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Espólio de Jeffrey Epstein fecha acordo de US$ 35 mi com vítimas

Um acordo de US$ 35 milhões é anunciado em fevereiro de 2026 para encerrar uma ação coletiva contra os administradores do espólio de Jeffrey Epstein, em Nova York. O entendimento ainda depende da aprovação de um juiz federal em Manhattan e prevê compensações confidenciais a vítimas de tráfico sexual ligadas ao financista. Os coexecutores negam qualquer participação em irregularidades.

Acordo tenta encerrar capítulo central do caso Epstein

O escritório Boies Schiller Flexner, que representa um grupo de vítimas de Epstein, apresenta o acerto em documento ao tribunal federal de Manhattan. A proposta mira especificamente Darren Indyke, ex-advogado pessoal de Epstein, e Richard Kahn, ex-contador do financista, hoje responsáveis legais pelo espólio. O processo, movido em 2024, acusa os dois de ajudarem a sustentar e mascarar o esquema de tráfico sexual que opera por anos em diferentes países.

Os advogados das vítimas afirmam que Indyke e Kahn estruturam uma rede intrincada de empresas e contas bancárias, usada para pagar vítimas e recrutadores e para esconder a origem do dinheiro. Segundo a ação, essa engrenagem financeira mantém o sistema de abusos enquanto recompensa generosamente quem o administra. “Ricamente compensados” é a expressão usada pelos autores do processo para descrever os ganhos dos coexecutores.

O acerto de US$ 35 milhões surge depois de uma fase de mediação conduzida sob sigilo, que substitui a perspectiva de um julgamento longo e potencialmente explosivo. Se o juiz aceitar os termos, a ação coletiva é encerrada sem que as alegações sejam analisadas em audiência pública, depoimentos extensos ou exposição de novos documentos. O desenho do acordo preserva a possibilidade de compensação a vítimas que ainda não recebem nada, sem reabrir, em detalhes, o funcionamento interno do espólio.

Rede de compensações já supera US$ 200 milhões

O espólio de Epstein mantém, desde a morte do financista em agosto de 2019, um esforço paralelo de pagamento de indenizações. Um fundo de restituição já distribui US$ 121 milhões a vítimas reconhecidas, valor que chega ao equivalente a cerca de R$ 629 milhões. Outros US$ 49 milhões, cerca de R$ 254 milhões, são pagos em acordos diretos adicionais, fora do fundo formal.

Com o novo acerto de US$ 35 milhões, o montante vinculado apenas ao espólio ultrapassa US$ 205 milhões, sem contar entendimentos com terceiros. O mesmo escritório Boies Schiller Flexner já lidera ações que resultam em US$ 365 milhões em acordos com JPMorgan Chase e Deutsche Bank, acusados de ignorar sinais de alerta enquanto Epstein segue como cliente lucrativo. Somadas, as cifras reforçam o peso financeiro das tentativas de reparação, mesmo sem que todos os responsáveis penais sejam julgados ou condenados.

Os coexecutores insistem que não admitem qualquer culpa no acerto. Em comunicado, o advogado Daniel H. Weiner afirma que “nem Indyke nem Kahn fizeram qualquer admissão ou concessão de má conduta” ao concordar com a mediação. Segundo ele, ambos “estavam preparados para lutar contra as acusações contra eles até o julgamento, mas concordaram em mediar e resolver este processo para chegar a uma conclusão definitiva sobre quaisquer possíveis reclamações contra o espólio de Epstein”. O representante diz ainda que o entendimento cria “uma via confidencial para alívio financeiro” de vítimas que ainda não receberam compensação.

Pressão por responsabilização e próximos passos na Justiça

O caso continua a testar os limites da responsabilização de quem cercava Epstein, morto em uma prisão de Nova York em agosto de 2019, em um suicídio oficialmente reconhecido. A cada novo acordo, a Justiça americana avança na reparação financeira, mas deixa em aberto o debate sobre a extensão da culpa de bancos, auxiliares e autoridades que convivem com o esquema. O processo contra Indyke e Kahn, embora civil, poderia ter servido como vitrine pública desse escrutínio.

Caso o juiz federal homologue o acerto nas próximas semanas, o foco tende a migrar para outras frentes abertas, como investigações estaduais, pedidos de documentos e apurações sobre o patrimônio ainda vinculado a Epstein. O precedente também deve influenciar estratégias de defesa em litígios de tráfico sexual e abusos em larga escala, ao sinalizar que acordos robustos podem ser preferidos a julgamentos longos e imprevisíveis. A pergunta que permanece é se o dinheiro, por maior que seja a soma, será suficiente para encerrar, aos olhos da opinião pública, a história de quem ajudou a sustentar a máquina de abusos de Jeffrey Epstein.

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