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Endrick é expulso duas vezes, mas Lyon vence e entra no G-3 francês

Endrick vive uma noite tão rara quanto constrangedora no Campeonato Francês. O atacante brasileiro é expulso duas vezes na mesma partida, mas o Lyon vence o Nantes por 1 a 0 neste sábado (7), em Nantes, e entra na zona de classificação para a Liga dos Campeões.

Expulsão incomum em jogo de afirmação

O cenário no Stade de la Beaujoire parece escrito para testar o controle emocional de um time em ascensão. O Lyon chega embalado por 11 vitórias seguidas e sai de campo com a 12ª, mesmo passando quase meia hora com um jogador a menos. No centro da cena está Endrick, de 19 anos, alvo de faltas duras desde os primeiros segundos e protagonista involuntário de um lance que vira caso de estudo para a arbitragem de vídeo.

Logo no primeiro ataque, Abline, camisa 10 do Nantes, acerta Endrick com menos de 10 segundos, em falta forte no meio-campo. O brasileiro retorna ao jogo ainda irritado. Na sequência da cobrança, tenta impedir o contra-ataque rival, acerta o adversário por trás e recebe cartão amarelo com menos de um minuto. O aviso do juiz não muda o tom da disputa. Endrick segue caçado, cai em outro lance sem falta marcada e o jogo ganha temperatura de decisão já no início da 21ª rodada.

O Lyon demora alguns minutos para se impor, mas encontra espaços. Afonso Moreira finaliza pela primeira vez aos 20 minutos, para defesa do goleiro. Dois minutos depois, Endrick participa do melhor lance que produz no jogo: um passe de três dedos que coloca Tessmann na cara do gol. O meia tenta encobrir o goleiro e erra o alvo. Na jogada seguinte, aos 24, Afonso Moreira arrisca de fora da área, a bola desvia em Sulc e mata o goleiro do Nantes: 1 a 0, 12ª vitória seguida encaminhada.

O gol acalma o Lyon e abre espaço para o contra-ataque. Endrick tem sua chance mais clara pouco depois, em outro lance em velocidade. Nartey acelera, Afonso Moreira dá de calcanhar na área e deixa o brasileiro cara a cara com Anthony Lopes. O camisa 9 bate forte, mas alto, e o goleiro salva. O Nantes responde com bola na trave e chute perigoso, mas para nas defesas de Greif antes do intervalo.

VAR transforma amarelo em vermelho direto

O segundo tempo começa com o Nantes mais agressivo, empurrado por um estádio lotado e pelo risco de se aproximar ainda mais da zona de rebaixamento. Greif trabalha bem logo aos 3 minutos e conta com a sorte pouco depois, quando a bola explode na trave e volta mansa para suas mãos. A partida se equilibra mais na base da tensão do que da técnica.

Aos 13 minutos, a noite de Endrick desaba. O brasileiro disputa bola na lateral com Tabibou, os dois caem e o árbitro marca falta de ataque. Como o atacante já está amarelado, o juiz mostra o segundo cartão amarelo e, em seguida, o vermelho automático. Endrick deixa o gramado indignado, cercado pelos companheiros, enquanto o estádio vibra com a expulsão.

O VAR, porém, interrompe a festa local. Os árbitros de vídeo chamam o juiz à cabine e exibem as imagens em detalhe. O replay mostra um chute de Endrick em Tabibou, quando ambos já estão no chão. A pisada, interpretada como agressão, muda a natureza da infração. Depois de rever o lance no monitor, o árbitro revoga o segundo amarelo e, em seguida, exibe um cartão vermelho direto ao brasileiro. Na súmula, a expulsão passa a constar como agressão, punição mais pesada do que a simples soma de dois amarelos.

O resultado é insólito: Endrick é expulso duas vezes na mesma jogada, primeiro por acúmulo de cartões e depois por vermelho direto, decisão que tende a pesar na análise disciplinar da liga. A atuação, já discreta, termina de forma amarga. O atacante deixa o campo com apenas uma finalização perigosa, um passe decisivo e muitos choques físicos não convertidos em vantagem.

Com um jogador a mais, o Nantes adianta as linhas e cerca a área do Lyon. A necessidade de pontuar aperta: o time soma 14 pontos, está em 16º lugar e flerta com a zona de rebaixamento. A equipe da casa manda outra bola na trave nos acréscimos, empilha cruzamentos e chutes de média distância, mas esbarra em Greif e em uma defesa compacta, treinada para sofrer poucos gols na atual sequência invicta.

Lyon entra no G-3 e Endrick vira caso de disciplina

O apito final consolida um retrato duplo. O Lyon confirma a 12ª vitória consecutiva, segue invicto em 2026 e chega a 42 pontos, entrando no G-3 do Campeonato Francês. A posição coloca o time provisoriamente na zona de classificação para a Liga dos Campeões, objetivo central da temporada. O Olympique de Marselha enfrenta o Paris Saint-Germain neste domingo e pode retomar o 3º lugar em caso de vitória, mas a arrancada do Lyon já altera a disputa na parte de cima da tabela.

O Nantes, por sua vez, permanece preso na parte de baixo, em 16º, com campanha que o mantém a um tropeço da zona de rebaixamento. A diferença entre a organização defensiva do Lyon e a aflição dos mandantes se traduz nos detalhes: bolas na trave, chances desperdiçadas e um time que ataca muito mais na base da urgência do que de um plano claro. A torcida, que pressiona desde o começo, deixa o estádio com a sensação de que nem a expulsão do principal atacante rival foi suficiente.

Para Endrick, o episódio tem peso particular. O cartão vermelho direto por agressão implica suspensão automática no próximo jogo, contra o Nice, no domingo (15), em Lyon, e pode render gancho maior caso o comitê disciplinar entenda que houve conduta violenta grave. O clube perde uma peça importante do ataque justamente no momento de maior confiança da temporada, e o jogador, ainda em processo de afirmação no futebol europeu, passa a conviver com um rótulo incômodo.

A agenda do Lyon segue apertada. O time tenta manter a série invicta e consolidar presença no G-3 enquanto aguarda a definição sobre a punição do brasileiro. O Nantes visita o Monaco na sexta-feira, pressionado por resultados imediatos para não entrar na zona de rebaixamento. A expulsão dupla de Endrick entra para o anedotário recente do VAR, mas também expõe um ponto sensível do jogo moderno: até que ponto a linha entre competitividade e descontrole individual pode custar caro em um campeonato decidido nos detalhes.

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