com violência, aprofundando o desgaste do governo.
Ao mesmo tempo, Teerã tenta demonstrar que não está isolado. O Irã participa de exercícios militares conjuntos com a Rússia e mantém contatos com grupos armados aliados no Líbano, na Síria, no Iraque e no Iêmen. Washington e Israel exigem que o governo iraniano limite não apenas o enriquecimento de urânio, mas também seu programa de mísseis balísticos e o apoio a essas milícias.
A combinação de pressões internas e externas torna a margem de recuo mais estreita. Um gesto visto como fraqueza por parte da liderança iraniana pode alimentar protestos e disputas de poder em Teerã. Uma reação excessiva, por outro lado, pode oferecer o pretexto que alguns setores em Washington parecem esperar para justificar uma ofensiva.
Risco à rota do petróleo e à economia global
O Estreito de Ormuz volta ao centro do tabuleiro estratégico. Qualquer confronto direto entre EUA e Irã na região ameaça interromper ou encarecer o fluxo de navios petroleiros que cruzam o estreito diariamente. Uma escalada repentina pode fazer o barril de petróleo disparar em questão de horas, com impacto direto sobre combustíveis, fretes e inflação em diversos países, inclusive o Brasil.
Analistas veem risco de um conflito em camadas. Além de possíveis ataques diretos entre forças americanas e iranianas, grupos aliados de Teerã poderiam mirar bases dos EUA no Iraque, na Síria e no Golfo Pérsico. Israel, que já realiza operações clandestinas contra o programa nuclear iraniano, tende a endurecer ainda mais sua postura.
Se a ofensiva americana se confirmar, a resposta iraniana dificilmente ficará restrita ao campo militar tradicional. Ciberataques, ações contra navios mercantes e ataques com drones contra infraestrutura de energia na região estão no radar de especialistas. O custo político e econômico de uma guerra aberta seria alto para todos os lados, mas a aposta, por enquanto, é que a ameaça de conflito sirva como instrumento de negociação.
Contagem regressiva e incerteza
Com o relógio diplomático avançando, chancelerias em capitais europeias e na região tentam manter abertas as vias de diálogo. Países que ainda defendem o acordo nuclear original, firmado em 2015, veem na atual escalada um risco de rompimento definitivo das regras que limitam o programa atômico iraniano.
Os próximos dias indicam se o ultimato de Donald Trump funciona como gatilho para um entendimento ou como prelúdio de uma ofensiva. Até meados de março, quando o aparato militar americano deve estar plenamente posicionado, qualquer gesto será lido com lupa: um teste de míssil, uma declaração mais dura, um incidente naval no Estreito de Ormuz.
Em um Oriente Médio já marcado por guerras e rivalidades, a pergunta volta a ecoar em bastidores diplomáticos: desta vez, a ameaça de ataque dos EUA ao Irã continua sendo uma ferramenta de pressão ou se aproxima de virar realidade.
