Dupla colombiana decide, Athletico reage e vence a Chape na Arena
Steven Mendoza e Kevin Viveros marcam no segundo tempo, o Athletico vence a Chapecoense por 2 a 0 neste domingo (12), em Curitiba, e encerra a sequência negativa no Brasileirão 2026. O resultado leva o Furacão aos 19 pontos, na zona de briga pelo G-6, e mantém a Arena da Baixada como um dos estádios mais difíceis do campeonato.
Arena volta a empurrar o Furacão após tropeços fora
A manhã de domingo começa arrastada para quem acorda cedo e enfrenta o sol das 11h na Arena da Baixada. O Athletico chega pressionado pelas derrotas para Bahia e Atlético-MG, ambas fora de casa, e pela incômoda escrita recente diante da Chapecoense como mandante em Brasileiros. Três empates seguidos, entre Série A e B, deixavam aberto um jejum que incomodava tanto quanto a queda de rendimento nas últimas rodadas.
O clima nas arquibancadas mistura confiança com impaciência. A campanha em casa sustenta o time na parte de cima da tabela: são cinco vitórias em seis jogos na Arena nesta Série A, desempenho de candidato a vaga nas fases decisivas. No gramado sintético, porém, o primeiro tempo não corresponde à expectativa. O Athletico roda a bola, mas erra decisões, exagera na lentidão e permite que a Chape se sinta confortável.
A única construção mais clara ocorre quando o zagueiro Arthur Dias decide sair da cartilha. Ele dribla o atacante rival ainda no campo de defesa, avança com coragem e encontra Dudu livre pelo meio. O meia corta para a perna boa e chuta por cima, para alívio do goleiro Rafael Santos. O lance empolga o estádio, mas não altera o roteiro: o Furacão domina território, não transforma posse em finalizações e dá tempo para a defesa catarinense se recompor a cada ataque.
Odair Hellmann não espera o cronômetro pesar contra. Ao intervalo, o técnico mexe no meio-campo e no setor de criação. Saem Portilla e Julimar, entram Bruno Zapelli e Bruninho. A decisão vira a chave da partida e expõe a ideia de um Athletico mais agressivo entre as linhas, com mobilidade perto da área e menos passes laterais.
Mendoza e Viveros comandam a reação e expõem a Chape
Bruninho entra como se o jogo começasse do zero. Ele pede a bola, se aproxima de Viveros, infiltra entre os zagueiros e atrai marcadores. O time ganha metros e, enfim, empurra a Chapecoense para dentro da própria área. O relógio marca o início do segundo tempo quando a dupla colombiana passa a comandar o enredo.
O primeiro gol nasce de uma jogada que sintetiza a nova postura. Viveros recebe de Dudu na entrada da área, tabela rápido e finaliza firme. Rafael Santos espalma para frente, a zaga assiste e Mendoza aparece em meio-voleio, de perna esquerda, para mandar no canto. A Arena explode e o atacante marca o quarto gol dele na competição, consolidando-se como vice-artilheiro do Athletico no Brasileirão.
A Chapecoense sente o golpe. O time, que até então se defendia com três zagueiros e chegava pouco ao ataque, se vê obrigado a adiantar as linhas. O espaço surge nas costas dos defensores e o Furacão aproveita. João Cruz, que entra no lugar de Dudu, recebe entre as linhas, gira de primeira e encontra Viveros com um passe açucarado. O colombiano invade a área, cara a cara com o goleiro, e finaliza rasteiro para fazer 2 a 0 aos 35 minutos da etapa final.
Viveros chega ao sexto gol no Brasileirão e se isola como artilheiro do time na temporada. A parceria com Mendoza, indicação direta de Odair, passa a ter peso de protagonista no projeto atleticano. Juntos, os dois respondem por 10 dos 17 gols do Athletico na Série A, uma fatia de 58,82% da produção ofensiva. Quase seis em cada dez bolas nas redes levam assinatura colombiana.
O domínio técnico em campo contrasta com a irritação à beira do gramado. O árbitro Andre Luiz Skettino Policarpo Bento adota critério que revolta o banco rubro-negro. A cada falta sofrida por Viveros, um defensor diferente da Chapecoense chega duro, sem que venha o cartão amarelo. Odair gesticula sem parar e cobra punição. O auxiliar Fábio Moreno acompanha a bronca, enquanto jogadores pedem mais proteção ao atacante, alvo preferencial dos catarinenses.
Quando Bruno Zapelli comete a primeira falta, recebe cartão amarelo imediato. A decisão acende de vez a reclamação. A leitura no Athletico é de rodízio de faltas liberado de um lado e tolerância zero do outro, cenário que promete abastecer análises de arbitragem ao longo da semana. Em campo, no entanto, o time não perde o controle emocional e administra a vantagem até o apito final, diante de 24.146 pagantes e renda de R$ 906.480.
G-6 mais perto, pressão maior e duelo com líder pela frente
A vitória carrega um peso que vai além dos três pontos. O Athletico interrompe uma sequência de duas derrotas seguidas, retoma a confiança do elenco e volta a transformar a Arena em ativo competitivo. Com 19 pontos em 11 rodadas, o time aparece provisoriamente na quinta posição e mantém vivo o plano de se firmar no pelotão de cima. O desempenho em casa, com cinco vitórias em seis partidas, funciona como seguro num campeonato de 38 rodadas em que tropeços fora são quase inevitáveis.
O outro lado da moeda expõe a crise catarinense. A Chapecoense estaciona nos 8 pontos, permanece na 17ª colocação e segue afundada na zona de rebaixamento. A atuação segura no primeiro tempo não resiste ao aumento de ritmo do adversário e escancara a dificuldade da equipe em reagir após sofrer o primeiro gol. A sequência negativa tende a elevar a cobrança interna e externa, com possibilidade de mudanças de escalação e até de rumo no comando de Fábio Mathias, a depender do resultado das próximas rodadas.
O calendário não oferece respiro para ninguém. O Athletico agora projeta o duelo contra o líder Palmeiras, no próximo domingo (19), às 19h30, no Allianz Parque, em São Paulo. O jogo ganha ares de medidor de forças para o time de Odair Hellmann. Uma vitória fora, sobre o primeiro colocado, pode transformar a reação pontual diante da Chape em virada consistente de momento no campeonato.
A Chapecoense volta a Chapecó com a urgência de reagir diante da própria torcida. No sábado (18), às 18h30, recebe o Botafogo na Arena Condá em confronto direto contra o rebaixamento. O tropeço em Curitiba torna o jogo ainda mais tenso, com risco de aprofundar a crise em caso de novo resultado negativo. Entre projeções otimistas no Paraná e preocupação crescente em Santa Catarina, o Brasileirão avança para a metade do primeiro turno com o futuro de Furacão e Chape cada vez mais atrelado ao que acontece nas próximas duas semanas.
