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Eleição de 2026 renova 54 cadeiras e redesenha força no Senado

A eleição de 2026 renova 54 das 81 cadeiras do Senado e coloca em disputa parte decisiva do poder político em Brasília. Em uma única rodada de votos, o país redefine o apoio ao próximo presidente, a correlação de forças no Congresso e a influência sobre o Supremo Tribunal Federal para a próxima década.

Disputa de 54 mandatos concentra poder e incerteza

O calendário eleitoral ainda está a meses das urnas, mas partidos e governo tratam a corrida ao Senado como peça central do tabuleiro de 2026. A cada oito anos, dois terços da Casa são renovados, em um movimento que costuma passar ao largo do debate público, mas desta vez ganha peso extra. São 54 mandatos que se encerram juntos, um volume suficiente para mudar a maioria em votações decisivas e deslocar blocos inteiros de poder.

Os senadores escolhidos em 2026 tomam posse no início de 2027, com mandato até 2035. Na prática, eles atravessam pelo menos dois governos presidenciais completos, influenciam orçamentos bilionários e decidem sobre pautas que vão de reforma tributária a regras ambientais e políticas de segurança pública. A eleição ocorre em todo o território nacional, com cada estado e o Distrito Federal escolhendo um representante, o que espalha a disputa do interior do país ao centro do poder em Brasília.

Senado no centro da governabilidade e do STF

O Senado concentra atribuições que não aparecem nas campanhas televisivas, mas definem o rumo do país. É a única Casa com poder de aprovar ou barrar ministros do Supremo Tribunal Federal, diretores do Banco Central, chefes de agências reguladoras e embaixadores. Também decide, em última instância, sobre processos de impeachment de presidentes e de ministros do próprio STF.

A renovação de 54 cadeiras abre espaço para uma virada na correlação de forças em temas sensíveis. Uma maioria de 49 votos garante, por exemplo, a aprovação de emendas constitucionais que mexem em tributos, repartição de receitas entre União, estados e municípios e regras de funcionamento do Estado. “A cada grande reforma, é o Senado que segura ou acelera a pauta”, resume, em caráter reservado, um senador de centro que atua como articulador entre governo e oposição.

Os mandatos que terminam em 2026 foram eleitos em 2018, em um ambiente de forte polarização, ascensão de novas lideranças e desgaste de legendas tradicionais. Desde então, crises econômicas, pandemia, conflitos entre poderes e sucessivas operações da Polícia Federal redesenham alianças. Parte desses senadores hoje apoia o governo, parte mantém alinhamento firme à oposição, e um grupo reduzido, estimado em pouco mais de uma dezena, atua de forma mais independente, vendendo caro cada voto em pautas estratégicas.

Esse equilíbrio frágil explica a disputa antecipada por palanques estaduais, coligações e tempo de televisão. Em 2026, o eleitor vai encontrar na urna um candidato a presidente, um a governador, um a senador e dezenas de nomes para Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. O voto para o Senado, em apenas um nome por estado, cria campanhas personalistas e concentradas, em que o peso de máquinas partidárias estaduais e o capital político de ex-governadores e ex-ministros tendem a se impor.

Cadeiras em jogo valem influência sobre o Supremo

O impacto da eleição de 2026 ultrapassa o próximo mandato presidencial e alcança o Supremo Tribunal Federal. Ministros da Corte se aposentam compulsoriamente aos 75 anos, e cada vaga aberta precisa passar pelo crivo dos senadores. Uma composição mais alinhada ao Planalto facilita nomeações, enquanto um Senado hostil pode impor vetos, atrasos e barganhas que se arrastam por meses.

Decisões recentes do STF em temas como combate à desinformação, demarcação de terras indígenas, financiamento de campanhas e crimes contra a democracia expõem o tamanho desse poder. A escolha de quem senta nas 81 cadeiras do Senado, em especial nas 54 agora em disputa, define o tom da relação com a Corte e o grau de tolerância a mudanças na sua composição. “A indicação é do presidente, mas o Senado tem a última palavra. Sem maioria ali, qualquer projeto de poder emperra”, afirma um ex-ministro da Justiça ouvido pela reportagem.

Governadores também acompanham de perto a disputa. O Senado decide sobre dívidas estaduais, repasses de fundos e operações de crédito que somam dezenas de bilhões de reais ao longo de um mandato. Bancadas fortes garantem influência sobre o Orçamento, emendas e obras federais, enquanto derrotas regionais podem isolar politicamente estados inteiros. O resultado atinge diretamente áreas como saúde, transporte, infraestrutura e educação, que dependem de verbas negociadas em Brasília.

Quem ganha, quem perde e o que o eleitor decide

Para o próximo presidente da República, a matemática é simples e implacável. Um governo que sai das urnas em 2026 com minoria expressiva no Senado enfrenta dificuldades para aprovar medidas provisórias, projetos de lei complementar e reformas estruturais já na largada. A necessidade de construir coalizões amplas aumenta o peso de partidos médios e dos senadores que orbitam o chamado centrão, acostumados a negociar cada voto em troca de espaço político e orçamentário.

Uma bancada governista robusta, ao contrário, acelera projetos de interesse direto do Planalto e reduz o custo de manutenção da base. O desenho dessa força depende do desempenho dos partidos nos 26 estados e no Distrito Federal e da capacidade de montar chapas competitivas. Em disputas majoritárias, margens apertadas de 2% ou 3% dos votos podem separar a vitória de uma derrota que redefine o mapa político do país por oito anos.

Para o eleitor comum, a escolha do senador parece distante do dia a dia, mas afeta decisões concretas. O Senado pode travar ou liberar políticas de reajuste salarial para servidores, regras de aposentadoria, limites de endividamento das famílias e diretrizes de programas sociais. Também aprova ou rejeita acordos internacionais que mexem com preço de combustíveis, exportações agrícolas e investimentos em infraestrutura.

A eleição de 2026 não encerra as incertezas, mas abre uma janela rara de rearranjo profundo no poder em Brasília. A definição de quem ocupa as 54 cadeiras em disputa indica qual projeto de país ganha espaço no Congresso, qual Supremo Tribunal Federal emerge das próximas nomeações e que tipo de relação o próximo presidente terá com o Legislativo. Até que as urnas sejam abertas, permanece em aberto a pergunta que move governistas e oposicionistas: quem vai controlar a Casa que, discretamente, arbitra os rumos da República nos próximos anos.

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