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Estátua de Cristiano Ronaldo é incendiada em frente ao Museu CR7

Um homem incendeia, na manhã desta quarta-feira (21), a estátua em tamanho real de Cristiano Ronaldo em frente ao Museu CR7, em Funchal, Portugal. O autor registra o ataque em vídeo, divulga as imagens nas redes sociais e deixa a mensagem enigmática: “Este é o último aviso de Deus”. A polícia portuguesa trata o caso como crime e abre investigação para identificar motivações e eventuais conexões com outros episódios semelhantes.

Ataque a um símbolo turístico e esportivo

O fogo atinge um dos pontos mais fotografados da Ilha da Madeira, na entrada do museu inaugurado em 2013 para celebrar a carreira do atacante português. A escultura de Cristiano Ronaldo, em tamanho real, funciona há mais de dez anos como cartão-postal de Funchal e movimenta um fluxo constante de visitantes, que posam diariamente para fotos no local.

O ataque ocorre por volta da manhã de 21 de janeiro de 2026, segundo a Polícia de Segurança Pública (PSP). Nas imagens que circulam em grupos de mensagens e no Instagram, o homem se aproxima da estátua, despeja um líquido inflamável sobre a estrutura metálica e, em seguida, acende o fogo. As chamas sobem em poucos segundos e envolvem o monumento, enquanto o autor registra tudo com o próprio celular.

O vídeo é publicado no perfil @zaino.tcc.filipe, no Instagram, e rapidamente repercute em Portugal e fora do país. Na legenda, o responsável marca a conta oficial de Cristiano Ronaldo e escreve apenas: “Este é o último aviso de Deus”. Não há explicação adicional, nem menção a motivações políticas, religiosas ou pessoais. A frase, curta e enigmática, alimenta interpretações e teorias nas redes sociais ao longo do dia.

Em nota oficial, a PSP confirma que abre um inquérito para apurar o incêndio e classifica o episódio como crime contra o patrimônio. Autoridades ouvidas pela imprensa local afirmam, sob reserva, que o suspeito já é conhecido por “outros episódios semelhantes” na região, ligados a ações de vandalismo e incêndios de menor escala. A polícia, porém, ainda não detalha antecedentes nem divulga a identidade completa do investigado.

Repercussão global e alerta sobre segurança de monumentos

A destruição da estátua atinge um símbolo que vai além da figura de um jogador de futebol. O museu dedicado a Cristiano Ronaldo, um dos atletas mais famosos do planeta, se consolida ao longo de mais de uma década como vitrine do turismo madeirense. O espaço exibe dezenas de troféus, camisas históricas e prêmios individuais, incluindo Bolas de Ouro e chuteiras conquistadas desde os anos 2000.

O fluxo de visitantes chega a milhares de pessoas por mês na alta temporada, segundo estimativas divulgadas pelo próprio museu ao longo dos últimos anos. A escultura incendiada, instalada na frente do prédio, é ponto obrigatório para turistas que desembarcam na ilha em cruzeiros e voos internacionais. A perda, ainda que material, é lida por moradores como um golpe na imagem de Funchal como cidade acolhedora e orgulhosa de seu ídolo mais famoso.

Nas redes sociais, torcedores e moradores expressam indignação com o ataque. Alguns classificam o incêndio como “violência simbólica” contra um ícone regional e global. Outros cobram explicações para a mensagem religiosa deixada pelo autor e perguntam como um homem consegue se aproximar do monumento com combustível sem ser contido. O perfil usado para divulgar o vídeo recebe críticas, denúncias e pedidos para remoção do conteúdo.

Especialistas em patrimônio cultural consultados pela imprensa portuguesa veem no episódio um alerta. A avaliação é que monumentos desprotegidos em áreas abertas, mesmo quando cercados por câmeras, seguem vulneráveis a ações simples e rápidas. Em um contexto de polarização e radicalização de discursos, a associação entre vandalismo, autoexposição em redes sociais e linguagens religiosas ou conspiratórias passa a preocupar autoridades locais e nacionais.

Investigação, reforço de segurança e o que vem a seguir

A PSP informa que já recolhe imagens de câmeras de segurança do entorno do Museu CR7 e de vias próximas, na tentativa de mapear os passos do autor antes e depois do incêndio. A perícia analisa os resíduos do líquido inflamável e avalia os danos estruturais à estátua. A polícia trabalha com a hipótese de ação individual, mas não descarta a possibilidade de apoio logístico de outras pessoas.

As autoridades municipais e regionais discutem, nas horas seguintes ao ataque, o reforço da vigilância em pontos turísticos e monumentos da cidade. Entre as medidas em debate estão aumento de rondas policiais, instalação de novas câmeras, barreiras físicas discretas em torno de esculturas e protocolos mais rígidos para o acesso em horários de menor movimento. O objetivo é evitar que o episódio se repita, seja contra o Museu CR7 ou contra outros símbolos culturais da ilha.

O museu ainda não divulga, até o início da tarde, um balanço financeiro dos prejuízos. A expectativa é de que o conserto ou a eventual substituição da estátua leve semanas ou meses, dependendo do grau de comprometimento da estrutura. A direção deve detalhar, em comunicado, se o espaço permanecerá aberto durante a recuperação do monumento ou se haverá adaptações no percurso de visitação.

A frase “Este é o último aviso de Deus”, repetida em manchetes e postagens, se torna ponto central da investigação. A polícia busca entender se se trata de delírio individual, mensagem religiosa radicalizada ou ameaça mais ampla. A resposta, quando vier, pode ajudar a calibrar o tipo de resposta do poder público, da segurança reforçada ao acompanhamento psicológico do autor. Enquanto isso, a imagem em chamas de um dos maiores ídolos do esporte mundial impõe a Funchal uma pergunta incômoda: até que ponto seus monumentos e memórias estão, de fato, protegidos?

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