Empresário Márcio Vaccaro morre em acidente de moto na Argentina
O empresário catarinense Márcio Vaccaro, 58, fundador do Vaccaro Group, morre neste sábado (28) em acidente de motocicleta na região metropolitana de Buenos Aires, na Argentina. A moto que ele conduzia colide de frente com um caminhão durante um passeio com amigos.
Acidente interrompe trajetória de líder empresarial do Oeste catarinense
O grupo de motociclistas circula por uma rodovia da Grande Buenos Aires quando o passeio se transforma em tragédia. Informações preliminares indicam uma colisão frontal entre a moto de Vaccaro e um caminhão, em trecho ainda não detalhado pelas autoridades argentinas. Os serviços de emergência são acionados, mas a morte do empresário é confirmada no local.
Até o início da noite deste sábado, órgãos locais não divulgam laudo oficial sobre as causas do acidente. Não há informação sobre o motorista do caminhão nem sobre outros feridos. Também não está definida a previsão de liberação do corpo, nem o translado para Santa Catarina. Familiares e executivos do grupo acompanham à distância os trâmites em território argentino, enquanto aguardam orientações consulares e detalhes do inquérito policial.
A notícia chega rapidamente a Xaxim e Chapecó, onde Vaccaro constrói sua trajetória empresarial ao longo de três décadas. Em poucas horas, redes sociais de executivos, funcionários e entidades de classe se enchem de mensagens de pesar. Em nota interna, colaboradores descrevem o fundador como um líder “presente no dia a dia” e “obsessivo com expansão e inovação”. O grupo ainda não divulga comunicado público completo, mas prepara informações sobre homenagens e a futura cerimônia de despedida.
Do negócio familiar ao grupo bilionário
Filho de Eloy Luiz Vaccaro, Márcio nasce em Santa Catarina e se forma em engenharia agronômica ainda jovem. Em 1995, pai e filho criam, em Xaxim, a empresa que daria origem ao Vaccaro Group. O negócio começa com embalagens de ráfia e materiais plásticos, voltado ao agronegócio em expansão no Oeste catarinense. A partir desse núcleo, o grupo diversifica operações e passa a ocupar espaço relevante em setores estratégicos.
Ao longo dos anos 2000 e 2010, Vaccaro assume a presidência e lidera um ciclo contínuo de investimento. O conglomerado passa a reunir empresas como a Rafitec, referência nacional em embalagens industriais, e a Nutrata, marca de nutrição que ganha prateleiras em redes varejistas de vários estados. As atividades se estendem para áreas como indústria, agronegócio, energia e urbanismo, consolidando faturamento bilionário e presença em diferentes regiões do país.
O avanço no setor imobiliário e urbano é simbolizado por projetos como a Vaccaro Urbanismo, responsável por empreendimentos em cidades do Oeste, entre eles o Pulse Open Mall, recém inaugurado em Chapecó. O shopping a céu aberto se torna vitrine da estratégia de diversificação do grupo e marco de um período de expansão regional acelerada. Em reuniões com parceiros, Vaccaro costuma defender que “não existe desenvolvimento regional sem empresa forte e mão de obra qualificada”, frase repetida em eventos empresariais e encontros com autoridades locais.
Com sede em Xaxim, o conglomerado se firma como um dos motores da economia da região. Entidades empresariais da Grande Chapecó apontam que o grupo responde, direta e indiretamente, por milhares de postos de trabalho na indústria e em serviços associados, da logística ao comércio. Vaccaro participa da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e de fóruns multissetoriais, onde articula pautas de infraestrutura, energia e formação técnica para o Oeste catarinense.
Impacto imediato para a região e para o grupo
A morte do fundador provoca um vazio na liderança de um dos maiores grupos empresariais do Oeste de Santa Catarina. Em Xaxim e Chapecó, prefeitos, dirigentes de entidades e empresários tratam a perda como um baque para a agenda de desenvolvimento regional. Projetos de expansão industrial, energias renováveis e novos empreendimentos urbanos, em estudo para os próximos anos, passam a ser reavaliados à luz da transição de comando.
Na prática, a sucessão deve testar a governança interna do grupo. Vaccaro centraliza decisões estratégicas, acompanha de perto cronogramas de obras e negociações com fornecedores, e participa pessoalmente de reuniões com grandes clientes. A ausência súbita exige que diretores e herdeiros definam rapidamente um novo arranjo de poder, capaz de preservar contratos, empregos e investimentos. Funcionários ouvidos reservadamente demonstram apreensão, mas apostam na continuidade dos negócios.
O impacto da morte também se estende ao ambiente associativo. Entidades como a CDL de Chapecó e organizações ligadas à indústria e ao agronegócio perdem um articulador frequente de pautas comuns, entre elas redução de custos logísticos, melhoria de rodovias e ampliação da oferta de energia. Em ações sociais recentes, sobretudo durante a pandemia de Covid-19, o grupo financia iniciativas ligadas à saúde e à assistência básica, em parceria com hospitais e organizações civis. Essas frentes agora dependem de decisão da nova cúpula empresarial para serem mantidas ou redesenhadas.
Economistas que acompanham a região avaliam que o conglomerado tem estrutura suficiente para atravessar o luto institucional sem ruptura. A preocupação imediata recai sobre eventuais atrasos em novos investimentos, especialmente em setores intensivos em capital, como energia e urbanismo. Em cidades menores, onde o grupo figura entre os principais empregadores, qualquer mudança de ritmo é acompanhada de perto por comerciantes e trabalhadores.
Incertezas, investigações e próximos passos
As autoridades argentinas ainda investigam as circunstâncias do choque frontal entre a moto de Vaccaro e o caminhão. A dinâmica do trânsito no momento do impacto, a sinalização da via e a velocidade dos veículos integram o conjunto de perguntas que aguardam resposta. O laudo oficial deve orientar eventuais medidas legais e ajudar a reconstruir os minutos finais do passeio que termina em morte.
No campo empresarial, a expectativa recai sobre um pronunciamento detalhado do Vaccaro Group nos próximos dias. A nota deve esclarecer como ficará a sucessão, quais projetos seguem inalterados e de que forma a companhia pretende preservar o legado do fundador. Investidores, fornecedores e prefeituras aguardam sinais claros de continuidade, enquanto o Oeste catarinense se prepara para velório e sepultamento que ainda não têm data confirmada.
Após três décadas de expansão quase ininterrupta, o grupo se vê diante do primeiro grande teste sem seu principal articulador. A capacidade de transformar luto em reorganização e planejamento definirá o ritmo dos próximos anos. A pergunta que paira sobre Xaxim, Chapecó e todo o entorno é se a estrutura construída por Vaccaro será suficiente para sustentar, sem ele, o ciclo de crescimento que ajudou a redesenhar a economia regional.
