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Estátua de Cristiano Ronaldo é incendiada em frente ao Museu CR7 na Madeira

Um homem incendeia, na manhã desta quarta-feira (21), a estátua em tamanho real de Cristiano Ronaldo em Funchal, na Ilha da Madeira. A escultura fica em frente ao Museu CR7, um dos principais pontos turísticos ligados ao craque português.

Vídeo, mensagem enigmática e ação rápida das autoridades

O ataque acontece por volta das primeiras horas do dia, na área do Cais do Funchal, a poucos metros do mar e da entrada do museu inaugurado em 2013. O suspeito se aproxima da estátua de bronze, despeja um líquido inflamável sobre a peça e ateia fogo. As chamas envolvem o monumento que homenageia o maior artilheiro da seleção portuguesa, hoje com 40 anos.

Toda a ação é gravada e publicada nas redes sociais, no perfil de Instagram identificado como @zaino.tcc.filipe. Na legenda, o autor marca a conta oficial de Cristiano Ronaldo e escreve: “Este é o último aviso de Deus”. A frase não traz explicação adicional, nem referência clara a motivos religiosos, políticos ou esportivos.

A Polícia de Segurança Pública (PSP) confirma em nota que abre um inquérito criminal para apurar o caso e localizar o responsável. Segundo a imprensa local, o homem já é identificado pelas autoridades e seria conhecido por outros episódios semelhantes na região, também envolvendo uso de fogo em espaços públicos. A corporação trata o episódio como crime de dano qualificado a patrimônio.

A divulgação do vídeo nas primeiras horas da manhã provoca reação imediata na Madeira e em Lisboa. Moradores relatam que, em menos de 30 minutos após a postagem, já circulam cópias do registro em grupos de WhatsApp de torcedores e de comerciantes da zona portuária. Funcionários do museu correm para controlar o fogo e isolar a área enquanto aguardam os bombeiros.

Golpe em um símbolo turístico e esportivo de Portugal

O Museu CR7, inaugurado em dezembro de 2013, torna-se em pouco mais de 10 anos uma das principais atrações de Funchal, cidade natal de Cristiano Ronaldo, que nasceu ali em 5 de fevereiro de 1985. O espaço exibe dezenas de troféus, camisas históricas e prêmios individuais, incluindo Bolas de Ouro e chuteiras conquistadas desde o início da carreira do atacante.

A estátua incendiada é um dos cartões-postais da ilha. Turistas formam filas diariamente para fotos ao lado da escultura em tamanho real do jogador, que mede cerca de 2 metros de altura. Em feriados de verão, a fila se estende por dezenas de metros na avenida marginal. Agências de viagem locais calculam que o complexo CR7, que inclui museu, hotel e lojas, ajuda a atrair milhares de visitantes por ano e movimenta milhões de euros na economia regional.

Guia turístico que trabalha na região há mais de cinco anos, João, 37, relata espanto e indignação ao ver as imagens. “É como se tivessem atacado um pedacinho da cidade. Funchal se vende para o mundo com a imagem do Cristiano, essa estátua está em dezenas de folhetos e pacotes”, afirma. Ele diz que recebe, em média, três grupos por dia que fazem parada obrigatória diante da escultura.

Nas redes sociais, a repercussão é imediata. Fãs de Ronaldo em Portugal, no Brasil e no Oriente Médio compartilham o vídeo e cobram punição rápida ao autor. Entre mensagens de solidariedade ao jogador, há também comentários que tentam associar a ação a discursos de ódio e a episódios recentes de intolerância em espaços públicos. Até o início da tarde, o perfil que publica o ataque segue ativo, com o vídeo acumulando milhares de visualizações e comentários.

Especialistas em turismo consultados pela imprensa portuguesa apontam que o ataque expõe fragilidades na proteção de monumentos em áreas turísticas abertas. A estátua de Cristiano Ronaldo fica em um calçadão de livre circulação, sem barreiras físicas ou vigilância permanente por câmeras de alta resolução. Comerciantes relatam que a região costuma ter movimento intenso no fim de tarde e início da noite, mas pouca fiscalização nas madrugadas.

Segurança, investigação e o debate sobre símbolos públicos

O incêndio reacende o debate sobre segurança em pontos turísticos e proteção de símbolos ligados a figuras públicas em Portugal. Municípios que dependem do turismo, como Funchal, Lisboa e Porto, já registram episódios de vandalismo a estátuas, fachadas históricas e murais. Em muitos casos, os reparos demoram semanas e custam milhares de euros aos cofres públicos ou a instituições privadas.

No caso da estátua de Cristiano Ronaldo, técnicos avaliam os danos e estudam se será necessário um restauro profundo ou a substituição total de partes da peça. Especialistas ouvidos pela imprensa local lembram que o bronze resiste a altas temperaturas, mas sofre com deformações e perda de acabamento quando exposto a fogo direto por vários minutos.

Autoridades regionais evitam, até o momento, especular sobre motivação religiosa, política ou pessoal do autor do ataque. O conteúdo da mensagem — “Este é o último aviso de Deus” —, porém, levanta preocupação entre investigadores, que avaliam se há risco de novas ações contra outros símbolos públicos. A identificação prévia do suspeito, apontada pela imprensa, pode acelerar pedidos de medidas cautelares e perícias em equipamentos eletrônicos usados na gravação e na publicação do vídeo.

Para juristas, o caso deve servir de referência para atualização de protocolos de segurança em áreas com grande concentração de turistas. Câmeras extras, rondas mais frequentes em horários de baixa circulação e planos de resposta rápida a ataques a monumentos entram no radar de prefeituras e governos regionais. “Quando um símbolo como esse é atacado, a mensagem atinge não só o ídolo, mas milhões de pessoas que se reconhecem naquela imagem”, resume um advogado ouvido pela imprensa portuguesa.

Enquanto a investigação avança, o episódio projeta a imagem de Cristiano Ronaldo mais uma vez para além dos gramados. O jogador, que se aproxima da marca de 1.000 gols oficiais na carreira e segue como principal astro do Al-Nassr, da Arábia Saudita, torna-se, ainda que involuntariamente, centro de um debate sobre respeito a patrimônios e responsabilidade em redes sociais.

Próximos passos e pressão por respostas

A PSP promete concluir as diligências iniciais nos próximos dias e encaminhar o inquérito ao Ministério Público português. A partir da formalização da acusação, o suspeito pode responder por crime de dano a monumento de relevante valor simbólico e turístico, com pena que inclui multa elevada e até prisão, dependendo do enquadramento definitivo.

Autoridades locais estudam reforçar a proteção do entorno do Museu CR7 com mais câmeras, iluminação e vigilância privada, pelo menos até a conclusão da investigação. O museu deve divulgar, nas próximas horas, uma nota oficial sobre o estado da peça e o plano de restauro, pressionado por operadoras de turismo que já relatam dúvidas de clientes para reservas em fevereiro e março.

O incêndio também abre espaço para uma discussão mais ampla em Portugal sobre como o país lida com seus símbolos esportivos e culturais quando eles extrapolam o campo e se transformam em marcas globais. A reação à destruição parcial da estátua indicará se o episódio será tratado apenas como mais um caso de vandalismo isolado ou como ponto de partida para uma política mais firme de proteção ao patrimônio em espaços públicos.

Até que a Justiça apresente respostas e o bronze volte a receber turistas em frente ao mar da Madeira, permanece a pergunta que ecoa entre moradores e fãs: que tipo de aviso alguém pretende enviar quando decide atacar um símbolo que pertence, em alguma medida, a todo um país?

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